Nesta quarta-feira (10), a França foi palco de uma forte mobilização civil com greves, bloqueios e confrontos em diversas regiões. A iniciativa, chamada de “Bloquons tout” (“Bloqueemos tudo”), foi uma resposta aos cortes orçamentários propostos pelo governo e à recente queda do primeiro-ministro François Bayrou. Cerca de 300 pessoas foram detidas em todo o país, sendo cerca de 200 somente em Paris, conforme informou o ministro do Interior, Bruno Retailleau.
Os protestos ocorreram em grandes centros urbanos — como Paris, Lyon, Nantes e Toulouse — com bloqueios de estradas, paralisação de transportes, queima de lixeiras e barricadas improvisadas.
A mobilização, embora disseminada online e originada por grupos da direita, recebeu apoio da esquerda radical, sindicatos, estudantes e movimentos ambientais, se institucionalizando como expressão de insatisfação ampla com as reformas.
O governo mobilizou 80 mil policiais e gendarmes em todo o país — com cerca de 6 mil apenas na capital.
Em Paris e outras cidades, houve confrontos com uso de gás lacrimogêneo; em Rennes, por exemplo, houve incêndio em ônibus; em Toulouse, fogo em cabos elétricos interrompeu o tráfego ferroviário.
Diante da intensidade dos protestos, o Ministro do Interior advertiu para a iminência de “tolerância zero” e classificou as manifestações como “capturadas por radicais ultrassistas”, distanciando-as de uma guinada popular.
O movimento ocorreu no dia em que Sébastien Lecornu foi nomeado primeiro-ministro após a queda de François Bayrou por derrota em voto de confiança. A instabilidade política ampliou a sensação de crise.
É o maior protesto desde a era dos “coletes amarelos” (Gilets Jaunes), agora protagonizado por uma base mais jovem e engajada com questões sociais e ambientais.
Analistas alertam que a crise pode fortalecer o avanço da extrema-direita — que já soma 33% nas intenções de voto — e agravar a fragmentação política antes das eleições de 2027.
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