O nome que simboliza a luta contra a violência doméstica voltou a ser manchete nesta semana, desta vez de forma trágica. Maria da Penha, de 60 anos, foi assassinada pelo companheiro, Isaque Trindade, de 35, na noite dessa terça-feira (8), no bairro Vila Iris, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O homem, borracheiro e usuário de drogas, se apresentou espontaneamente à Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (9) e confessou o crime.
Segundo a investigação, Maria da Penha foi enforcada até a morte, teve as mãos amarradas e o corpo escondido debaixo da cama. Isaque relatou que o crime aconteceu após uma discussão entre o casal. Policiais e peritos foram até a casa indicada pelo autor e localizaram o corpo da vítima.
Parentes da vítima contaram à reportagem que Maria, conhecida na região pelo apelido de “Penha” e dona de um trailer, vivia há seis anos com Isaque em uma relação marcada por violência e agressões. O casal chegou a se separar depois que Isaque tentou matá-la no passado. O agressor, então, fugiu para São Paulo, onde teria se envolvido no homicídio de uma garota de programa identificada como Tainá, mas acabou retornando a Minas e reatando o relacionamento com Maria da Penha.
“Ela acreditava que ele ia melhorar, que ele ia largar as drogas. Ajudou ele, conseguiu até trabalho pra ele. Mas ele não quis mudar. Infelizmente, ele acabou com a vida dela e com a nossa família”, disse um parente da vítima, em entrevista emocionada.
Prisão ratificada
A Polícia Civil confirmou que Isaque Trindade teve a prisão ratificada e será encaminhado ao sistema prisional ainda nesta quarta-feira. O caso será investigado como feminicídio, que é o assassinato de mulher motivado por violência doméstica, menosprezo ou discriminação de gênero, e cuja pena pode chegar a 30 anos de prisão.
O drama do feminicídio
O assassinato acontece justamente em um país que tem visto crescer os índices de feminicídio. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou em 2023 mais de 1.400 casos de feminicídio, média de uma mulher morta a cada seis horas pelo simples fato de ser mulher.
O caso chama atenção pelo fato de a vítima se chamar Maria da Penha, o mesmo nome da cearense que deu origem à Lei nº 11.340/2006, sancionada há 18 anos e considerada um marco no combate à violência doméstica e familiar contra a mulher. A lei endureceu penas contra agressores e criou instrumentos como as medidas protetivas de urgência, que podem impedir o agressor de se aproximar da vítima sob pena de prisão.
Apesar dos avanços, muitas mulheres ainda vivem presas em ciclos de violência, seja por medo, dependência emocional ou financeira. “Infelizmente, a lei existe, mas muitas não denunciam por medo ou por ainda acreditarem que o agressor vai mudar. Casos como esse mostram como a violência doméstica pode ter um desfecho trágico”, lamenta uma delegada especializada em violência contra a mulher ouvida pela reportagem.
O corpo de Maria da Penha foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) em Belo Horizonte. A família aguarda a liberação para os procedimentos fúnebres.
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