A uma semana das eleições presidenciais na Venezuela, o presidente Nicolás Maduro voltou a fazer ameaças intensas, sugerindo que uma possível derrota poderia levar o país a um cenário de violência e conflito. Durante um comício em Maturín no sábado (20), Maduro descreveu as próximas eleições como uma escolha entre “paz ou guerra”, afirmando que o futuro da Venezuela está em risco de se tornar um país “convulsionado, violento e cheio de conflitos”.
Ameaças e Declarações de Maduro
Maduro reforçou sua retórica alarmista ao afirmar que, em 28 de julho, a Venezuela enfrentará um destino decisivo que determinará sua estabilidade para os próximos 50 anos. Ele advertiu que a derrota para a oposição poderia resultar em um “banho de sangue” e uma “guerra civil”, caso a direita fascista engane a população. “Se a direita fascista enganar a população na Venezuela, pode haver um banho de sangue e uma guerra civil”, disse Maduro, acusando seus adversários de tentarem privatizar direitos sociais e entregar território nacional.
Negação de Fraude e Popularidade
Em uma tentativa de desqualificar as críticas sobre possíveis fraudes eleitorais, Maduro insistiu que as alegações de fraude são infundadas. “A partir de agora querem alegar fraude. Eles sabem a verdade, a rua sabe a verdade, o povo sabe a verdade. Estamos vencendo e vencendo,” afirmou, desconsiderando pesquisas de opinião que indicam sua iminente derrota. De acordo com o Centro de Estudos Políticos e Governamentais da Universidade Católica Andrés Bello (CEPyG-UCAB) e a empresa Delphos, o candidato opositor Edmundo González Urrutia lidera com 59,1% das intenções de voto, enquanto Maduro tem 24,6%.
Silêncio do Governo Brasileiro e Reações Internacionais
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva rompeu o silêncio sobre as ameaças de Maduro, expressando preocupação e destacando que Maduro precisa aprender a aceitar a derrota. “Eu fiquei assustado com a declaração do Maduro dizendo que, se ele perder as eleições, vai ter um banho de sangue. Quem perde as eleições toma um banho de voto,” disse Lula em entrevista. Ele também reiterou a importância de um processo eleitoral respeitado internacionalmente para restaurar a normalidade na Venezuela.
Enquanto isso, países da América Latina, incluindo Argentina, Costa Rica, Guatemala, Paraguai e Uruguai, exigiram o fim da perseguição e repressão aos opositores venezuelanos. Eles também pediram salvos-condutos para seis refugiados na Embaixada da Argentina em Caracas, incluindo membros da campanha oposicionista de María Corina Machado, cuja candidatura foi desqualificada pelo regime de Maduro.
Medidas de Segurança e Fechamento de Fronteiras
O governo de Maduro anunciou o fechamento das fronteiras da Venezuela a partir da meia-noite de 26 de julho, em preparação para as eleições. Medidas adicionais incluem a suspensão do porte de armas, a proibição do consumo de bebidas alcoólicas e a proibição de objetos pirotécnicos e manifestações públicas. Essas ações visam garantir a ordem durante o período eleitoral.
Contexto de Crise e Perseguição
A crise política e econômica na Venezuela continua a se intensificar sob a administração de Nicolás Maduro, que enfrenta um crescente número de refugiados e uma oposição cada vez mais firme. A eleição de 28 de julho promete ser um momento crucial para o futuro do país, com a comunidade internacional observando atentamente os desenvolvimentos.
A situação permanece tensa enquanto a Venezuela se prepara para um dos eventos eleitorais mais controversos de sua história recente.




