Socorro em segundos
O cabo Lucas Costa Neto, do 23º Batalhão da PM, esperava o elevador de um prédio no bairro Bom Pastor, em Divinópolis (MG), quando se deparou com duas mulheres em pânico na última sexta-feira (1.º). Nos braços de uma delas, uma bebê de quatro meses já apresentava cianose (rosto arroxeado) e sinais de asfixia.
Treinado em primeiros-socorros, o militar executou imediatamente a sequência de cinco tapas interescapulares seguidos de cinco compressões torácicas (manobra recomendada para lactentes). Em poucos segundos, as vias aéreas foram desobstruídas e a menina voltou a respirar normalmente — só então ele soube que a criança era filha de um colega de farda. O caso só foi divulgado pela corporação nesta segunda (4) e viralizou nas redes.
Série de salvamentos na PM
O salvamento em Divinópolis veio à tona um dia depois de outro episódio: em Raposos, na Grande BH, um sargento e um soldado salvaram uma menina de dois anos que já estava cinco minutos sem respirar. A repetição de casos reacendeu o debate sobre a necessidade de popularizar o treinamento de desengasgo entre pais, cuidadores e porteiros de prédios.
Panorama nacional do engasgo infantil
- Em 2024, apenas o Samu do Paraná registrou 1.571 atendimentos por engasgo; 422 envolveram bebês de até um ano.
- Segundo o Ministério da Saúde, 94 % das mortes por asfixia/engasgo ocorrem em crianças menores de sete anos.
Especialistas alertam que pequenas peças de brinquedos, leite regurgitado e alimentos “finger food” são os principais vilões nessa faixa etária.
Como agir — passo a passo oficial
O protocolo de manobra de desengasgo para lactentes (até 1 ano), divulgado por Secretarias de Saúde estaduais, recomenda:
- Posição – coloque o bebê de bruços sobre o antebraço, cabeça mais baixa que o tronco.
- Cinco tapas firmes entre as escápulas.
- Vire o bebê de barriga para cima, ainda apoiado no braço.
- Cinco compressões com dois dedos no centro do peito (osso esterno).
- Reavaliar a via aérea e repetir o ciclo até a chegada ao serviço de emergência se necessário.
Nunca tente retirar o objeto “às cegas” com os dedos: isso pode empurrá-lo ainda mais.
Voz dos especialistas
O tenente-coronel Francisco Alvarenga, instrutor de APH Tático da PMMG, lembra que “a maior arma contra o engasgo é o tempo”: cada minuto sem oxigenação plena aumenta o risco de dano neurológico permanente. Ele defende a inclusão de módulos obrigatórios de primeiros-socorros em escolas e creches, conforme prevê a “Lei Lucas” (13.722/2018).
A pediatra Dra. Ana Clara Duarte, do Hospital João XXIII, reforça que “bebês devem ser alimentados sempre em posição semi-sentada” e que “almofadas ou bonecos no berço elevam o risco de sufocação”.
Serviço — onde aprender
- SAMU 192 – oferece oficinas gratuitas de primeiros-socorros em várias cidades.
- Corpo de Bombeiros de MG – agenda curso de desengasgo e RCP infantil para condomínios via 193.
- ONG Primeiros Socorros Kids – cartilhas e vídeos didáticos online.
Por que importa
Com quase dois atendimentos de engasgo por dia só no Samu paranaense em 2024, a rápida ação de pessoas treinadas faz a diferença entre a vida e a morte. A história do cabo Lucas mostra que conhecimento salva — e pode estar no elevador do seu prédio.
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