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Eduardo Cunha é hostilizado em aeroporto de BH: “Traidor”, “petista” e vaias

O ex-deputado federal Eduardo Cunha foi alvo de gritos, vaias e xingamentos ao desembarcar nesta quinta-feira (26) no Aeroporto Internacional de Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Cunha chegou em um voo vindo de Brasília e foi surpreendido por um grupo que o chamou de “petista”, “traidor” e “ladrão”.

Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram Cunha, visivelmente constrangido, tentando se afastar enquanto manifestantes o cercavam. Alguns seguravam celulares gravando a cena, enquanto outros gritavam palavras de ordem. Apesar da confusão, não houve registro de agressões físicas.

“Petista! Você traiu o Brasil!”, gritava uma mulher, em um dos vídeos que circulam na internet.

Rejeição entre bolsonaristas

O episódio expõe a rejeição de parte do eleitorado a Cunha, figura central do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016, mas também envolvido em escândalos de corrupção revelados pela Operação Lava Jato.

Ex-presidente da Câmara dos Deputados, Cunha foi preso preventivamente em outubro de 2016, acusado de receber milhões de dólares em propina em contas secretas no exterior, sobretudo no esquema de corrupção da Petrobras. Embora tenha sido libertado em 2021, ele ainda responde a processos judiciais.

Além da mancha da Lava Jato, Cunha é visto como um símbolo da “velha política”. Muitos também o consideram próximo demais de setores do Centrão que, na visão desse grupo, “se vendem” politicamente ao governo de ocasião — neste caso, ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em entrevistas recentes, Cunha criticou duramente Bolsonaro e atribuiu ao ex-presidente parte da responsabilidade pela vitória de Lula em 2022, ao insistir numa candidatura polarizadora. Isso também contribuiu para ampliar a antipatia do bolsonarismo em relação a ele.

Tentativas de volta à política

Mesmo ainda envolvido em questões judiciais, Cunha articula sua volta à política. No ano passado, chegou a lançar um livro em que defende sua versão sobre o impeachment de Dilma e critica figuras de diversos espectros políticos. Ele tenta reconstruir sua imagem, mas encontra resistência tanto à esquerda quanto à direita.

Nos bastidores, há especulações de que Cunha poderia disputar cargo eletivo ou atuar nos bastidores como articulador político, especialmente junto a partidos do Centrão.

Até o momento, Eduardo Cunha não se pronunciou publicamente sobre o episódio no aeroporto.

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