A escalada do conflito no Oriente Médio e o risco de interrupção no fornecimento global de petróleo levaram o governo federal a adotar medidas emergenciais para evitar alta expressiva no preço do diesel no Brasil. A iniciativa foi considerada necessária pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), mas a entidade alerta para desafios fiscais e estruturais no longo prazo.
As medidas foram anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira (12). Entre as decisões está a redução a zero das alíquotas de PIS e Cofins sobre a importação e comercialização do diesel, além da criação de uma subvenção temporária para produtores e importadores do combustível.
Segundo o Ministério da Fazenda, o pacote pode reduzir o preço do diesel em até R$ 0,64 por litro. A expectativa é amenizar os efeitos da disparada internacional do petróleo, causada pela guerra envolvendo o Irã, os Estados Unidos e Israel.
De acordo com o governo, o objetivo é impedir que a crise internacional impacte diretamente o bolso dos consumidores e provoque aumento em cadeia na inflação, principalmente no transporte de cargas e nos alimentos.
“Queremos garantir que essa guerra não chegue ao bolso do motorista e do caminhoneiro. Se não chegar ao caminhoneiro, não vai chegar ao preço da comida”, afirmou Lula durante coletiva no Palácio do Planalto.
Indústria vê medida como necessária
Na avaliação da Fiemg, o uso de instrumentos tributários para conter impactos imediatos da crise internacional é compreensível diante da instabilidade do mercado de energia.
Para o presidente da entidade, Flávio Roscoe, a previsibilidade no custo dos combustíveis é fundamental para setores que dependem diretamente do diesel, como transporte e indústria.
“Em um cenário de instabilidade global, é legítimo que o governo utilize instrumentos de política econômica para reduzir impactos abruptos sobre a economia doméstica”, afirmou.
Segundo a federação, aumentos no diesel afetam toda a cadeia produtiva, elevando custos logísticos e pressionando preços de produtos industriais e agrícolas.
Guerra no Oriente Médio pressiona mercado de energia
A tensão internacional aumentou após o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmar que o país manterá o bloqueio do estratégico Estreito de Ormuz.
A região é considerada uma das rotas energéticas mais importantes do planeta. Cerca de 20% a 25% do petróleo comercializado no mundo passa pelo estreito, que conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico.
Nos últimos dias, ataques a embarcações e suspeitas de instalação de minas marítimas no local elevaram a tensão global. Autoridades internacionais estimam que milhões de barris de petróleo estejam retidos na região, o que pressiona os preços do barril no mercado internacional.
Especialistas alertam que uma interrupção prolongada no fluxo de petróleo pelo estreito pode provocar uma crise energética global.
Desafios fiscais no futuro
Apesar de considerar as medidas adequadas no curto prazo, a Fiemg ressalta que o episódio evidencia limitações estruturais da política econômica brasileira.
Segundo Roscoe, atualmente o governo ainda possui instrumentos tributários que permitem reagir rapidamente a choques externos, como a redução de impostos federais sobre combustíveis.
No entanto, com a implementação da reforma tributária sobre o consumo, essa margem de manobra tende a diminuir.
“Isso exigirá do país novos mecanismos para lidar com momentos de forte instabilidade internacional”, afirmou.
Para a entidade, o debate reforça a necessidade de políticas públicas que conciliem estabilidade econômica, segurança no abastecimento e responsabilidade fiscal, fatores considerados essenciais para a competitividade da indústria e o crescimento sustentável da economia brasileira.
Impactos para a economia
Caso o preço do petróleo continue subindo, analistas avaliam que os efeitos podem atingir diretamente setores como transporte rodoviário, agronegócio e indústria, aumentando custos de produção e pressionando a inflação.
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