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Minas Gerais apreende 74% mais armas que São Paulo e vê avanço de arsenal mais letal entre facções

Relatório do Instituto Sou da Paz revela explosão de pistolas 9 mm, armas novas desviadas do mercado legal e queda na atuação das polícias estaduais

Minas Gerais se tornou, nos últimos anos, o estado do Sudeste que mais apreende armas ilegais, superando inclusive São Paulo — base histórica do Primeiro Comando da Capital (PCC) — e o Rio de Janeiro, reduto do Comando Vermelho (CV). A constatação é do relatório Arsenal do Crime: Análise do perfil das armas apreendidas no Sudeste (2018-2023), divulgado nesta segunda-feira (8/12) pelo Instituto Sou da Paz.

Segundo os dados, Minas reteve 119.212 armas de fogo em cinco anos, volume 74% superior ao de São Paulo (68.204). Em seguida aparece o Rio de Janeiro (45.897) e, por último, o Espírito Santo (22.625).

Apesar disso, o estudo aponta uma mudança preocupante: as armas apreendidas no estado estão mais novas, mais potentes e mais letais.


Pistolas superam espingardas e perfil tradicional mineiro desaparece

Por décadas, o arsenal apreendido em Minas era dominado por espingardas, garruchas e armas artesanais — reflexo de um estado com forte interior rural. Mas isso mudou rapidamente.

A partir de 2022, as pistolas semiautomáticas passaram a superar as espingardas e se consolidaram como as armas mais apreendidas no estado.

A pistola calibre 9×19 mm, liberada para civis em 2019 e proibida novamente quatro anos depois, tornou-se a mais vendida do país — e, por consequência, uma das mais desviadas para o crime.

Em Minas, 45,5% das pistolas apreendidas em 2023 eram desse calibre.

“É um calibre com 40% a mais de dano ao corpo humano, capaz de atravessar o alvo e ferir outra pessoa”, explica Rafael Rocha, coordenador do Sou da Paz.

Armas muito novas acendem alerta de desvio do mercado legal

O estudo mostra que o número de armas fabricadas há dois anos ou menos apreendidas em Minas saltou de 83 para 880 entre 2018 e 2023 — um aumento de mais de 1.000%.

Para especialistas, quando armas recém-saídas da fábrica aparecem no crime em grande volume, a hipótese mais provável é o desvio direto do mercado legal, seja na fábrica ou no comércio.

Essa modernização armamentista fortalece o poder bélico de facções e grupos criminosos.


PCC e Comando Vermelho avançam em Minas

O levantamento dialoga com outro dado preocupante: o aumento da presença de facções nacionais no sistema prisional mineiro.

Entre 2019 e 2024, o número de integrantes de PCC e CV em presídios de Minas cresceu 55,2%, passando de 1.900 para 2.950, segundo dados da ALMG.

Em Belo Horizonte, casos recentes já refletem o uso desse arsenal moderno:
na chacina ocorrida durante uma “confraternização do crime” no Barreiro, na última quinta-feira (4/12), foram apreendidos dois fuzis e uma pistola 9 mm com os atiradores.


Queda nas apreensões estaduais intriga especialistas

Mesmo liderando os números absolutos, Minas mostra uma tendência negativa desde 2020. A média mensal de armas apreendidas por Polícia Militar e Polícia Civil caiu 32,6%, de 1.887 para 1.270.

A exceção é a Polícia Federal, que quase triplicou as apreensões em 2023.

Para Rafael Rocha, é improvável que essa redução ocorra por diminuição real na circulação de armas:

“Nenhum outro estado teve queda assim. A hipótese é mudança de prioridade, negligência ou alteração de metodologia nas polícias estaduais.”

A queda ocorre apesar de outro dado alarmante: em 2024, segundo o Ministério da Justiça, Minas foi o terceiro estado com maior alta de homicídios dolosos, com crescimento de 7,38%.


Cenário desafia políticas públicas

O relatório conclui que:

  • O arsenal criminoso em Minas é cada vez mais moderno, letal e difícil de combater;
  • A flexibilização das armas entre 2019 e 2022 favoreceu desvios para o crime organizado;
  • Facções nacionais estão expandindo território e influência no estado;
  • A atuação das polícias estaduais precisa ser analisada com atenção, diante da queda nas apreensões.

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