25.4 C
Belo Horizonte
InícioGeralCongonhas suspende alvarás da Vale e anuncia multas após vazamentos de lama...

Congonhas suspende alvarás da Vale e anuncia multas após vazamentos de lama atingirem rios

Município aponta risco ambiental e falhas de comunicação da mineradora; operações ficam paralisadas até adoção de medidas emergenciais

A Prefeitura de Congonhas, na região Central de Minas Gerais, determinou a suspensão imediata dos alvarás de funcionamento das atividades minerárias da Vale no município após dois vazamentos registrados em um intervalo inferior a 24 horas. A decisão foi oficializada nesta segunda-feira (26/01) e divulgada pelas redes sociais do Executivo municipal.

Os incidentes ocorreram nas minas de Fábrica e de Viga e provocaram o carreamento de água com sedimentos para cursos d’água da cidade, incluindo o córrego Goiabeiras e o rio Maranhão, que deságua no rio Paraopeba, já impactado pelo rompimento da barragem de Brumadinho, em 2019.

Risco ambiental e suspensão das atividades

Em ofício assinado pelo prefeito Anderson Costa Cabido (PSB), a prefeitura classificou os vazamentos como um “fato superveniente de risco ambiental concreto”, com potencial de causar danos à qualidade da água, aos ecossistemas e à segurança da população. Segundo o município, manter as operações nas condições atuais é incompatível com os princípios da precaução e da prevenção ambiental.

A suspensão dos alvarás seguirá em vigor até que a Vale comprove a adoção de medidas capazes de eliminar ou controlar os riscos identificados.

Exigências impostas à mineradora

Para que as licenças municipais possam ser restabelecidas, a prefeitura estabeleceu uma série de condicionantes, entre elas:

  • apresentação, em até cinco dias, de um Plano Técnico de Monitoramento dos sumps das minas de Fábrica e Viga;
  • caracterização quantitativa, qualitativa e geotécnica de todas as estruturas;
  • realização de modelagem hidráulica para mapear áreas que podem ser atingidas em novos eventos;
  • contratação de auditoria independente credenciada pela FEAM;
  • doação de equipamentos e treinamento para reforçar a fiscalização ambiental do município.

O descumprimento das determinações pode resultar em sanções civis e criminais, além de comunicação ao Ministério Público.

Multas e críticas à mineradora

Além da suspensão dos alvarás, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas lavrou auto de infração contra a Vale, que será convertido em multa. O secretário João Lobo afirmou que, embora as estruturas envolvidas não sejam barragens, o potencial de dano é elevado.

“Essa estrutura poderia causar graves problemas ambientais e sociais, inclusive com risco de perda de vidas. A empresa tinha condições de monitorar continuamente essas áreas”, afirmou.

Lobo também criticou a demora da Vale em comunicar os incidentes, relatando que o município só foi informado do primeiro vazamento cerca de dez horas depois e do segundo apenas no fim da noite.

Impactos visíveis e relato de moradores

Reportagem no local constatou manchas de lama, destruição de canaletas e aumento significativo da turbidez da água no córrego Goiabeiras. No encontro com o rio Maranhão, a diferença de coloração entre os dois cursos d’água é claramente visível.

Moradores das comunidades próximas relataram medo e insegurança. O motorista Wilson Clodoaldo de Matos, que vive às margens do córrego, afirma que dorme pouco durante o período chuvoso. “Coloco o despertador de madrugada para conferir o nível da água. A gente vive com medo”, relatou.

Autoridades acompanham o caso

Uma sala de crise foi montada na mina de Fábrica com participação da Defesa Civil municipal e estadual, Corpo de Bombeiros, Ministério Público e órgãos ambientais. O Ministério de Minas e Energia informou que determinou à Agência Nacional de Mineração (ANM) fiscalização rigorosa nas estruturas envolvidas, com possibilidade de interdição, caso seja necessário.

A ANM afirmou que não houve ruptura de barragens e que os eventos estão associados a estruturas operacionais, como sumps, mas destacou que as responsabilidades estão sendo apuradas.

O que dizem Vale e CSN

Em nota, a Vale declarou que os extravasamentos foram contidos, que não houve carreamento de rejeitos, apenas de água com sedimentos, e que ninguém ficou ferido ou precisou ser removido. A empresa afirmou ainda que as barragens da região seguem estáveis e monitoradas.

A CSN Mineração informou que áreas de sua unidade em Ouro Preto foram alagadas, mas negou danos a barragens ou necessidade de evacuação de trabalhadores.

O caso segue sob acompanhamento de órgãos municipais, estaduais e federais, enquanto Congonhas cobra respostas mais rápidas e medidas efetivas para evitar novos episódios.

::: CLIQUE AQUI  E ENTRE PARA O NOSSO GRUPO NO WHATS APP :::

Leia mais: Congonhas suspende alvarás da Vale e anuncia multas após vazamentos de lama atingirem rios

Acidente Assassinato Belo Horizonte Betim BR-040 BR-251 BR-262 BR-365 BR-381 Contagem Corpo de Bombeiros Crime Cruzeiro Divinópolis Governador Valadares Grande BH Ibirité Ipatinga Itabira João Monlevade Juiz de Fora Lula Minas Gerais Montes Claros Nova Lima Patos de Minas Polícia Civil Polícia Federal Polícia Militar Polícia Militar Rodoviária Polícia Rodoviária Federal Pouso Alegre Previsão do Tempo Ribeirão das Neves Sabará Samu Santa Luzia Sete Lagoas Triângulo Mineiro Tráfico Uberaba Uberlândia Vale do Rio Doce Vespasiano Zona da Mata mineira

RELACIONADOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui