O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vive o momento mais delicado de sua trajetória no Palácio do Planalto. Em seu terceiro mandato, Lula enfrenta sua pior taxa de desaprovação: 56%, segundo a mais recente pesquisa da Quaest, divulgada em 2 de abril. A insatisfação crescente tem como pano de fundo um tema que há décadas decide rumos eleitorais: a economia.
A célebre frase “É a economia, estúpido” — popularizada durante a campanha de Bill Clinton à presidência dos EUA, em 1992 — resume bem o cenário atual do governo petista. Apesar dos esforços do Planalto para apresentar uma pauta econômica positiva, a percepção da população é de deterioração nas condições de vida.
Embora o governo destaque avanços, como o crescimento do PIB em 2023 e 2024, a geração de empregos e o aumento real do salário mínimo, esses dados parecem não ecoar no cotidiano dos brasileiros. Segundo o levantamento da Quaest, 56% da população acredita que a economia piorou nos últimos 12 meses. Os vilões são conhecidos: alta no preço dos alimentos, combustíveis, energia e água.
A inflação fechou 2024 em 4,83%, dentro da meta, mas os alimentos pesaram mais no bolso: 7,69% de alta no acumulado do ano. Produtos como café e carne subiram quase 40% e 21%, respectivamente. A valorização do dólar (27,35% em 2024) também encareceu insumos importados, refletindo diretamente na inflação doméstica.
O levantamento revela ainda que 81% dos brasileiros sentem perda no poder de compra. Mais da metade (53%) considera que está mais difícil conseguir emprego. E as medidas anunciadas pelo governo, como isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil e crédito consignado com FGTS como garantia, devem atingir apenas 26% da população, de acordo com a própria pesquisa.
💬 O ministro da Comunicação Social, Paulo Pimenta, reconheceu que o desafio é coletivo dentro do governo: “Todos os ministérios têm responsabilidade sobre a impopularidade. O momento exige mais ação, mais entrega e mais diálogo com o povo”.
O Planalto tenta reagir e promete intensificar agendas e entregas para reverter a tendência. Mas o tempo corre. Com as eleições municipais se aproximando, Lula precisa não apenas melhorar os números econômicos — mas, sobretudo, a percepção deles entre os brasileiros.
O recado das ruas é claro: o brasileiro quer sentir a melhora no bolso. E, como mostrou a história política recente, isso pode ser decisivo para o futuro do governo.
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