A educação pública de Belo Horizonte vive uma de suas mais graves crises nos últimos anos. A greve dos professores da rede municipal, iniciada em 6 de junho, já compromete o funcionamento de 310 das 324 escolas públicas da capital mineira, segundo levantamento da Secretaria Municipal de Educação.
Até esta quarta-feira (11), 48 escolas estavam totalmente fechadas e 262 operavam de forma parcial. Apenas 14 unidades funcionam normalmente, o que representa menos de 5% da rede.
A paralisação foi convocada pelo Sind-Rede/BH, sindicato que representa os trabalhadores da educação, após a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) anunciar um reajuste salarial de 2,49% — percentual baseado na inflação acumulada entre janeiro e abril. A proposta foi amplamente rejeitada pela categoria, que cobra valorização profissional real e reposição de perdas históricas.
📍 Ato no Centro fecha Afonso Pena
Nesta quarta-feira, educadores realizaram uma passeata no Centro de Belo Horizonte, bloqueando a Avenida Afonso Pena, na altura da Praça Sete de Setembro. O ato contou com faixas, palavras de ordem e críticas à gestão do prefeito Fuad Noman (PSD).
“Esse percentual não cobre nem o básico. Nossos salários estão defasados há anos. Educação é prioridade só no discurso, não na prática”, afirmou uma professora da rede durante o protesto.
💬 O que diz a Prefeitura?
O secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão, Bruno Passeli, justificou o reajuste:
“No ano passado, concedemos 8% de aumento, acima da inflação. Agora, com a nova data-base em maio, reajustamos pela inflação acumulada até abril, que foi de 2,49%.”
Passeli afirmou ainda que o reajuste será retroativo a maio, e que a PBH está limitada pelas normas da Lei de Responsabilidade Fiscal. No entanto, representantes do Sind-Rede contestam os argumentos, afirmando que o reajuste é “incompatível com o custo de vida da capital mineira”.
📆 Greve sem prazo para acabar
A paralisação continua por tempo indeterminado. A próxima assembleia da categoria está marcada para a próxima terça-feira (17), quando será reavaliada a continuidade da greve.
👨👩👧👦 Estudantes e famílias penalizados
Enquanto o impasse persiste, milhares de alunos seguem sem aulas regulares. Muitas famílias relatam preocupação com prejuízos no calendário escolar e com a falta de merenda, fundamental para estudantes de baixa renda.
“Minha filha tem só oito anos. Sem aula e sem merenda, fica em casa o dia todo. Eu não tenho com quem deixar”, desabafa Carla Ferreira, mãe de aluna da Escola Municipal Hilda Rabello.
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