“A verdade é que as redes sociais estão nos adoecendo”, me disse um seguidor há uns dias. Essa afirmação, coesa e assertiva, me incomodou por soar verdadeira. Sim, é verdade, as redes sociais estão, em muitos aspectos, nos adoecendo mental e até fisicamente. Tornando-nos mais beligerantes, egocêntricos, viciados em novidades, curtidas e dopamina imediata.
É real que as redes sociais, que hoje são inúmeras e aumentam a cada dia, são ferramentas incríveis de conexão, informação e entretenimento. Todavia, a linha entre a diversão e a dependência tóxica é tênue, e estamos todos, de alguma maneira, pagando o preço.
O vício, a ditadura dos filtros e do glamour, a necessidade de comparação e destaque, sob a égide das ferramentas de Inteligência Artificial (IA), são questões vitais. Estamos constantemente buscando uma dose de dopamina, que nosso cérebro libera a cada notificação, ainda mais se positiva para nossa autoestima. Estamos presos em um ciclo de likes, retuítes, embates de opiniões (não meramente discussões saudáveis, muitas vezes). Se o vídeo não “bomba”, a gente apaga ou se cobra por algo melhor. O nosso valor é medido por fãs virtuais, popularidade, ostentação.
Por outro lado, sei que tudo isso faz parte da natureza humana imemorial: ego, busca de aprovação, de identidade e de dopamina, busca de conexões, busca de notoriedade ou valorização. Nesse escopo, reinam milhares de filtros e apps que ajudam a formar e melhorar nossa persona virtual — muitas vezes, bem diferente da “real”. : Aliás, estaremos criando um mundo em que a beleza real é inadequada? Os filtros não corrigem apenas a luz e as formas; eles “corrigem” a realidade crua. Isso gera uma insegurança brutal quando olhamos para o espelho.
Outra faceta que tem nos adoecido, ou tem o potencial de fazê-lo, é o ódio disseminado nas redes sociais. É muito mimimi. É muito se meter na vida do outro. É muito desrespeitar o outro por qualquer coisinha — principalmente política, religião e futebol, essas “máculas” da natureza humana brasileira. Ameaças e bullying são frequentes e acompanham o aumento de casos de ansiedade, depressão e até suicidio em nosso combalido, falido e belicoso “território nacional virtual”.
Enfim, as redes sociais nos apresentam e nos disponibilizam recortes de luxo da vida. E ao mesmo tempo banalizam coisas que nos fazem mal, muitas vezes: desafios perigosos e até fatais, a romantização da violência, da tristeza, da pobreza e de transtornos mentais — apesar da grande quantidade de informações que nos conscientizam sobre isso tudo e mais.
Hoje, não ter crises de ansiedade é raro. Ainda mais se você vive “submerso” nas telas, vendo viagens perfeitas, corpos esculturais e carreiras de sucesso — ou pessoas que aparentam essas situações, porque é fácil aparentar hoje como nunca antes foi. A verdade aqui me parece bem simples: todo mundo tem uma vida longe de ser perfeita, por mais invejável e irretocável que pareça. Todos nós temos nossas dores silenciosas, e nem é de “bom tom” espalhá-las pelas redes sociais, já que não dá tanta audiência o sofrimento genuíno e íntimo, o que ninguém ou quase ninguém conhece em nós. As pessoas nem têm tido “tempo” para ouvir e acolher, estão vendo memes e filmando e fotografando suas vidas editáveis.
Não quero ser uma luddita, como no movimento de Ned Ludd na Inglaterra que espancava máquinas de fábricas por julgá-las nocivas ao ser humano. A tecnologia sempre é faca de dois gumes, e depende muito de quem “segura o cabo” dela.
Mas gostaria, por fim, de teorizar que muitos de nós, mesmos sem perceber, estamos sofrendo um “burnout de temas (e de redes sociais)”. É como uma droga: quanto mais temos, mais queremos, e o excesso faz cada vez mais mal. São nossos tempos, então o que fazer? Retroceder? Impossível.
Proponho, e acredito que esta circunstância naturalmente se dará em um futuro próximo, que comecemos a nos dedicar mais a dosar nossa presença e nossa persona nas telas. Já há clínicas de rehab de internet, assim como abstinência. Vi um estudo em que tiraram totalmente os smartphones de um grupo de alunos de uma escola nos Estados Unidos, e o resultado testemunhado pelos adolescentes foi: sem mais crises de ansiedade, menos depressão, mais tempo para fazer várias coisas, mais liberdade, mais autoconfiança. É claro, não sem o sofrimento de ficar sem a “algema digital”.
Então, se somarmos o vício, a insegurança e imprevisibilidade dos filtros, a comparação tóxica e o contato constante com o ódio, o resultado final é um colapso. Estou sendo enfática, provavelmente alarmista, mas talvez seja isso mesmo. Um “burnout de telas”.
Nossa mente e corpo estão exaustos, hiperativos, desatentos, exigentes demais, sofremos com dores de cabeça, problemas com sono, desperdício de energia mental e física. Não são novidade os efeitos nocivos da luz azul das telas e do Wi-Fi no hipocampo do cérebro, por exemplo. Pesquisas têm sido feitas.
Concluo, no entanto, que as redes não são o problema em si: é sim nossa relação doentia com elas, e talvez a maioria de nós não esteja mentalmente preparada para hypar tanto e submergir tanto nas redes sociais. Nunca é suficiente. Sempre queremos mais. E podemos ter: daí a exaustão.
Para não sucumbir, precisamos de uma “higiene digital” urgente: limites de tempo, filtros mentais para a comparação e dia ursos de ódio e, acima de tudo, lembrar que a vida real, imperfeita e sem filtro, sem tela, é o único lugar onde a felicidade e o bem-estar realmente acontecem. São as lembranças e os laços emocionais que nos sustentam.
E você, já pensou em dar uma pausa para desintoxicar?
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