Um estudo divulgado na última quinta-feira revela que o Brasil possui aproximadamente 550 laboratórios ativos de processamento de cocaína desde janeiro de 2019 até julho de 2025.
No Estado de Minas Gerais estão identificados 34 desses laboratórios, colocando-o na 4.ª posição entre as unidades da federação em número de instalações desse tipo — atrás apenas de Goiás (125), Amazonas (42) e São Paulo (37).
O que o estudo mostra
A pesquisa intitulada Floresta em Pó, conduzida pela Iniciativa Negra por Uma Nova Política de Drogas e pela Drug Policy Reform & Environmental Justice International Coalition, com apoio de outras entidades, aponta que as instalações mapeadas atuam não somente no refino da cocaína, mas também na chamada “engorda” — mistura da droga com outros insumos para ampliação de volume e lucro.
Segundo a pesquisa, o refino e as etapas de beneficiamento da droga poderiam ter agregado mais de R$ 30 bilhões ao faturamento da cocaína no Brasil em 2024 — parte de uma estimativa de US$ 65,7 bilhões para o país.
Ainda de acordo com os dados, a maior parcela da receita desse mercado está no atacado (60 %), seguida pelo varejo (22 %), pelo beneficiamento da base da droga (8,99 %) e pelo cultivo (apenas 0,01 %).
Minas Gerais e o papel estratégico
Para Minas Gerais, os 34 laboratórios representam um cenário relevante no contexto nacional, especialmente se considerados “grandes” ou “muito grandes” — oito deles se enquadram nessa categoria.
Conforme o pesquisador Daniel Edler (do Instituto Fogo Cruzado e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Minas assume um papel logístico importante no refino e distribuição da cocaína. A droga entra no país — em parte — por rotas que cruzam a fronteira com Paraguai ou Bolívia, deslocam-se até Goiás e, em sequência, atingem Minas Gerais. Dali, seguiria para estados do Nordeste ou para o eixo Rio/Espírito Santo.
O especialista destaca que, enquanto São Paulo tem uma representação inferior em laboratórios segundo os dados, sua importância portuária é grande — o que sugere que parte da cocaína exportada pode ter passado por refino em Minas Gerais antes da saída do país.
Conexão com crime organizado e áreas ilícitas
O estudo também aponta que as principais facções criminosas do país — como Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital (PCC) — estariam envolvidas nas cadeias de produção, refino e distribuição da cocaína. As alianças estariam estruturadas para conectar os grupos que produzem a droga nos países andinos, com os canais internos de circulação no Brasil.
Além disso, a pesquisa relaciona a atividade dos laboratórios com lavagem de dinheiro que alimenta outros crimes, como extração ilegal de madeira, garimpo e grilagem de terras.
O que especialistas apontam
O coronel Ailton Cirilo, presidente da Associação dos Oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (AOPMBM/MG) e especialista em segurança pública, alerta que Minas Gerais — com sua extensa malha viária e localização estratégica — se configura tanto como rota de tráfico interestadual quanto como local para refino e distribuição da droga.
Segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp-MG):
- De janeiro a setembro deste ano, foram registrados 20.078 apreensões de cocaína no estado.
- No ano passado, foram 21.068 apreensões. Em 2023, foram 25.540 apreensões.
- Em 17 de outubro, uma carga de 521 kg de cocaína refinada, escondida em caminhão no Triângulo Mineiro, foi apreendida — com valor estimado no varejo superior a R$ 100 milhões.
Essa operação reforça o alerta sobre o volume expressivo da droga que circula pelo estado.
O especialista em segurança pública Luís Flávio Sapori defende que a repressão mais eficiente não está apenas no varejo, mas principalmente na identificação e desmantelamento dos pontos de refino — considerados os elos mais lucrativos e estratégicos da cadeia do tráfico.
Por que isso importa
- Quando se ataca o refino, ao invés de somente a ponta do varejo, reduz-se o poder econômico das organizações criminosas.
- A presença de laboratórios espalhados pelo interior do estado torna a segurança pública mais complexa, demandando inteligência especializada, tecnologia, cooperação entre órgãos e operações de investigação.
- A logística das rodovias, proximidade a grandes centros urbanos e acesso a portos tornam Minas Gerais área sensível para essas práticas — o que reforça a necessidade de políticas de segurança integradas e prevenção voltadas ao interior.
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