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Senado derruba resolução sobre aborto legal para menores vítimas de estupro e reacende debate no Congresso

Texto aprovado susta norma do Conanda que orientava atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual; medida segue para promulgação

O Senado Federal aprovou nesta terça-feira (2) um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que revoga integralmente a Resolução nº 258/2024 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), norma que estabelecia diretrizes para o atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, incluindo casos de aborto legal previstos na legislação brasileira. A proposta já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados e agora segue para promulgação.

A votação ocorreu após parecer favorável da senadora Damares Alves, relatora da matéria no Senado. Os defensores da medida argumentam que o Conanda extrapolou suas atribuições ao regulamentar temas que deveriam ser tratados por lei aprovada pelo Congresso Nacional.

O que previa a resolução do Conanda

Editada em 2024, a resolução buscava padronizar o atendimento prestado por profissionais da saúde, assistência social, segurança pública e órgãos de proteção à infância em casos de violência sexual contra crianças e adolescentes. Entre as diretrizes estavam protocolos de acolhimento humanizado, sigilo das informações, escuta especializada para evitar revitimização e garantia dos direitos já previstos na legislação brasileira.

O texto também orientava procedimentos relacionados ao acesso ao aborto legal nos casos permitidos pela legislação brasileira, como gravidez resultante de estupro, risco à vida da gestante e anencefalia fetal. A norma reforçava que o atendimento deveria ocorrer sem obstáculos indevidos e com prioridade à proteção da vítima.

Argumentos de quem apoiou a derrubada

Parlamentares favoráveis ao PDL afirmam que o Conanda ultrapassou sua função de formular diretrizes e acabou tratando de temas que exigiriam discussão legislativa.

A senadora Damares Alves sustentou que pontos da resolução relacionados à participação dos responsáveis legais, à objeção de consciência de profissionais de saúde e aos procedimentos para interrupção da gravidez deveriam ser debatidos pelo Congresso.

Entre os questionamentos apresentados pelos defensores da suspensão está a previsão de procedimentos sem a participação dos responsáveis em determinadas situações, especialmente quando houver suspeita de violência dentro do ambiente familiar.

Críticas à decisão

Entidades ligadas à defesa dos direitos das mulheres, da infância e da adolescência criticaram a derrubada da resolução.

Segundo especialistas ouvidos pela imprensa, a norma tinha como objetivo organizar o fluxo de atendimento entre saúde, assistência social, Ministério Público, Defensoria Pública e órgãos de proteção, reduzindo burocracias e garantindo maior segurança jurídica aos profissionais que atendem vítimas de violência sexual.

Os críticos da revogação argumentam que a medida pode aumentar obstáculos enfrentados por meninas vítimas de estupro para acessar direitos já previstos na legislação brasileira, especialmente em casos que exigem atendimento rápido e especializado.

O que muda na prática

A decisão do Senado não altera as hipóteses legais de aborto previstas no Brasil. O procedimento continua autorizado quando a gravidez resulta de estupro, quando há risco à vida da gestante e em casos de anencefalia fetal.

O que deixa de valer são as diretrizes administrativas estabelecidas pelo Conanda para orientar o atendimento e a articulação entre os órgãos responsáveis pela proteção de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.

Tema deve continuar em debate

A decisão aprofunda um dos debates mais sensíveis do Congresso Nacional e ocorre em meio a uma série de discussões sobre aborto legal, direitos reprodutivos e proteção de crianças vítimas de violência sexual.

Com a promulgação do decreto legislativo, a Resolução 258/2024 será oficialmente sustada. Ainda assim, especialistas avaliam que a discussão sobre protocolos de atendimento e proteção de menores vítimas de estupro deverá continuar nos próximos meses tanto no Legislativo quanto no Judiciário.

Leia mais: Senado derruba resolução sobre aborto legal para menores vítimas de estupro e reacende debate no Congresso

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