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Policiais civis de Minas protestam contra Zema e denunciam colapso na segurança pública: “Nada a comemorar no Dia do Servidor”

Categoria cobra recomposição salarial, melhores condições de trabalho e acusa o governo de fragilizar o combate ao crime organizado.

Nesta terça-feira (28/10), Dia do Servidor Público, a Praça da Assembleia Legislativa, em Belo Horizonte, foi palco de uma grande manifestação organizada pelos policiais civis de Minas Gerais. O ato, promovido pelo Sindicato dos Servidores da Polícia Civil (Sindpol/MG), denunciou o que a categoria classifica como o “pior momento da corporação nas últimas décadas”, marcado por defasagem salarial de quase 50%, falta de efetivo e sucateamento da estrutura investigativa.

De acordo com o presidente do Sindpol, Wemerson Oliveira, o governador Romeu Zema (Novo) “deixou de investir na Polícia Civil e, com isso, colocou em risco a segurança pública do Estado”.

“Hoje, dia do servidor público, infelizmente não temos nada para comemorar. Temos defasagem salarial de quase 50%, defasagem de pessoal acima de 40% e falta de estrutura. Isso prejudica diretamente a prestação de serviço à população mineira”, afirmou Wemerson Oliveira, presidente do Sindpol-MG.

Crítica à política de segurança e ao avanço de facções

O sindicalista responsabilizou o governo pela expansão de facções criminosas em território mineiro.

“Facções como Comando Vermelho, PCC e TCP estão invadindo Minas Gerais. Isso nunca aconteceu antes. E o governador tem deixado isso ocorrer por falta de investimento na polícia que faz investigação criminal. O crime se combate também com inteligência e investigação, não apenas com prevenção.”

Segundo ele, a situação é agravada por restrições impostas aos próprios policiais:

“O governo cortou até o acesso aos sistemas de consulta de indivíduos com mandado de prisão. Hoje o policial precisa recorrer ao banco de dados do CNJ, porque o sistema estadual foi bloqueado. Isso é absurdo e a população precisa saber.”

Metas para vale-refeição e denúncias de assédio

Outro ponto criticado é o novo modelo de concessão do auxílio-alimentação, condicionado ao cumprimento de metas.

“É um absurdo condicionar o que o servidor vai comer à meta que ele bater. Isso pode virar instrumento de pressão e assédio, já que as metas são definidas por um órgão que nem pertence às forças de segurança”, disse o presidente do sindicato.

Defasagem histórica e promessas descumpridas

O representante da categoria também detalhou a origem do déficit salarial.

“Em 2019, Zema prometeu recompor perdas inflacionárias em três parcelas — 13%, 12% e 12%. Pagou apenas a primeira. Depois, foram mais duas recomposições de 10,06% e 4,62%. O resultado é que já acumulamos quase 50% de defasagem”, afirmou Oliveira.

Ele destacou ainda a disparidade de tratamento entre as forças de segurança:

“Enquanto outras corporações tiveram benefícios, como escolas e redução de contribuição previdenciária, a Polícia Civil continua sem valorização. Temos o quarto pior salário do país e apenas um colégio para filhos de servidores, sem ar-condicionado, por decisão do governador.”

Falta de efetivo e impacto nas investigações

O déficit de pessoal é outro ponto considerado crítico.

“Em 2008, era previsto o efetivo de 17,5 mil policiais civis. Hoje temos menos de 10 mil, sendo apenas 6 mil investigadores para 853 municípios. É impossível garantir investigação de qualidade nessas condições”, alertou.

Segundo ele, o quadro desestimula novos ingressos na carreira:

“Os concurseiros até entram, mas não ficam. Falta estrutura, o salário é baixo e o risco é alto. Muitos acabam desistindo da profissão.”

Reforço do interior e fronteiras vulneráveis

O movimento também contou com representantes do interior, incluindo o assessor Zeferino Luiz Santos, do Triângulo Mineiro.

“Viemos de longe para fortalecer essa luta. O governo só aumenta o índice de desvalorização e a gente perde cada vez mais”, afirmou.

Zeferino destacou ainda a importância estratégica da região:

“O Triângulo é a porta de entrada de drogas e armas para Minas. Se reforçar a segurança ali, dificulta o trabalho das facções. Mas, sem estrutura e sem motivação, o policiamento fica fragilizado.”

Pressão sobre o governo

A manifestação ocorre em meio à ameaça de paralisação das atividades da Polícia Civil caso não haja avanço nas negociações salariais. O clima é de tensão.

“Esse é talvez o momento mais crítico da corporação nos últimos anos. A categoria não aguenta mais descaso”, resumiu um dos representantes durante o ato.

O governo de Minas ainda não se pronunciou sobre as reivindicações.

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