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Dos amores da Grécia Antiga à nossa necessidade de amar

O Amor (assim, personificado com letra maiúscula, ou abstrato como no ato de amar) é o conceito mais exaustivamente explorado da História. Não são o poder, o dinheiro, as guerras, até porque nisso tudo sempre houve um lado pessoal onde habitava o Amor ou o Ódio, esses irmãos gêmeos,  e seus derivados. Amar/odiar é o Olimpo da experiência humana. Falando em Olimpo e em amor (Amor), voltemos à Grécia Antiga: os gregos entendiam esse sentimento como um espectro de impulsos, deveres e conexões distintas.

E, se buscamos autoconhecimento e crescimento pessoal, vale a pena dar uma olhada no que pensavam os filósofos da época de Sócrates, Platão e Aristóteles. Vejamos.  

A cartografia grega do afeto

Para os gregos, a segmentação do amor era uma ferramenta de autoconhecimento e ordem social. Entre as principais distinções, temos:

Eros: o amor passional, carnal e estético. É o desejo que busca a posse e a satisfação da falta, muitas vezes intenso e irracional. Ruma com “paixão”.

Philia: a amizade profunda. Diferentemente do Eros, a Philia é baseada na reciprocidade, na admiração mútua e em valores compartilhados entre iguais.

Storge: o amor instintivo e familiar. É o afeto que surge naturalmente entre pais e filhos, ou entre membros de uma mesma comunidade, calcado na aceitação e no pertencimento.

Ludus: amor lúdico e sem compromisso. Flerte, conquista e prazer imediato do jogo amoroso. Soa mais sexual e, como no adjetivo, lúdico. O jogo do amor.

Pragma: amor duradouro e racional. É o compromisso de longo prazo, onde a convivência e a construção de uma vida comum prevalecem sobre a efervescência da paixão. O “amor Eros amadurecido”, talvez. Veja que daí vem a palavra “pragmático”, ou seja, prático: é um amor não mais de ilusões apenas, mas de ações e convicções.

Philautia: o amor-próprio. Pode ser destrutivo (narcisismo) ou saudável, servindo como base para que o indivíduo seja capaz de amar os outros de forma plena.

Os rótulos do Amor e o amor Ágape cristão  

A humanidade sempre sentiu a necessidade de rotular o amor para torná-lo “manejável” e até útil, como em casamentos arranjados (ou não) que eram destinos de países inteiros, e do mundo. O anglicanismo, por exemplo, surgiu porque o rei Henrique VIII da Inglaterra queria se divorciar e a Igreja não o permitia: criou uma anglo-religião.

Bem, é intrínseco ao ente humano amar e querer nomear os atos de amor, tentando assim domar as forças que nos movem. Mesmo o cristianismo herdou essa tradição analítica, porém elevou um desses conceitos ao patamar do sagrado: o amor Ágape, divino, incondicional, sacrificial, perfeito.

Enquanto a filosofia grega via o amor muitas vezes como uma resposta a um valor percebido no outro, o cristianismo introduziu o Ágape como o amor que se dá sem esperar nada em troca, independentemente do mérito do ser amado. Parece-se realmente mais com algo divino que humano, demasiado humano.

Além do amor Ágape, a tradição cristã reconhece a Philia (o amor fraternal entre os irmãos de fé) e o Storge (a base da estrutura familiar), sempre sob a sombra do amor que vem de Deus como modelo absoluto.

Uma certeza: nascemos para amar e o amor importante é ação

Existem categorizações para os amores, muitas, além das gregas e cristãs. Mas o meu fato é que nascemos para amar e sermos amados. E o amor que importa é ação e comprovação, é concretude, para além de palavras e promessas e sexo — não que isso não seja necessário, notadamente no amor romântico, como chamamos hoje.

Sim, nascemos com o Amor incrustado na alma.

E Ele é múltiplo. E me parece vital que, ao amar, não permitamos que nossa liberdade se torne obsessão; nem que a liberdade revoe como descaso ou como libertinagem, no sentido mais negativo do termo. Alguns apreciam, e até se viviam em aventuras de amor, que mineram hormônios de prazer; mas eu aviso: aventuras desvairadas  podem machucar, ainda que a dor venha bem depois. Não que eu queira julgar alguém.

Até porque uma parte do amor, todo tipo de amor, é aceitação. A outra, são os limites que cada caso demanda. Amizade, amor, carinho, amor de pai, amor de mãe, amor de filho, amor de Deus, ou do que se acredita ser deidade. Amores. Às vezes amores estranhos, nunca compreendidos. O amor se contenta em apenas existir.

Quanto aos rótulos, eles podem servir para a análise crítica e talvez para a proteção das relações, todavia são apenas mapas para um território vasto, onde o protagonismo é do cotidiano, do inesperado e do que é vivido. Somos, inerentemente, criaturas relacionais.

Bem, eu que comecei com os gregos e passei pelo sacro e, levemente, pela análise científica, eu agora ecoo o que Renato Russo cantava na Legião Urbana, ele todo coração, dilacerado a vida toda de amor e que falava tanto do amor que o mantinha vivo e ao mesmo tempo, tantas vezes, perdido. Eu o ecoo, sua alegria e suas feridas, como na música “Perfeição”, e convoco: “Venha, o amor tem sempre a porta aberta…”. Se não há porta, derrubemos paredes, façamos do concreto, primavera!

Pois nada na vida vale mais a pena que amar e ser amado.

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