O que era para ser apenas uma corrida curta de moto por aplicativo terminou em um acidente devastador que mudou completamente a vida de Bruno Fernandes Liberato, de 36 anos. Casado e pai de uma criança de 5 anos, ele sobreviveu a um politraumatismo gravíssimo após uma colisão registrada na noite de 29 de junho de 2025, no bairro Jardim Riacho, em Contagem.
Dez meses após o acidente, Bruno ainda enfrenta fortes dores, dificuldades para andar e limitações físicas severas. Hoje, ele usa sua história como alerta sobre imprudência no trânsito, segurança em corridas por aplicativo e os desafios enfrentados por vítimas em processo de reabilitação.
“Eu pedi duas vezes para ele diminuir a velocidade”
Segundo Bruno, o acidente aconteceu durante uma corrida solicitada por aplicativo de transporte em motocicleta. Ele saía da casa de um irmão, no bairro Novo Riacho, quando percebeu que o piloto trafegava em alta velocidade.
“Eu pedi para o piloto diminuir a velocidade duas vezes. Ele estava correndo muito”, relembra.
A colisão ocorreu na região da Rua Marte com Avenida Marte, próximo a uma rotatória. De acordo com o relato, o motociclista não teria respeitado a parada obrigatória e acabou atingindo um carro que cruzava a via.
“Faltavam cerca de 500 metros para eu chegar em casa. Ele não parou na rotatória e bateu direto no carro”, contou.
Bruno afirma ainda que o piloto chegou a dizer que era “piloto de fuga”, aumentando ainda mais sua preocupação momentos antes do impacto.
Fraturas múltiplas e oito cirurgias
O acidente provocou lesões gravíssimas. Bruno sofreu:
- fraturas bilaterais na mandíbula;
- perfuração pulmonar;
- quatro costelas quebradas;
- fratura na clavícula;
- fratura no antebraço esquerdo;
- fratura na mão esquerda;
- fratura na tíbia e joelho esquerdo.
Ao todo, foram implantados dezenas de pinos, placas metálicas e parafusos durante procedimentos cirúrgicos emergenciais.
Relatórios médicos apontam que ele passou por osteossínteses na mandíbula, rádio distal, tíbia e mão esquerda, além de apresentar sequelas permanentes, perda de força muscular, assimetria entre os membros e limitação de mobilidade.
Segundo laudo ortopédico recente, Bruno ainda não consegue caminhar sem auxílio de órtese ou bengala e apresenta claudicação — dificuldade para andar causada pelas sequelas do trauma.
“Passei seis meses em cadeira de rodas”
A recuperação segue intensa quase um ano após o acidente. Bruno relata que passou cerca de seis meses em cadeira de rodas e ainda depende de apoio para se locomover.
“Eu sinto dor intensa para andar. Minha perna perdeu força, meu braço também. Ainda estou em reabilitação”, disse.
Além das sequelas físicas, ele também convive com marcas emocionais profundas deixadas pelo acidente.
Relato espiritual marcou momento após a colisão
Bruno afirma que ficou desacordado após o impacto e acredita ter vivido uma experiência de quase morte.
“Eu via meu corpo no chão e as pessoas dizendo que eu estava morto. Eu tentava falar que estava vivo, mas ninguém me ouvia”, relata.
Segundo ele, naquele momento teria visto uma figura vestida de branco e pedido uma segunda chance para continuar vivendo.
“Eu pedi a Deus para me deixar voltar. Depois disso, eu acordei”, afirmou.
Acidente reforça debate sobre segurança no trânsito
O caso reacende discussões sobre segurança em transportes por aplicativo, fiscalização no trânsito e imprudência ao volante.
Bruno também chama atenção para o tipo de capacete utilizado pelo piloto no momento do acidente. Segundo ele, o equipamento não possuía proteção facial adequada, o que agravou as fraturas na mandíbula.
Hoje, ele segue em tratamento médico e pode precisar passar por novas cirurgias.
“Foi um milagre eu sobreviver. Quero que minha história sirva de alerta para outras pessoas”, afirmou.
NÚMEROS
Em Belo Horizonte, foram registrados 30 acidentes envolvendo motos de aplicativo nos primeiros 20 dias de fevereiro de 2025, média de 1,5 ocorrência por dia. O levantamento considera corridas realizadas por plataformas como Uber Moto e 99Moto. Um dos casos terminou em morte na Avenida Nossa Senhora do Carmo.
A Prefeitura de Belo Horizonte informou ainda que a capital registrou mais de 15,1 mil acidentes com motocicletas em 2024, alta de 12,6% em relação a 2023. Segundo a PBH, o crescimento está associado à expansão dos serviços de entrega e transporte por aplicativo.
Já em Contagem, não há até o momento um balanço consolidado divulgado apenas para “motos de aplicativo” em 2025. Porém, diversos acidentes foram registrados ao longo do ano. Um exemplo ocorreu na Avenida Cardeal Eugênio Pacelli, na Cidade Industrial, envolvendo motociclista de app e passageira, ambos encaminhados para atendimento médico.
Em âmbito estadual, Minas Gerais registrou 2.275 acidentes envolvendo motociclistas por aplicativo entre janeiro e fevereiro de 2025, segundo reportagem publicada em 2026, o equivalente a cerca de 40 ocorrências por dia.
Especialistas apontam alguns fatores para o aumento das ocorrências:
- crescimento acelerado do transporte por motocicleta;
- jornadas extensas de trabalho;
- pressão por rapidez nas corridas e entregas;
- trânsito intenso da Região Metropolitana de BH;
- ausência de regulamentação municipal mais rígida.
O debate sobre regulamentação do mototáxi por aplicativo ganhou força em Belo Horizonte em 2025, com discussões envolvendo segurança, treinamento obrigatório e fiscalização.
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