Cubanos que participaram do programa Mais Médicos entre 2013 e 2018 contaram à revista Oeste que o trabalho no Brasil significou, para muitos, viver sob vigilância permanente, ter boa parte do salário confiscado e enfrentar ameaças contra suas famílias em Cuba.
Segundo relatos, médicos como Maireilys Álvarez Rodríguez e Alioski Ramírez Reyes descobriram que, dos cerca de R$ 12 mil pagos pelo governo brasileiro, apenas 25% a 40% lhes eram destinados — o restante era apropriado pela ditadura cubana, com uma parte ainda retida pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).
Maireilys, designada para Santa Rita (MA), relatou que morava em alojamento coletivo, não podia alugar residência nem trazer sua família — medida usada como forma de coação pela ditadura. Conseguiu, via liminar, trazer seus filhos e marido e hoje reside no Paraná.
Alioski disse ter assinado contrato em Cuba por cerca de R$ 3 mil — sem saber da verdadeira remuneração. Quando colegas iniciaram processos judiciais, ele foi confundido com dissidente, ameaçado de cassação de diploma e perseguição à família. Após trabalhar como cobrador de ônibus e gerente de farmácia, valia-se do Revalida para tentar voltar à medicina no Brasil.
Contexto e repercussão internacional
Os Estados Unidos reagiram com sanções: revogaram vistos de ex-funcionários do Ministério da Saúde brasileiro e da Opas apontados como facilitadores do esquema. O Departamento de Estado chamou o programa de “esquema coercitivo de exportação de trabalho forçado”, afirmando que isso enriquecia o “regime cubano corrupto” à custa do povo cubano.
A revogação incluiu os nomes de Mozart Julio Tabosa Sales e Alberto Kleiman, que integraram a gestão do programa durante o governo Dilma Rousseff.
Defesas e contrapontos
A Associação de Médicos Cubanos no Brasil (Aspromed) repudiou as sanções, defendendo que muitos médicos permaneceram por opção e criaram vínculos importantes no Brasil — com cerca de 63 milhões de atendimentos realizados pelos cubanos, segundo a entidade.
Já entre especialistas brasileiros, a opinião é dividida: enquanto alguns apontam o programa como essencial para reduzir o déficit de atendimento à atenção básica — com impacto positivo em áreas remotas e populares — outros alertam que a maior parte dos recursos foi apropriada pela diplomacia cubana, desvirtuando a finalidade colaborativa original.
Impacto crítico e legado do programa
O Mais Médicos foi criado em 2013 para suprir carências médicas no interior e periferias, chegando a atender mais de 66 milhões de brasileiros. Mesmo após a saída da cooperação com Cuba em 2018, o programa se adaptou e continuou com profissionais brasileiros e estrangeiros em editais públicos.
Contudo, os relatos de exploração e a pressão internacional reacenderam o debate sobre os limites entre cooperação e violação de direitos humanos em programas de saúde internacional.
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