Florianópolis — Com quase três décadas de carreira no Judiciário catarinense, o juiz e professor Alexandre Morais da Rosa assumiu, em 27 de novembro de 2025, o cargo de desembargador no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC), tornando-se — de acordo com relatos da própria corte — o primeiro desembargador brasileiro público diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A posse representa um marco institucional, simbolizando não só o reconhecimento de uma carreira, mas também um passo importante na visibilidade da neurodiversidade no Brasil.
30 anos de magistratura e trajetória multifacetada
Com 27 anos de atuação como magistrado em comarcas de diversas regiões de Santa Catarina — como São José, Imbituba, Criciúma, Balneário Camboriú, Itajaí, Joinville e outras — Alexandre construiu uma carreira sólida e diversificada. Conforme consta no histórico disponível, ele também exerceu funções de destaque: já foi juiz auxiliar da Presidência do TJ-SC e atuou como juiz instrutor no Supremo Tribunal Federal (STF), em gabinete de ministro da Corte.
Além do ofício como magistrado, Alexandre é professor universitário e autor de várias obras jurídicas, com contribuições reconhecidas nas áreas de hermenêutica, processo penal, direito penal e garantismo. Sua produção acadêmica e formação robusta reforçam que sua nomeação se baseia em meritocracia e competência.
Diagnóstico tardio e quebra de estigmas sobre autismo adulto
O que torna a posse ainda mais significativa é o diagnóstico de TEA nível 1 — autismo leve — que ele recebeu em 2021, aos 47 anos. Até então, a condição não era pública, o que evidencia um contexto comum entre autistas adultos cuja neurodivergência só se torna visível ou compreendida tardiamente.
Em entrevistas anteriores a veículos de imprensa, Alexandre relatou que o diagnóstico lhe trouxe clareza sobre padrões cognitivos e sensoriais que sempre existiram, mas eram difíceis de nomear. Ele explicou que passou a adotar ajustes em sua rotina profissional e pessoal, o que, segundo ele, melhorou seu bem-estar, a produtividade e trouxe mais equilíbrio emocional.
Como gesto simbólico de visibilidade e de reforço do debate sobre inclusão, o desembargador passou a usar o cordão internacional que representa deficiência não aparente — o girassol — em cerimônias e sessões oficiais. O ato não visa autopromoção, mas sim despertar consciência pública sobre a presença de pessoas neurodivergentes em cargos de alta responsabilidade.
Marco de inclusão e importância institucional do caso
Especialistas em neurodiversidade e defensores da inclusão apontam a nomeação de Alexandre como um “antes e depois” no Judiciário nacional. Tradicionalmente, o autismo adulto, especialmente em cargos públicos de alto nível, permanece invisível — o que favorece estigmas e limitações à participação de pessoas neuroatípicas em espaços de poder.
A ascensão de Alexandre ao cargo de desembargador demonstra que TEA não é obstáculo para o exercício de funções técnicas, complexas e de elevada responsabilidade. Isso reforça que competência, rigor e compromisso institucional não dependem da neurotipicidade, mas da formação, da experiência e da dedicação.
Além disso, a nomeação pode estimular instituições públicas e privadas a rever políticas de acolhimento, adaptação de ambiente de trabalho e acessibilidade para pessoas com deficiências invisíveis — reconhecendo-as como parte da diversidade funcional presente na sociedade.
Visibilidade do autismo adulto e impacto social
Ao tornar pública sua condição, Alexandre contribui para ampliar o debate sobre autismo adulto e diagnóstico tardio. Muitas pessoas só recebem o laudo já na idade adulta, após anos de esforço para se adaptar a normas sociais e laborais pensadas para neurotípicos. Seu exemplo evidencia que talentos e vocações podem estar ocultos — e devem ser valorizados.
Em um momento em que temas como neurodiversidade, saúde mental e inclusão ganham cada vez mais espaço no Brasil, a posse de um desembargador autista pode inspirar outras instituições a promover o reconhecimento da pluralidade humana.
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