21.6 C
Belo Horizonte
InícioBrasil & MundoSTF dá prazo para Câmara explicar tramitação da “PEC da Blindagem”

STF dá prazo para Câmara explicar tramitação da “PEC da Blindagem”

Em despacho proferido no dia 18 de setembro de 2025, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli estipulou prazo de dez dias para que a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados preste esclarecimentos sobre a tramitação da chamada PEC da Blindagem (PEC 3/2021). A intimação se deu após o deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil-SP) impetrar um mandado de segurança pedindo a suspensão da proposta.


O que prevê a PEC da Blindagem

A proposta aprovada na Câmara em 16 e 17 de setembro altera dispositivos constitucionais com objetivo de garantir proteções legais mais amplas aos parlamentares. Alguns dos pontos principais:

Autorização do Legislativo para abertura de ação penal: Deputados e senadores só poderão ser investigados penalmente mediante autorização da respectiva Casa (Câmara ou Senado). A PEC fixa prazo de até 90 dias para que o Congresso delibere este pedido.

Foro especial (foro privilegiado): Estende-se o foro no STF para presidentes nacionais de partidos com representação no Congresso.

Prisão de parlamentares: Restringe prisões em flagrante, permitindo-as apenas em casos de crimes inafiançáveis, com comunicação imediata à Casa Legislativa. A própria Casa deve decidir, em votação (dependendo da hipótese secreta ou aberta, conforme texto), se a prisão será mantida.

Voto secreto: Foi reinserida via emenda aglutinativa a previsão de que algumas votações — como autorização para prisões ou abertura de processos — sejam feitas em votação secreta.


Os argumentos contrários e os questionamentos

O texto não é unânime e já enfrenta críticas de parlamentares, entidades de controle, organizações da sociedade civil e especialistas em direito constitucional. Aqui estão os principais pontos de contestação:

Tramitação regimental: Kim Kataguiri contesta que houve uso de emenda aglutinativa — instrumento não previsto para PECs no Regimento da Câmara — para restaurar o voto secreto, depois de este ter sido rejeitado nos destaques.

Quebra do interstício: O regimento exige intervalo mínimo de cinco sessões entre o primeiro e o segundo turno de votação de PEC; esse prazo não teria sido respeitado, segundo críticos, o que teria prejudicado o debate público.

Amplo debate democrático: Por conta da rapidez da tramitação, críticos afirmam que a sociedade civil não teve tempo para participação ou para avaliar o impacto do texto.

Risco de impunidade: Especialistas apontam que a exigência de autorização legislativa, voto secreto e foro ampliado pode dificultar investigações, criar obstáculos para responsabilização de parlamentares por corrupção ou mau uso de verba pública, inclusive das emendas parlamentares.


A decisão do STF e próximos passos

Para o mandado de segurança de Kataguiri, Toffoli determinou que a Câmara se manifeste em até dez dias sobre as alegações quanto à tramitação da PEC. Toffoli também é relator de outro mandado de segurança, impetrado por Lindbergh Farias (líder do PT), com pedido semelhante de suspensão da tramitação da proposta. Após a resposta da Câmara, o STF poderá decidir sobre liminares que suspendam total ou parcialmente a eficácia da tramitação da PEC enquanto se analisa seu mérito. A PEC agora seguirá para o Senado Federal, onde deverá também ser votada em dois turnos, cada um com quórum qualificado de 3/5 dos senadores (49 de 81) para aprovação, caso não haja obstáculos judiciais prévios.


Implicações políticas e debates

Políticos do Centrão têm sido apontados como principais defensores da proposta, sob argumento de necessidade de proteção institucional e autonomia do Legislativo. Parlamentares contrários — de partidos como Novo, PSB, PSOL e outros — denunciam que a PEC representa retrocesso democrático e fragiliza o controle social e institucional. Organizações que atuam no combate à corrupção alertam para o risco de limitação de investigações, especialmente relacionadas a emendas parlamentares, por conta de menor transparência nos processos de autorização legislativa.

Leia mais: STF dá prazo para Câmara explicar tramitação da “PEC da Blindagem”

Acidente Assassinato Belo Horizonte Betim BR-040 BR-251 BR-262 BR-365 BR-381 Contagem Corpo de Bombeiros Crime Cruzeiro Divinópolis Governador Valadares Grande BH Ibirité Ipatinga Itabira João Monlevade Juiz de Fora Lula Minas Gerais Montes Claros Nova Lima Patos de Minas Polícia Civil Polícia Federal Polícia Militar Polícia Militar Rodoviária Polícia Rodoviária Federal Pouso Alegre Previsão do Tempo Ribeirão das Neves Sabará Samu Santa Luzia Sete Lagoas Triângulo Mineiro Tráfico Uberaba Uberlândia Vale do Rio Doce Vespasiano Zona da Mata mineira

RELACIONADOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui