A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Minas Gerais (OAB-MG) solicitou ao Governo de Minas a suspensão imediata de trechos das novas regras que endurecem o funcionamento de presídios de segurança máxima no estado. O pedido foi formalizado nesta terça-feira (14), após a entidade apontar possíveis violações às prerrogativas da advocacia e ao direito de defesa dos detentos.
As medidas, estabelecidas pelas resoluções 712 e 718/2026 da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG), criam protocolos mais rígidos para unidades prisionais classificadas como de alta complexidade (níveis 4 e 5). Entre as mudanças, estão o monitoramento de conversas entre advogados e clientes, restrições à entrada de materiais de trabalho — como documentos, papel e caneta — e a realização de atendimentos sem contato físico.
“Confidencialidade entre advogado e cliente é pilar do Estado de Direito”
“Restrições podem comprometer o direito de defesa”, alerta OAB-MG
Segundo o presidente da OAB-MG, Gustavo Chalfun, as novas normas geram preocupação institucional. A entidade defende que a comunicação entre advogado e cliente deve ser sigilosa e livre de interferências, conforme garantido pela Constituição.
Durante reunião com o secretário de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais, Rogério Greco, a OAB-MG entregou um ofício técnico solicitando a revisão das medidas. Como encaminhamento, foi definida a criação de uma mesa técnica interinstitucional para discutir ajustes nas normas.
Regras mais rígidas no sistema prisional
As resoluções fazem parte de um plano do Governo de Minas para reforçar o controle sobre detentos considerados de alta periculosidade e integrantes de organizações criminosas. A proposta prevê a criação de uma rede com seis presídios de segurança máxima no estado, incluindo a unidade de Francisco Sá, no Norte de Minas.
Entre as principais mudanças implementadas estão:
- Visitas exclusivamente virtuais ou em parlatórios, sem contato físico
- Monitoramento por áudio e vídeo dentro das unidades
- Proibição da entrada de alimentos e itens de higiene por visitantes
- Uso de bloqueadores de sinal de celular
- Restrições ao acesso de advogados com objetos pessoais e profissionais
De acordo com o secretário Rogério Greco, as medidas seguem padrões já adotados no sistema penitenciário federal e têm como objetivo enfraquecer a atuação de facções criminosas dentro das unidades.
Repercussão e impacto social
As novas regras também geraram reação entre familiares de detentos, especialmente em unidades do interior de Minas Gerais. Relatos apontam preocupação com o fim do contato físico durante visitas, considerado essencial para a manutenção de vínculos familiares.
“Fim do contato físico nas visitas gera indignação entre familiares”
“Medidas endurecem rotina em presídios de segurança máxima”
Especialistas em segurança pública avaliam que o desafio está em equilibrar o combate ao crime organizado com a preservação de direitos fundamentais, como o acesso à Justiça e a dignidade dos detentos.
Debate em Minas Gerais
O tema deve ganhar novos desdobramentos nas próximas semanas, com a instalação da mesa técnica entre OAB-MG e Governo de Minas. A expectativa é que o diálogo busque soluções que conciliem segurança institucional e garantias legais.
Em Belo Horizonte e na Região Metropolitana, o debate repercute diretamente no meio jurídico e levanta discussões sobre os limites da atuação do Estado em ambientes prisionais de alta segurança.
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