Após semanas de denúncias internacionais sobre a intensificação da fome em massa na Faixa de Gaza, dezenas de caminhões carregados com alimentos voltaram a entrar no território a partir do Egito, graças a uma pausa humanitária decretada por Israel desde o último sábado (26). No entanto, relatos apontam que parte significativa dessa ajuda tem sido saqueada por membros armados do Hamas, o que impede o pleno atendimento da população civil e agrava a crise humanitária no enclave.
A pausa humanitária, que ocorre diariamente das 10h às 20h (horário local), visa permitir a entrada e a distribuição de mantimentos e medicamentos nas regiões mais afetadas de Gaza — incluindo Al-Mawasi, Deir al-Balah e a Cidade de Gaza. Caminhões com identificação da Cruz Vermelha e de outras entidades humanitárias foram vistos cruzando a passagem de Rafah, no sul da Faixa de Gaza.
Segundo a ONU e a Cruz Vermelha egípcia, cerca de 135 caminhões com 1.500 toneladas de alimentos e suprimentos de higiene foram enviados no último domingo (27). Parte da carga, no entanto, foi desviada para armazéns controlados pelo Hamas, grupo classificado como terrorista por Estados Unidos, Israel e União Europeia.
Em resposta às denúncias, Israel tem defendido o controle rigoroso sobre a entrada e a distribuição de ajuda, alegando que a ONU e outras ONGs falharam em impedir que a assistência caísse nas mãos do Hamas. Já o secretário-geral da ONU, António Guterres, descreveu a situação como um “show de horrores”, responsabilizando as forças israelenses por impedir que agências humanitárias atuem com liberdade em Gaza.
Situação crítica
Desde o início da guerra, em 7 de outubro de 2023 — após o ataque do Hamas que matou 1.200 israelenses e levou 251 reféns —, a retaliação israelense já causou a morte de cerca de 60 mil palestinos, segundo autoridades locais e dados da ONU. Centenas de milhares de pessoas foram deslocadas, e áreas inteiras de Gaza foram reduzidas a escombros.
A ONU estima que quase um terço da população de Gaza passa dias sem comer, enquanto 127 pessoas morreram por desnutrição, incluindo 85 crianças. Um vídeo recente da agência Reuters mostrou o resgate de crianças em estado de desnutrição severa em hospitais de Khan Younis.
Tensão internacional
A comunidade internacional pressiona Israel a ampliar o acesso à ajuda humanitária, enquanto cresce o clamor por um cessar-fogo. Por outro lado, o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou que o país manterá a ofensiva até a “vitória total sobre o Hamas”.
A ONU, por meio de seu chefe humanitário Tom Fletcher, afirmou que intensificará a atuação em campo durante as pausas nos combates. “Nossas equipes farão tudo que for possível para alimentar os famintos nesse intervalo de tempo”, declarou.
Reféns e violações
Enquanto isso, os reféns israelenses ainda mantidos pelo Hamas permanecem sem visitas da Cruz Vermelha e em condições críticas, segundo informações de fontes ligadas ao governo de Israel. As denúncias apontam para tortura, privação de alimento e tratamento desumano.
A retomada dos comboios humanitários representa um alívio temporário, mas a crise permanece longe de uma solução definitiva, com o impasse nas negociações de cessar-fogo mediadas por Catar e Egito em Doha.
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