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Deputados e ambientalistas pressionam por CPI para apurar irregularidades no licenciamento ambiental após operação Rejeito

Após operação Rejeito, opositores exigem CPI para investigar corrupção no licenciamento ambiental em Minas


Em audiência pública realizada nesta quinta-feira (25/9), na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputados da oposição e lideranças ambientalistas reforçaram a cobrança pela instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias de corrupção nos órgãos ambientais estaduais, sobretudo ligadas à operação Rejeito da Polícia Federal (PF). O requerimento ao debate foi assinado por 16 parlamentares oposicionistas.

Esquema, prisões e danos apurados pela PF

A operação Rejeito, deflagrada pela PF, mirou um suposto esquema que envolvia fraudes em licenças ambientais para mineração, com atuação especialmente em áreas tombadas, como a Serra do Curral, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

Segundo as investigações, um conglomerado formado por mais de 40 empresas estaria envolvido em práticas de corrupção: pagamento de propina, manipulação de processos e uso de informações privilegiadas para obtenção de licenciamento ambiental irregular. Empresários, lobistas e servidores públicos de alto escalão nos órgãos estaduais (Sisema / Semad) e federais (ANM) foram presos.

Os valores envolvidos no esquema são expressivos: a PF apontou movimentações de pelo menos R$ 1,5 bilhão em recursos ilícitos, além de projetos sob controle da organização que somam mais de R$ 18 bilhões em investimentos minerais.

Há ainda outra dimensão: há relatos de envolvimento de servidores de órgãos ambientais estaduais em Minas Gerais sob suspeita de participação, o que reforça a tese de que a corrupção pode ter caráter sistêmico no setor de mineração do estado.

Pressão política e apelos pela CPI

Durante a audiência, deputados oposicionistas defenderam que apenas uma CPI teria força institucional para aprofundar a investigação, acompanhar atos administrativos, acessar documentos e exigir depoimentos formais.

A deputada Bella Gonçalves (PSOL), presidente da Comissão de Direitos Humanos, alertou para os impactos socioambientais das fraudes:

“Esse esquema causou danos ao meio ambiente e às comunidades expulsas de seus territórios, que tiveram sua paz destruída pelo avanço da mineração.” 

A deputada Lohanna (PV) apontou que a corrupção nesse caso decorre de duas causas estruturais: a precarização das condições de trabalho dos servidores do Sisema e a flexibilização excessiva dos procedimentos de licenciamento ambiental. Segundo ela, denúncias sobre irregularidades já vinham sendo apresentadas desde 2022, mas não foram respondidas pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semad).

O deputado Professor Cleiton (PV) criticou duramente a atuação da Controladoria-Geral do Estado (CGE), dizendo que requerimentos antigos sobre licenciamento irregular não receberam respostas satisfatórias – num episódio ele referiu-se à empresa Taquaril Mineração, que teria atuado na Serra do Curral. Ele chegou a ironizar a CGE como “Enganadoria do Estado”.

Para a deputada Beatriz Cerqueira (PT), o problema vai além de casos isolados:

“Não estamos diante de um fato isolado. Isso se configura como corrupção sistêmica na estrutura do governo de Minas Gerais.” 

Vozes de comunidades afetadas e críticas ao licenciamento

Ambientalistas que participaram da audiência defenderam que os processos de licenciamento favorecem grandes mineradoras, diante da fragilidade institucional e da participação reduzida das comunidades.

Em São Gonçalo do Bação (Itabirito, Região Central), moradores denunciam ameaça com o funcionamento de um terminal ferroviário para transporte de minério – que teria sido liberado por licenciamento questionável. Eles pedem a anulação dessa autorização.

Em Ouro Preto, comunidades quilombolas reclamam que não são ouvidas nos processos de licenciamento, segundo Eduardo Evangelista, da Associação de Proteção Ambiental (Apaop):

“Há uma estrutura corrupta que viola sistematicamente os direitos das pessoas que vivem nos territórios com mineração.” 

O vice-presidente do Fórum São Francisco, Julio Cesar Dutra Grillo, criticou especialmente o modelo de autodeclaração de impacto ambiental como favorecedor de irregularidades. Para ele, o órgão de licenciamento atua como “porta aberta para quem quer trabalhar de má fé”.

Posicionamento do governo e medidas anunciadas

A secretária estadual de Meio Ambiente, Marília Carvalho de Melo, defendeu que os casos revelados na operação Rejeito são pontuais e não refletem o comportamento de todo o Sisema. Segundo ela, quase 2 mil servidores trabalham com ética e não devem ser “manchados pelo desvio de conduta de poucos”. Ela afirmou que as informações requisitadas pela PF foram repassadas, e que os servidores citados foram afastados.

Entre as medidas em curso estão:

  • contratação de auditoria técnica independente para revisar processos.
  • fiscalização para verificar suspensão de atividades minerárias consideradas irregulares
  • medidas judiciais cautelares para garantir a segurança das minas paralisadas

O controlador-geral do Estado, Rodrigo Fontenelle de Araújo Miranda, disse que a CGE está colaborando com a PF e citou certificação internacional de qualidade como defesa contra críticas à atuação do órgão.

Por sua vez, deputados da base governista fizeram coro à secretária. O deputado Antonio Carlos Arantes (PL) defendeu que tudo será apurado, acreditando na “seriedade” da titular da Semad. Os deputados Duarte Bechir (PSD) e Zé Laviola (Novo) também expressaram confiança no compromisso ético dela. O deputado Gustavo Valadares (PMN) pediu punição exemplar para servidores com desvios e afirmou apoiar integralmente as investigações da PF.

Leia mais: Deputados e ambientalistas pressionam por CPI para apurar irregularidades no licenciamento ambiental após operação Rejeito

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