A Polícia Civil indiciou, nesta quarta-feira (2), um homem de 28 anos por duplo homicídio qualificado e ocultação de cadáver, em um caso que chocou Ribeirão das Neves, na Grande Belo Horizonte. As vítimas, Anderson Alves Brandão, de 51 anos, e Jairo Vieira Lima, de 64, eram amigos há anos e viviam juntos na mesma casa no bairro Jardim Colonial, onde os corpos foram encontrados enterrados no quintal, um deles dentro de uma mala.
“É um alívio saber que a justiça será feita”, afirmou Alda Brandão, irmã de Anderson, ao saber do indiciamento. Para ela, a morte do irmão representa uma dor ainda viva: “Não vai trazer meu irmão e o amigo dele de volta, mas é um alívio saber que a justiça será feita.”
Mistério e horror no quintal
O caso veio à tona no dia 23 de junho, quando familiares estranharam o desaparecimento de Anderson e Jairo. Segundo Alda, a mãe deles acordou angustiada naquela manhã e pediu para visitar o filho. Ao chegar ao local, Alda encontrou um homem desconhecido, que alegou que os antigos moradores haviam se mudado. Desconfiada, ela acionou vizinhos e a polícia.
Quando policiais entraram na residência, encontraram manchas de sangue nas paredes, no colchão e objetos espalhados pelos cômodos. Um martelo com sangue seco estava ao lado de roupas sujas de sangue. No quintal, havia munições deflagradas. Com auxílio de cães farejadores, o Corpo de Bombeiros localizou os corpos enterrados próximos a uma bananeira.
Suspeito preso no local
O suspeito foi preso ainda dentro da casa. À Polícia Militar, deu versões contraditórias sobre como teria adquirido o imóvel, dizendo inicialmente que pagou R$ 20 mil, depois R$ 18 mil, e em seguida alegou que ganhou a casa por ter feito “uns corres” para um dos moradores.
As investigações concluíram que o homem agiu sozinho nos homicídios. Ainda não foi divulgada a motivação oficial para o crime, mas familiares desconfiam de interesse pela casa. “Acho que pelo meu irmão e o amigo gostarem de beber e ele querer muito morar na casa, pensou que ninguém sentiria falta”, relatou Alda, emocionada.
Revolta e incêndio
O caso provocou grande comoção e revolta no bairro. No dia seguinte à descoberta dos corpos, a casa do pai do suspeito foi incendiada por pessoas revoltadas com o crime. O Corpo de Bombeiros foi acionado e conseguiu conter as chamas. Ninguém ficou ferido. A Polícia Civil também investiga quem foi o responsável pelo ataque.
As vítimas eram descritas como pessoas tranquilas e muito próximas. Anderson trabalhava como pintor e ajudava o amigo Jairo, que estava aposentado por invalidez após sofrer um acidente.
O suspeito permanece preso à disposição da Justiça. A investigação prossegue para esclarecer totalmente os detalhes do crime e a motivação.
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