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Drone da PM registra momento em que policial é baleado na cabeça durante megaoperação que deixou 121 mortos no Rio

Imagens aéreas mostram policiais em confronto com criminosos na Penha; operação é a mais letal da história do estado, segundo dados oficiais

Um vídeo gravado por um drone da Polícia Militar do Rio de Janeiro registrou o momento em que três agentes são baleados durante uma troca intensa de tiros com integrantes do Comando Vermelho (CV), no Complexo da Penha, na zona norte do Rio. A gravação, feita às 9h24 da manhã do dia 28 de outubro, durante uma megaoperação iniciada ainda de madrugada, foi divulgada pelo governo do estado neste domingo (2).

As imagens mostram seis policiais avançando pela mata quando são surpreendidos por disparos vindos de um grupo de criminosos. Dois dos agentes são atingidos — um na mão e outro no abdômen. Eles se jogam no chão e pedem reforço pelo rádio enquanto tentam se abrigar.

Momentos depois, o agente Rodrigo Velloso Cabral, de 34 anos, aparece tentando ajudar os colegas feridos. Ao se aproximar, é atingido por um disparo na cabeça. Nas imagens, é possível ver um companheiro do Bope tentando puxá-lo para uma área segura. Segundo a corporação, Cabral morreu no local. O policial havia se formado há apenas 40 dias.


Operação mais letal da história do Rio

A operação, que começou por volta das 5h20 e durou mais de 18 horas, envolveu tropas do Bope, Choque, Core e Polícia Civil. O objetivo, segundo o governo fluminense, era cumprir mandados de prisão e conter o avanço de facções criminosas que disputam o controle de territórios na região.

A ação se estendeu até a noite de terça-feira (28), com o último registro de drones feito por volta das 22h. Já na manhã seguinte, imagens de dezenas de corpos enfileirados na Praça São Lucas, também no Complexo da Penha, ganharam repercussão internacional. Moradores relataram ter retirado os corpos da mata e os levado até o local.

De acordo com o balanço atualizado do governo do Rio, 121 pessoas morreram, sendo 115 já identificadas. Destas, 88 tinham anotações criminais e 66 eram de outros estados.

Entre as vítimas estão quatro policiais:

  • Marcos Vinícius Cardoso de Carvalho, 51 anos, inspetor da Polícia Civil;
  • Cleiton Serafim Gonçalves, 42 anos, sargento do Bope;
  • Heber Carvalho da Fonseca, 39 anos, sargento do Bope;
  • Rodrigo Velloso Cabral, 34 anos, agente recém-formado.

Ao todo, 15 policiais ficaram feridos, três deles em estado gravíssimo até este domingo (2).


Repercussão e investigações

A operação — considerada a mais letal da história do estado — gerou reações de entidades de direitos humanos e repercussão na Organização das Nações Unidas (ONU) e na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) instaurou procedimento para apurar eventuais excessos e mortes decorrentes de intervenção policial.

O governador Cláudio Castro (PL) defendeu a ação, afirmando que o objetivo era “desmontar o maior esquema criminoso armado da América Latina”. Em nota, o governo declarou que a operação “seguiu protocolos legais e resultou em apreensões de fuzis, granadas e rádios comunicadores usados por criminosos”.

Organizações da sociedade civil e a Defensoria Pública do Estado cobram transparência e uma investigação independente. A Anistia Internacional Brasil classificou a ação como “um massacre que precisa ser urgentemente esclarecido”.


Contexto e balanço

Nos últimos meses, o Rio de Janeiro tem registrado uma escalada de confrontos armados em comunidades dominadas por facções. Segundo o Instituto Fogo Cruzado, apenas em 2025 já foram contabilizados mais de 4,2 mil tiroteios, resultando em mais de 1,1 mil mortes — o maior número desde 2019.

A megaoperação da Penha e do Alemão marca um novo capítulo da crise de segurança pública no estado, expondo o desafio histórico da presença de facções e da violência policial em áreas periféricas da capital fluminense.

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