Na madrugada desta terça-feira (14), o Norte de Minas enfrentou mais uma vez os impactos das chuvas intensas. Em Juramento, 29 pessoas foram resgatadas pelo Corpo de Bombeiros após nove casas serem invadidas pela água. Entre as vítimas estavam crianças, idosos e uma mulher grávida. Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram as ruas da cidade submersas, evidenciando a gravidade da situação.
Tragédias e Desafios em Outras Cidades da Região
Em Espinosa, a população ainda tenta se recuperar dos danos causados pelo transbordamento do rio São Domingos no fim de semana. Até o momento, 260 famílias permanecem desalojadas, enfrentando a destruição de suas casas e bens.
Já em Francisco Sá, no povoado São Geraldo, uma família de quatro pessoas precisou ser resgatada após ficar ilhada. A operação de salvamento utilizou o helicóptero Arranjo 06 e contou com o suporte da coordenadoria municipal, que ofereceu abrigo em uma escola local.
Enquanto isso, em Glaucilândia, foi encontrado o corpo de um homem de 29 anos que estava desaparecido desde a última sexta-feira (10). Ele foi levado pela correnteza ao tentar atravessar de carro uma ponte sobre o rio Verde Grande. Segundo familiares, ele estava a caminho da comunidade Rio do Sítio para instalar um forro de PVC. As buscas duraram três dias até a localização da vítima.
Cenário de Alerta Permanente
A chuva intensa continua a preocupar os moradores do Norte de Minas. Com o solo encharcado e previsão de mais tempestades, especialistas alertam para o aumento do risco de deslizamentos e alagamentos.
Segundo Maria Parisi, professora do Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a combinação de terrenos montanhosos, drenagem inadequada e construções irregulares potencializa os riscos. “O relevo montanhoso naturalmente direciona a água das chuvas para as partes mais baixas. Sem planejamento adequado, o resultado são tragédias frequentes”, afirma.
Além disso, ela destaca que muitas moradias são construídas sem fundações adequadas, aumentando a vulnerabilidade em períodos de chuva forte. “Essas estruturas não suportam o peso em solos saturados, o que pode levar a desmoronamentos”, explica.
Ações Necessárias e Caminhos para o Futuro
Para especialistas, o momento exige foco em salvar vidas e retirar moradores de áreas de risco. No entanto, o planejamento a longo prazo é indispensável para evitar que o cenário se repita ano após ano.
Entre as medidas sugeridas estão:
- Mapeamento de áreas de risco geológico para evitar ocupações em locais perigosos.
- Políticas públicas de habitação, priorizando a construção de moradias em terrenos seguros.
- Intervenções estruturais, como instalação de muros de contenção e melhorias na drenagem.
Maria Parisi reforça que ações em áreas de alto risco são caras e complexas. Em alguns casos, a solução mais viável pode ser a remoção definitiva das famílias para locais seguros, com apoio governamental.
Enquanto isso, a chuva segue transformando a beleza das paisagens mineiras em cenários de destruição e luta pela sobrevivência. O desafio de conciliar a proteção das vidas e o enfrentamento dos déficits habitacionais permanece uma questão urgente em Minas Gerais.
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