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 Conheça os principais sinais de violência doméstica física e psicológica

 

A violência doméstica em geral é praticada por outras pessoas em relação às vítimas. Porém, às vezes esta é infligida por alguém contra si mesmo, em um ato de autodestruição. Seja como for, eis um tema inquietante no Brasil de hoje: violência doméstica física e psicológica. Muitos não sabem, mas a violência psicológica, com seus subtipos como violência moral e patrimonial, pode ser tão ou mais danosa quanto a física. Assim, é importante conhecer um pouco mais sobre como identificar sinais de violência em alguém, para que possamos conversar com as vítimas (ou nos perceber como uma delas), descobrir o que está acontecendo, enfim, tomar medidas adequadas e, se necessário, denunciar.

​A violência física é mais perceptível e ataca a integridade do corpo humano, podendo ser leve, moderada ou grave. Hematomas, fraturas, escoriações, nódoas ou cicatrizes que surgem de repente, e por vezes em diferentes lugares e estágios de cicatrização, são sinais vermelhos de que alguém está sofrendo violência física. Só que nem sempre os “rastros” desse tipo de agressão são claros ou até passíveis de serem notados: empurrões, beliscões, tapas ou outros ataques que não evoluem para sinais físicos são violências bem disfarçadas pelo corpo.

Por outro lado, toda pessoa que sofre violência física acaba tendo problemas emocionais ou até psiquiátricos. Às vezes são graves, como ansiedade generalizada, depressão e síndrome do pânico, isso sem falar nos problemas de saúde física que se originam do estresse e dos ataques mentais. A vítima de violência psicológica chega a demonstrar excessiva agressividade, isolamento e desinteresse em atividades de que antes gostava, além de prejuízos no desempenho na escola ou no trabalho.

Sim, a violência física quase sempre leva à violência psicológica, mas nem sempre a violência psicológica parte da violência física. Quer dizer, ocorre apenas a agressão psicológica, que não é necessariamente um atenuante em termos de violência.

Mas então, quais características podemos observar em uma pessoa que sofreu ou ainda sofre violência psicológica?  

De forma prática, a vítima de violência psicológica tenderá a apresentar alterações de humor (não sendo portadora de problemas psiquiátricos prévios, como borderline, depressão e bipolaridade, por exemplo, o que piora no caso de agressões de outrem). Além disso, sentirá tristeza, necessidade de isolamento e alta irritabilidade, baixa autoestima e medo ou evitação da presença de outras pessoas. Ainda, é provável uma relutância em se abrir sobre a vida cotidiana, assim como apatia ou desânimo para realizar tarefas que já lhe foram prazerosas.

Como se pode perceber, os efeitos nefastos da agressão física e da agressão psicológica são semelhantes. Fazem grandes estragos na saúde mental. Os casos de agressão se dão, como mencionado, principalmente em ambiente doméstico, mas também na escola, universidade, trabalho, em redes sociais e por outras formas de bullying e desrespeito. O que ocorre é uma desumanização da vítima, sendo-lhe tirada a liberdade de ser e de fazer, infundindo-lhe traumas e culpas que muitas vezes são difíceis de curar.

Quando houver a percepção da agressão física e/ou psicológica, deve-se acolher a vítima, compreender os motivos da situação e quais são os envolvidos. Claro, tudo com muita calma e cuidado, lidar com feridas não é nada fácil. Aliás, é bom pensar em quem seriam as pessoas mais indicadas para tratar de cada caso, entre profissionais, familiares e amigos. Indica-se um psicólogo, terapia, e por vezes é premente a utilização de medicação psiquiátrica, ao menos temporariamente.

Não podemos ignorar silêncios incômodos e prolongados, olhares tristes e comportamentos estranhos naqueles que amamos, em quem nos importamos ou até em nós mesmos. Seja a vítima criança, adolescente, adulto ou idoso, de qualquer gênero, posição social ou personalidade, a saúde mental é fundamental, e nem sempre é levada em conta.

Não tenha medo de denunciar e fazer um B.O. (Boletim de Ocorrência) em uma delegacia – se for mulher, é melhor que esta seja especializada no atendimento ao público feminino. Ou, ao menos, disque para relatar os abusos que está sofrendo, fale com quem pode ajudar: para violência contra a mulher, disque 180; para ajuda psicológica, inclusive a potenciais suicidas, 188; 100, para violações de Direitos Humanos de qualquer ente humano, incluindo LGBTs, mulheres, crianças, xenofobia, racismo e outros preconceitos, e, claro, agressões.

Mais uma vez: procure ajuda profissional e jurídica se for necessário, não minimize seu próprio sofrimento ou o de outras pessoas. Não espere a situação se agravar, não seja cúmplice de crueldade e crime, ou de sua própria autodestruição. Afaste-se de quem ou do que lhe ameaça a integridade física e mental, na medida do possível. Imponha(-se) limites. Procure se curar, todos nós merecemos ser compreendidos, bem-tratados e valorizados.

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