22.1 C
Belo Horizonte
InícioBrasil & MundoO CERRADO RESPIRA POR APARELHOS: QUEIMADAS DEVASTAM O CENTRO-OESTE EM 2024

O CERRADO RESPIRA POR APARELHOS: QUEIMADAS DEVASTAM O CENTRO-OESTE EM 2024

A questão das queimadas no Brasil, em grande parte causadas pelo superaquecimento global e desmatamento, mas também por atos criminosos e quase sempre impunes, é certamente um dos temas mais urgentes do Brasil hoje. Nesse escopo, a devastação do Centro-Oeste aumentou em 2020, quando pesquisadores brasileiros identificaram que cerca de 50 mil mamíferos de médio e grande portes pereceram nos incêndios de 2020, na Reserva Particular do Patrimônio NAtural (RPPN) Sesc PAntanal, em Barão Melgaço (MT). Noventa por cento da área de conservação foi destruída pelas chamas. Mas esse é só um exemplo da situação dessa região. Que, aliás, só piorou desde então, atingindo seu ápice em 2024.

O pior é que, parece-nos, pouco se dá atenção ao Cerrado, que inclui o Pantanal, maior planície alagável do planeta. O Cerrado que está morrendo de sede, fogo e negligência.

De acordo com o Fauna News, o estudo de 2020 mencionado anteriormente, que já foi referência para animais mortos durante os incêndios no Pantanal, deixou de lado fatores como a presença de cursos d’água, necessários a muitas espécies, e a proporção de áreas florestadas. Por isso, minimizou os estragos causados. Mas recentemente pesquisadores focaram em todo o bioma, não só a RPPN, e estimaram que 17 milhões de espécimes da fauna silvestre morreram em 2020 no Cerrado.

A péssima notícia é que, em 2024, os incêndios se espalharam de forma incontrolável nesse bioma. Foram registrados 54.298 incêndios até a metade da segunda semana de setembro. Esse alarmante número já é maior que o total de focos identificados durante todo o ano de 2023, quando 50.713 incêndios foram detectados por lá. Os dados computados vêm de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A situação, portanto, é gravíssima na região central do Brasil.

Além disso, entre janeiro e agosto de 2024, 4 milhões de hectares foram consumidos pelo fogo no Cerrado: 79% de vegetação nativa, o que demonstra um aumento de 85% em comparação com o mesmo período em 2023. No ano passado, 2,2 milhões de hectares foram dizimados por queimadas, conforme dados do Monitor do Fogo, da Mapbiomas.

Sim, sabemos que é grave o estado da Amazônia e ainda da Caatinga, tão sequiosa e abandonada como sempre foi em sua pobreza e isolamento no Nordeste, e precisamos falar disso. Mas precisamos falar igualmente do Cerrado, do Pantanal, das reservas ambientais do Centro-Oeste e de todo o caos e morte que lá têm se instalado. Não são apenas animais e plantas atingidos com as queimadas: elas destroem a biodiversidade da região e prejudicam amplamente as comunidades chamadas “guardiãs” do Cerrado, como povos indígenas, populações ribeirinhas e quilombolas.

Sobre a região amazônica, o que mais preocupa, além de incêndios, altas temperaturas, seca e desmatamentos, é o tráfico de minérios e de madeira, pouco fiscalizado pelo governo e uma “epidemia” na maior floresta do mundo, que desperta o interesse de muitos países. Mesmo assim, as queimadas no Norte do nosso país são muito inferiores, em porcentagem, às do Centro-Oeste, em 2024. E, mais uma vez: pouco se fala na destruição do Pantanal e do bioma do Cerrado, com toda a sua flora e fauna, e seus habitantes que deles dependem.

INCÊNDIOS E IMPUNIDADE NO CENTRO-OESTE

Os principais fatores da situação drástica no bioma Cerrado são o desmatamento, superaquecimento global e os terríveis incêndios criminosos. Como o que ocorreu este ano, quando um homem queimou, aparentemente sozinho, 700 hectares de fazendas. Detido pela polícia, declarou-se esquizofrênico e foi liberado, confessando que a motivação do suposto mandante foi política. Este teria lhe pagado R$ 300 para executar o crime ambiental. Aqui, é necessário refletir sobre a possibilidade de indivíduos e grupos anti-Agro serem capazes de promover incêndios criminosos nos biomas onde há atividade pecuária ou plantações, enfim, agrícolas, principalmente no Cerrado e na Amazônia.

Ainda em relação ao caso do tal homem de nome sigiloso, cujo suposto mandante também permanece em desconhecido, ocorreu em agosto de 2024. Incendiaram-se cerca de 700 hectares em fazendas em Bom Jardim, oeste de Goiás. O meliante foi liberado em poucos dias, após alegar esquizofrenia. O delegado Fábio Marques o colocou em liberdade provisória, em razão da alegada doença mental, embora não tenhamos tido acesso a comprovações de seu estado psíquico, como de sua identidade e a do suposto mandante. Nessa possível blindagem, indagamos quem estaria protegendo o misterioso criminoso e quem teria lhe oferecido dinheiro, não importando a quantidade, para incendiar. E mais: o criminoso confesso revelou que o suposto mandante do crime teve motivações políticas para que se cometesse tal ato, debelado, alegadamente pelas autoridades, no dia 25 de agosto de 2024.

É notório aqui o objetivo de destruição do Agro, com relatos de inúmeros animais vivos mortos e plantações varridas pelas chamas. Seria possível uma ligação com grupos do MST? Disputa de terras? Atos de terrorismo ideológico? As investigações parecem ter estagnado, já que não ouvimos mais falar no caso, em que os nomes do executor e do suposto mandante permanecem em sigilo, outro fato estranho.

Bem, esse é apenas um dos casos de incêndios criminosos no Brasil atual. Dos problemas ecológicos no nosso país, e não apenas no Cerrado. Nossa nação, tão bela e de prodigiosas riquezas naturais, está berrando: enchentes, secas, terremotos, tufões, temperaturas recordes. E, se milhares de animais e plantas mortos de sede e fogo, e populações inteiras afetadas não lhe causam profunda preocupação e até desolação, talvez você deva repensar. Todos nós brasileiros dependemos, de alguma forma, de todos os biomas do Brasil. O mundo depende de nossos vastos e riquíssimos biomas.

Saber que vidas, vegetais, animais e humanas estão sendo arrasadas, é um “tiro no coração” para quem é, ou diz ser, pró-vida. Precisamos falar no Cerrado, uma de nossas maiores e mais peculiares reservas ecológicas. Ele respira por aparelhos. Então, nós respiramos também.

CLIQUE NO BANNER E ENTRE PRO NOSSO GRUPO


Para comentar as reportagens acesse; https://www.facebook.com/BHaovivoNews/ , https://x.com/Bhaovivonews e/ou https://www.threads.net/@bhaovivonews

 

RELACIONADOS