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Crise no Fies: adesão despenca 94% e inadimplência afeta mais de 1 milhão de ex-estudantes no Brasil

O sonho virou dívida: Fies encolhe no Brasil com queda na adesão e inadimplência recorde


O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), criado para facilitar o acesso de jovens brasileiros ao ensino superior privado, vive um de seus momentos mais críticos. Nos últimos 11 anos, o programa perdeu quase toda sua força: o número de novos contratos caiu 94%, passando de 732 mil em 2014 para apenas 43 mil em 2024, segundo o Ministério da Educação (MEC).

Além da drástica queda na adesão, a inadimplência atinge 60% dos contratos que já entraram na fase de amortização. Isso significa que mais de 1,23 milhão de pessoas têm dívidas ativas com o Fies, de um universo de cerca de 2,1 milhões de estudantes que já concluíram os cursos e iniciaram a quitação do financiamento.

Depoimentos de um sistema colapsado

Para muitos, como o bancário Bruno Soares*, de 28 anos, o sonho da graduação virou um pesadelo financeiro. Morador de Ipatinga (MG) e formado em engenharia civil, ele acumula uma dívida de R$ 162 mil e diz não conseguir negociar parcelas compatíveis com sua renda atual.

“Me arrependo todos os dias de ter feito faculdade com o Fies. Tentei renegociar, mas a prestação é incompatível com minha realidade. Não consigo crédito, não consigo financiar um carro. Meu nome está negativado desde 2022”, relata.

Casos como o de Bruno se repetem em todas as regiões do Brasil. Letícia Souza*, arquiteta de Belo Horizonte, enfrenta situação semelhante. Com uma dívida de R$ 45 mil, deixou de pagar na expectativa de conseguir um desconto maior por meio do programa de renegociação “Desenrola Fies”, iniciado em 2023.

“Tomei essa decisão difícil de me tornar inadimplente porque vi colegas conseguirem até 99% de desconto. É frustrante ver quem pagou religiosamente não receber os mesmos benefícios”, lamenta.

O que levou à derrocada do Fies?

Especialistas apontam a reforma do programa em 2017, durante o governo Michel Temer (MDB), como o principal fator da queda. O chamado “Novo Fies” reduziu os percentuais financiados, acabou com a carência para início dos pagamentos e passou a cobrar valores significativos ainda durante o curso — o que desestimulou milhões de estudantes de baixa renda.

“Um curso de medicina, por exemplo, com mensalidade de R$ 10 mil, pode exigir R$ 5 mil mensais de coparticipação do aluno. Isso é insustentável para quem tem renda de três a cinco salários mínimos”, explica Bruno Coimbra, da ABMES.

Impacto do desemprego e da informalidade

O ex-ministro da Educação Renato Janine Ribeiro também associa a crise do Fies à queda de empregabilidade entre os formados e à expansão do empreendedorismo informal.

“A promessa de que o ensino superior garantiria ascensão social não se concretizou para muitos. Além disso, a pejotização afastou jovens da universidade, muitos preferem abrir pequenos negócios ou trabalhar como autônomos”, afirma.

MEC aposta no Fies Social, mas resultados ainda são tímidos

Em fevereiro de 2024, o governo federal lançou o Fies Social, com promessa de financiamento de até 100% da mensalidade para alunos de famílias com renda per capita de até meio salário mínimo, inscritos no CadÚnico. A meta era atender 100 mil estudantes, mas a adesão ficou aquém do esperado.

O ministro da Educação, Camilo Santana, reconhece os desafios e diz que o governo tenta diferenciar inadimplentes por necessidade daqueles que não pagam por má-fé:

“Estamos cruzando dados com Receita Federal e Ministério do Trabalho para entender a real condição de pagamento de cada devedor. Precisamos reorganizar o programa e torná-lo mais justo”, afirmou.

Segundo o FNDE, o “Desenrola Fies” renegociou mais de 387 mil contratos até 2024, injetando R$ 794 milhões aos cofres públicos apenas com os pagamentos iniciais.

Leia mais: Crise no Fies: adesão despenca 94% e inadimplência afeta mais de 1 milhão de ex-estudantes no Brasil

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