A diplomacia econômica voltou a ocupar o centro do tabuleiro global. Enquanto líderes como o presidente argentino Javier Milei e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi apostam no diálogo construtivo com os Estados Unidos — mirando acordos bilionários —, a tensão cresce entre Washington e os países do BRICS sobre planos para reduzir a dependência do dólar.
Nesta semana, fontes do governo indiano confirmaram que Nova Délhi está em negociações avançadas com os EUA para firmar um acordo comercial provisório, com potencial de cortar tarifas de importação para menos de 20%. A iniciativa colocaria a Índia em vantagem frente a competidores asiáticos, como Vietnã e Filipinas, que continuam a enfrentar tarifas mais altas.
O entendimento em construção prevê que a Índia zere tarifas em até 60% de suas linhas de importação, abrangendo setores como autopeças e equipamentos médicos, e ofereça acesso preferencial a cerca de 90% dos produtos americanos. O acordo, liderado pelo ministro do Comércio indiano, Piyush Goyal, poderá ser a antecâmara de um pacto mais amplo previsto para o outono boreal de 2025. Mesmo temas sensíveis, como produtos agrícolas e regulamentações para fármacos, estão na mesa de negociações.
Em paralelo, o presidente argentino Javier Milei também adotou uma postura pró-Estados Unidos, intensificando contatos diplomáticos e econômicos com Washington desde que assumiu o governo. Para analistas internacionais, Milei busca, assim como Modi, garantir estabilidade econômica e atrair investimentos estrangeiros, o que se tornou ainda mais crucial num momento de desafios econômicos internos.
“Líderes inteligentes conseguem conversar com a maior economia do mundo e geralmente fazem acordos de bilhões de dólares para os dois lados. Isso é diplomacia inteligente e lucrativa”, resumiu uma fonte próxima das negociações argentinas.
O embate do dólar
Enquanto Argentina e Índia se aproximam de Washington, cresce a tensão em torno da proposta do BRICS de criar uma moeda comum ou mecanismos de pagamento alternativos ao dólar. O chanceler russo Sergei Lavrov revelou, em entrevista à TV BRICS, que a ideia original partiu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a cúpula do bloco em Joanesburgo, em 2023.
“Foi o presidente Lula da Silva quem iniciou o debate sobre sistemas de pagamento alternativos”, declarou Lavrov. Segundo ele, há progresso na discussão, mas ainda falta concluir a estrutura técnica para a nova plataforma de pagamentos.
As pretensões do BRICS, porém, esbarraram em ameaças duras do presidente dos EUA, Donald Trump. Em diversas ocasiões ao longo de 2025, o republicano deixou claro que países que tentarem substituir o dólar enfrentarão tarifas de até 100% sobre suas exportações para os EUA.
“Nenhum país vai tirar o lugar do dólar americano. Quem tentar, terá que pagar um preço alto”, afirmou Trump na Casa Branca na última semana. Embora tenha minimizado o BRICS como “uma ameaça séria”, o presidente americano prometeu retaliação caso o grupo avance com a nova moeda.
Lula rebateu as ameaças na terça-feira (8), após encontro com Narendra Modi no Palácio da Alvorada. “Somos países soberanos e não aceitamos intromissão de quem quer que seja. Não queremos contencioso, queremos que nossos países possam progredir”, disse o presidente brasileiro.
Cenário em disputa
A disputa em torno do dólar — que se intensifica com os planos do BRICS — contrasta com a escolha de Índia e Argentina de estreitar laços com Washington, em busca de benefícios comerciais imediatos. Para especialistas, a diplomacia pragmática de Modi e Milei sinaliza que, mesmo num mundo multipolar, a relação com os EUA ainda é vista como estratégica para acessar mercados, tecnologia e investimentos bilionários.
A história, ao que tudo indica, ainda está longe de um desfecho — seja nos corredores da Organização Mundial do Comércio, seja nas salas reservadas da diplomacia mundial.
Leia mais: Diplomacia divide caminho: Índia e Argentina fecham com EUA; Lula insiste em moeda do BRICS- OCIM concede Colar do Mérito Cívico, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, à embaixador e cônsul do Paraguai
- Operação desarticula esquema de sites falsos e bloqueia R$ 10 milhões em fraudes contra mineiros
- Violência contra a mulher em MG atinge principalmente vítimas em idade reprodutiva, aponta levantamento
- Pesquisa aponta que 62% dos brasileiros estão endividados, diz AtlasIntel
- Alpinista mineiro morre após queda de 80 metros durante escalada na Bahia
Acidente Assassinato Belo Horizonte Betim BR-040 BR-251 BR-262 BR-365 BR-381 Contagem Corpo de Bombeiros Crime Cruzeiro Divinópolis Governador Valadares Grande BH Ibirité Ipatinga Itabira João Monlevade Juiz de Fora Lula Minas Gerais Montes Claros Nova Lima Patos de Minas Polícia Civil Polícia Federal Polícia Militar Polícia Militar Rodoviária Polícia Rodoviária Federal Pouso Alegre Previsão do Tempo Ribeirão das Neves Sabará Samu Santa Luzia Sete Lagoas Triângulo Mineiro Tráfico Uberaba Uberlândia Vale do Rio Doce Vespasiano Zona da Mata mineira




