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Orelha merece um livro: o anjo do Brasil

A comoção com o caso de Orelha, um cão comunitário brutalmente espancado por adolescentes “playboyzinhos” até a morte, em uma praia de Santa Catarina, tem sido de uma magnitude impressionante. A repercussão vai do Brasil inteiro a outros países, e o mundo ouve Orelha chorar e urrar por justiça, rodeado por uma multidão inconformada e triste. Outros, muitos ingkuencers e políticos, como nosso presidente, dão de ombros: estão mais preocupados com os casos INSS e Banco Master — em desviar o foco deles.

Orelha já é símbolo da proteção à causa animal, e mais: de questões jurídicas, como a revisão da maioridade penal (hoje longos 18 anos) e do que é crime hediondo (maus-tratos a animais ainda não são) no nosso país.

Acima de tudo, retoma a aviltante questão da impunidade que se perpetua na terra do sabiá há muito, muito tempo. Aqui, quem tem dinheiro ou influência política não costuma pagar por seus erros, e isso precisa ser ao menos amenizado. Justiça social, até para os pets. Por isso tudo, e porque Orelha era um cão dócil, amável, simpático, acolhedor (apesar de viver sem um lar fixo desde o suposto falecimento de seu tutor, há alguns anos), que amava turistas, vizinhos, brincar, correr, ter amigos, viver… por tudo isso, Orelha merece, e muito, um ou vários livros, um filme, e muitos outros legados.

O Brasil não é o mesmo depois de Orelha.

E não deve mesmo ser. Ninguém o trará de volta, mas nos consola pensar ou sentir que esteja alegre e finalmente acolhido de verdade nos braços de Deus, dos anjos, de seus amigos de quatro patas que já se foram, muitos deles em ataques insanos como o que sofreu. Que esteja correndo em campos infinitos de flores, em praias de fofa areia, sol fulgurante, água refrescante, sorrindo para sempre. Nunca lhe faltará amor, nunca mais sentirá dor. Orelha merece um livro e um filme. Orelha merece homenagens e merece nos ensinar a viver e a amar melhor.

O LIVRO DO ORELHA PARA OS PEQUENOS QUE ESTÃO APRENDENDO

Já passou da hora de conscientizarmos as crianças — muitas delas praticam maus-tratos contra animais corriqueiramente, como já dizia aquela canção: “Atirei o pau no gato-to, mas o gato-to não morreu-reu-reu”. Algumas dessas musiquinhas infantis, mas não muito inocentes, têm sido modificadas a fim de eliminar possíveis incentivos a violência e crueldade. Sabemos que as mentes de crianças e adolescentes estão em pleno desenvolvimento, e tudo o que ouvem e veem pode lhes impactar, inclusive quando já adultos — que nossa infância perdura com o passar dos anos, é um tipo de DNA que fica, para o bem e para o mal.

Então, um livro infanto-juvenil com o tema “Orelha” que ajudasse a falar sobre como é importante identificar, prevenir e punir maus-tratos a animais (e de que tipos eles podem ser), todo ilustrado e bonito, seria mágico. E necessário.

Depois, para os que já cresceram mais (e em quem o coração, muitas vezes, diminuiu), quem sabe um livro biográfico deste ser de tão curta existência terrena: aqui amou, se divertiu, conheceu muitas pessoas, fez amigos, recebeu afagos; mas também sentiu a dor do abandono e do descaso, e, por fim, as punhaladas de um bando de marginaizinhos que deviam estar na cadeia. Detidos, punidos severamente (parece que tentaram afogar um cachorro caramelo antes, e sabe-se lá que maldades fizeram), em vez de superprotegidos por uma advogada da família e por alguns familiares, inclusive com tentativas de coagir testemunhas conforme apontam as investigações.

ORELHA: O FILME

Filmes sobre pets sempre me tocaram muito, desde criança. Sempre fui amiga deles, sempre convivi com eles, cães e gatos, e até cavalos, galinhas, hamsters, porquinhos-da-índia, etc. Imagine um longa que lembre Orelha com doçura — que ele era doçura sempre à espera de um gesto de carinho.

Sei disso não apenas pelas fotos e vídeos que vi, não apenas por conviver com pets, mas pelo olhar: o olhar, e também o sorriso de Orelha (vocês sabem que cachorros sorriem, e como sorriem bonito!) dizia tudo isso. Só saber ver. Algumas vezes o olhar perdido, ainda macio, dulcíssimo, mas que procurava um lar de verdade, para além do cuidado comunitário. Todos nós procuramos um lar, uma família, um refúgio seguro do mundo.  

Os protestos têm de ser mostrados neste filme ou nesta série. Não queremos reportagens dizendo que “em mil imagens não detectamos a agressão dos garotos”, que “não há prova cabal”, que talvez Orelha tenha tirado a própria vida (ironia, é claro). Queremos a indignação, que ela fique cravejada na sociedade para sempre. E que esses monstros nunca mais tenham paz, não sem a devida punição para o crime hediondo que cometeram.

E, se você espera que eles sintam culpa, talvez espere a vida inteira: psicopatas, muitos dos quais começam sua série de crimes maltratando animais desde a mais tenra idade, não se arrependem e não têm empatia. Precisam é ser isolados das pessoas que não são mentalmente doentes e dos animais, sob pena de destruí-los, física e emocionalmente. Que é isso que as pessoas naturalmente más (pior ainda se mimadas) fazem: roubar a vida dos outros, em vários sentidos. O confinamento é o seu lugar, como é o lugar dos que compactuam com seus atos.

Enfim, seria lindo. Imagine só um livro e um filme sem militância política (algo cada vez mais raro nos últimos tempos no Brasil) sobre Orelha. E que fale também de outros animais que sofreram e sucumbiram a maus-tratos. Assim, unindo todas as pessoas, como na música de John Lennon, “imagine todo mundo vivendo em paz”. Paz é o que desejo a você, Orelhinha, nosso Orelha de milhões de pessoas de coração partido e mãos justiceiras; e a todos os que, como você, foram ceifados da vida por pura maldade. Queremos justiça, sim. E até vingança, que é humano, demasiado humano, e foi bem injusto. Mas queremos também memória, conscientização, eternidade na terra para Orelha.  

Não foi por acaso, Orelha. Nada é por acaso, você deve saber porque é sábio como os doguinhos, vocês que vivem pouco e ensinam a nós, humanos, pessoas de tantas guerras, egoísmos, falsidades e ingratidão, a amar e a aproveitar cada dia.

Orelha é um mártir. Mártires podem mudar o mundo. Amamos você, Orelha. Um dia nos encontraremos… Daqui do meu coração você não sai. E, se puder, peça a Deus por nós: precisamos muito aprender a ser mais humanos. Puros. Gratos. Fiéis. Obrigada pela lição de vida, e por ter nos despertado. Não dormiremos nem nos calaremos.

Não foi e não será em vão. Mesmo que se encontrem bodes expiatórios em investigações abafadas e repletas de prevaricação, como em SC no caso Orelha.

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