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Nunca tivemos tanta informação: o desafio é filtrá-la, mas não censurá-la

Vivemos sob um tsunami constante de dados; mas, como tamanho não é documento, volume não garante sabedoria. O desafio contemporâneo não é tanto o acesso à informação, mas a nossa capacidade de filtrá-la. É crucial checar a veracidade, identificar as fontes e entender os propósitos por trás de tudo, dentro do possível. Por outro lado, a honestidade intelectual demanda que reconheçamos a possibilidade das discordâncias, pois, sem elas, a reflexão fica estagnada e a multiplicidade humana, e até o progresso, se perdem.

O fato incrustado na Era Digital, agora Era da Inteligência Artificial, é que a Internet, tal qual faziam os livros no passado não digitalizado, nos permite acessar uma pluralidade de pensamento vastíssima. Todavia, os livros operavam em um ritmo mais lento, ao passo que a rede nos submerge em oceanos de ideias simultâneas e, às vezes, muito superficiais. Felizmente, seja como for, muita gente ganhou voz e vez através das telas: faca de dois gumes.

A ARMADILHA DO CONTROLE: “1984” NOS OBSERVA

Então eu me lembro das “profecias tecnocráticas” do clássico “1984”, de George Orwell. De que seríamos vigiados e dominados por forças maiores, reféns do “Grande Olho Que Tudo Vê” — gente lá em cima que decide o que é permitido dizer e saber aqui embaixo, como cidadãos de um  mundo que tem autoridades atentas a tudo. Basicamente, censura estatal. Ela nunca será o caminho para a ordem por si só, pois concede a um governo politizado o bônus perigoso da verdade inquestionável.

Ditar o que é permitido dizer é tolher, e firmar, indelevelmente, o Estado e sua própria ideologia política como única lente válida. Isso não costumava combinar com democracias, mas sempre foi sine qua non em regimes ditatoriais que sobrevivem a partir desse controle político elitista e brutal.

A liberdade intelectual se torna moribunda quando o poder político e politizado assume-se árbitro exclusivo ou principal daquilo que é considerado legítimo ou falso, silenciando o contraditório na informação e na humanidade.

MODERAR SIM, SILENCIAR NÃO

Mas é preciso diferenciar moderação de silenciamento.

As plataformas digitais devem atuar com rigor no combate ao discurso de ódio e ao bullying, que ferem as integridades física e moral de indivíduos e grupos sociais. No entanto, essa responsabilidade jamais deve servir de pretexto para a já mencionada supressão da pluralidade de ideias. Veja bem: pluralidade de ideias, não de preconceitos criminalizados ou de bullying explícito. O debate pode ser desconfortável, mas é a marca de uma sociedade aberta e intelectualmente madura.

Uma verdade: a maior riqueza do ente humano é a sua liberdade — de expressão, de pensar, de sentir, e, sobretudo, de escolher. É através dessa autonomia que construímos nossa identidade no mundo. Quando deixamos de filtrar e processar o conhecimento por conta própria, abdicamos da nossa dignidade. De maneira que a liberdade não deve ser um luxo, mas o alicerce subjacente e indispensável da nossa existência.

Como entes humanos portadores de livre-arbítrio, e que colhem o que plantam, somos o resultado acumulado e contínuo de nossas escolhas: pensamentos e ações. A quem decidimos ouvir, o que decidimos filtrar, como e do que decidimos discordar definem quem somos e quem seremos. Manter a mente receptiva — sem sacrificar, necessariamente, nossas grandes convicções — e o discernimento apurado é nosso dever. Nesse sentido, ler livros, ouvir experiências, buscar fontes de informação diversificadas, online e offline, e ter personalidade própria para decidir por si mesmo, ainda que contra a “maré”, é ouro para a consciência humana e para a liberdade de viver e ser feliz.

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