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Preço do leite sobe 17,6% no início de 2026 e mercado lácteo dá sinais de recuperação no Brasil

Alta no valor pago ao produtor, avanço dos derivados e aumento dos custos marcam cenário de recuperação gradual da cadeia do leite

O mercado de leite no Brasil começou 2026 em ritmo de recuperação, com aumento expressivo nos preços pagos ao produtor e valorização dos derivados lácteos. Dados divulgados no Boletim do Leite do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) mostram que o preço do leite cru subiu 17,6% no primeiro trimestre deste ano, impulsionado pela menor oferta de matéria-prima no campo.

A recuperação ocorre após um longo período de pressão sobre o setor, marcado por desvalorização dos preços e dificuldades de rentabilidade para os produtores rurais. Apesar da alta recente, os valores ainda seguem abaixo dos registrados em 2025 quando considerados os efeitos da inflação.

Preço do leite ao produtor sobe pelo terceiro mês seguido

Segundo levantamento do Cepea, o preço médio pago ao produtor em março chegou a R$ 2,3924 por litro na chamada “Média Brasil”, avanço de 10,5% na comparação com fevereiro.

Foi o terceiro mês consecutivo de valorização do leite cru, movimento atribuído principalmente à redução da oferta no campo, causada por custos elevados de produção e menor captação em algumas regiões produtoras.

Mesmo com a recuperação, o valor ainda permanece 18,7% abaixo do registrado em março de 2025 em termos reais, considerando o IPCA.

No acumulado do primeiro trimestre de 2026, o leite teve média de R$ 2,2038 por litro, alta de 17,6% frente ao trimestre anterior. Em relação ao mesmo período do ano passado, porém, ainda há queda real de 23,6%.

Derivados lácteos também registram alta

O avanço no preço do leite cru refletiu diretamente nos derivados lácteos comercializados no atacado paulista.

Pesquisa realizada pelo Cepea em parceria com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) aponta que produtos como queijo, leite UHT e manteiga seguiram em valorização durante abril, sustentados pelos estoques mais ajustados e pela menor produção nas indústrias.

A redução na disponibilidade de matéria-prima elevou os custos industriais e limitou o processamento, favorecendo reajustes positivos nos preços ao longo do mês.

Apesar disso, analistas do setor observam que o mercado já começa a apresentar sinais de acomodação, especialmente com a recomposição gradual dos estoques e desaceleração do ritmo de alta em algumas cadeias do segmento lácteo.

Exportações de lácteos caem em abril

O comércio exterior brasileiro de lácteos apresentou retração em abril, com queda tanto nas importações quanto nas exportações.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pelo Cepea, mostram que as importações recuaram 10% frente a março, totalizando 218,38 milhões de litros equivalentes de leite (EqL).

As exportações tiveram queda ainda mais intensa, de 28,67%, somando 3,99 milhões de litros EqL.

O resultado reflete a menor competitividade internacional dos produtos brasileiros e também o aumento da absorção da produção pelo mercado interno, diante da recuperação gradual da demanda doméstica.

Custos de produção seguem pressionando produtores

Mesmo com a melhora nos preços do leite, os produtores continuam enfrentando pressão nos custos de produção.

O Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira avançou 1,10% em abril na média nacional, marcando o quarto aumento consecutivo em 2026. No acumulado do ano, a alta chega a 3,24%.

Entre os principais fatores de pressão estão:

  • alimentação animal;
  • suplementação mineral;
  • gastos com sanidade;
  • operações mecanizadas;
  • aumento do diesel.

O cenário mantém o setor em alerta, já que a recuperação parcial dos preços ainda não foi suficiente para recompor totalmente as margens de rentabilidade dos produtores rurais.

Mercado acompanha comportamento da oferta e consumo

Especialistas do setor avaliam que os próximos meses serão decisivos para confirmar a consolidação da recuperação do mercado lácteo brasileiro.

A tendência dependerá principalmente do comportamento da oferta de leite nas propriedades rurais, da demanda interna por derivados e da evolução dos custos de produção, especialmente ligados à alimentação do rebanho e combustíveis.


Leia mais: Preço do leite sobe 17,6% no início de 2026 e mercado lácteo dá sinais de recuperação no Brasil

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