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Gerdau anuncia 1.500 demissões e corte de investimentos: “Aço chinês afeta mais que tarifaço de Trump”

A Gerdau, uma das maiores siderúrgicas do país, anunciou nesta sexta-feira (1º/8) que 1.500 funcionários foram desligados em 2025, principalmente nas unidades de Pindamonhangaba e Mogi das Cruzes (SP), e que os investimentos no Brasil serão revistos para o próximo ano.

Segundo o CEO Gustavo Werneck, o principal motivo não é o tarifaço de 50% aplicado por Donald Trump às exportações brasileiras, do qual a Gerdau foi isenta, mas sim a entrada massiva de aço chinês no mercado interno brasileiro “de forma não isonômica e predatória”.

“Não tem sentido continuar investindo no Brasil porque o governo não faz a proteção ideal do mercado. Sempre entrou aço importado, mas queremos competir de forma justa”, afirmou Werneck.

Participação chinesa no mercado quase triplica

Historicamente, o aço importado representava menos de 11% do consumo interno, mas, segundo a empresa, já chega a 30%, sendo a maior parte de origem chinesa. O setor acusa a China de dumping — vender a preços abaixo do custo de produção para conquistar mercados — prática que já levou outros países a adotarem barreiras comerciais.

O executivo demonstrou frustração com a decisão do Comitê Executivo de Gestão da Camex, em 24 de julho, de não elevar as tarifas de importação sobre produtos siderúrgicos chineses, apesar de investigações por concorrência desleal.

Cortes e redirecionamento de investimentos

A Gerdau mantém aportes de R$ 6 bilhões em 2025, sendo dois terços no Brasil, com destaque para projetos de mineração em Minas Gerais. Porém, Werneck deixou claro que investimentos futuros no país dependem de ações efetivas do governo contra a concorrência desleal.

“Nos Estados Unidos, investimentos serão mantidos, pois lá há ambiente para negócios”, ressaltou.

Segundo o vice-presidente executivo de finanças, Rafael Japur, cerca de 40% do aço produzido no Brasil é destinado à construção civil, que segue aquecida. Já setores como automotivo e de máquinas e equipamentos sentem os impactos do tarifaço norte-americano, o que pode reduzir indiretamente a demanda por aço brasileiro.

Resultados financeiros

No segundo trimestre de 2025, a Gerdau registrou lucro líquido de R$ 864 milhões, alta de 14% frente ao trimestre anterior, mas queda de 8,6% na comparação anual. A receita líquida somou R$ 17,5 bilhões, crescimento de 5,5% em relação ao mesmo período de 2024.


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