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Mais de 11 milhões de mineiros não concluíram educação básica, aponta debate na ALMG

Audiência na Assembleia Legislativa discutiu avanço do analfabetismo, redução da oferta da EJA e dificuldades enfrentadas por estudantes adultos em Minas Gerais.


Minas Gerais enfrenta um dos maiores desafios educacionais do país. Mais de 11 milhões de pessoas no estado não concluíram a educação básica e quase 1 milhão ainda são analfabetas. O cenário foi debatido nesta quinta-feira (21), durante audiência pública da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

O encontro reuniu estudantes, professores, representantes do Ministério da Educação (MEC), especialistas e integrantes do Fórum Estadual Permanente de Educação de Minas Gerais (Fepemg) para discutir os impactos da redução da oferta da Educação de Jovens e Adultos (EJA) no estado.

A audiência foi conduzida pela deputada estadual Beatriz Cerqueira, presidente da comissão.

Minas tem quase 1 milhão de analfabetos

Durante o debate, a coordenadora do Fepemg, Analise da Silva, apresentou dados preocupantes sobre a exclusão educacional em Minas Gerais.

Segundo o levantamento:

  • mais de 11 milhões de mineiros não concluíram a educação básica;
  • quase 1 milhão de pessoas não foram alfabetizadas;
  • 619 escolas municipais estão sem matrículas para EJA.

A modalidade atende pessoas que:

  • têm 15 anos ou mais e não foram alfabetizadas;
  • têm 15 anos ou mais e não concluíram o ensino fundamental;
  • têm 18 anos ou mais e não concluíram o ensino médio.

Especialistas criticam redução da EJA

Representantes da educação afirmaram que a redução de turmas e unidades da EJA agrava a exclusão escolar em Minas Gerais.

Analise da Silva destacou que a ideia de “falta de interesse” dos estudantes adultos não corresponde à realidade enfrentada por esse público.

Segundo ela, fatores como dificuldade de transporte, rotina de trabalho, distância das escolas, falta de alimentação adequada e ausência de políticas de busca ativa afastam milhares de pessoas da sala de aula.

“A gente perde dinheiro porque não investe na formação de sujeitos”, afirmou a coordenadora, ao relacionar a baixa escolaridade a impactos econômicos e sociais.

Estudantes defendem modelo flexível dos Cesecs

Outro tema central da audiência foi a situação dos Centros Estaduais de Educação Continuada (Cesecs), que oferecem ensino com formato mais flexível.

A professora Shirley Santos Oliveira, do Cesec Venda Nova, afirmou que muitos alunos conciliam estudos com jornadas exaustivas de trabalho e responsabilidades familiares.

“Existe um descompasso entre norma e realidade. O resultado é previsível: evasões, interrupções e frustrações”, disse.

O estudante Ademir Paulo Tavares, aluno do Cesec Poeta Murilo Mendes, relatou que voltou a estudar após perceber a necessidade do diploma do ensino médio para crescer profissionalmente.

“Há dias em que chego do trabalho às 20h e não consigo pegar ônibus para ir à aula. O modelo híbrido me ajuda muito”, contou.

Governo e MEC prometem ampliar políticas educacionais

Representantes da Secretaria de Estado de Educação (SEE) e do Ministério da Educação participaram do debate.

A diretora de Ensino Médio da SEE, Vanessa Nicoletti de Oliveira, afirmou que o governo busca alternativas para adequar os Cesecs às normas federais.

Já a diretora de Políticas de Alfabetização e EJA do MEC, Ana Lúcia Sanches, destacou ações do Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo, como:

  • formação de professores;
  • distribuição de materiais didáticos;
  • criação de cadastro nacional da EJA;
  • auxílio financeiro para estudantes por meio do programa Pé-de-Meia.

Segundo ela, mais de 200 mil estudantes da EJA recebem atualmente apoio financeiro federal.

Debate deve resultar em novas propostas

Ao fim da audiência, Beatriz Cerqueira defendeu a construção coletiva de novas regulamentações para a EJA e os Cesecs em Minas Gerais.

A parlamentar criticou decisões tomadas sem diálogo com professores e comunidades escolares e afirmou que investimentos precisam priorizar a educação pública e a valorização dos profissionais da área.

A discussão deve continuar em novas reuniões entre a ALMG, o Conselho Estadual de Educação, o MEC e representantes da sociedade civil.


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