A inadimplência entre produtores rurais brasileiros atingiu 8,1% no segundo trimestre de 2025, o maior índice desde o início da série histórica da Serasa Experian, em 2022. O dado revela um agravamento gradual das dificuldades financeiras no setor, que enfrenta altos custos de produção, oscilações nos preços das commodities e crédito mais caro.
Segundo o levantamento divulgado nesta quarta-feira (12), o percentual representa alta de 0,3 ponto percentual em relação ao trimestre anterior e 1,1 ponto em comparação com o mesmo período de 2024.
“Os indicadores apontam uma piora lenta, porém contínua, na capacidade da população rural de manter-se adimplente”, afirmou Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian.
Crédito caro e volatilidade de preços pressionam o produtor
De acordo com a Serasa, o cenário é reflexo do aumento dos juros e da retração nas margens de lucro de pequenos e médios produtores. Com a taxa Selic mantida em 15% e o crédito rural mais restrito, o fluxo de caixa das propriedades vem sendo afetado desde 2023.
Além disso, a queda nas cotações da soja e do milho, principais commodities de exportação, reduziu a rentabilidade em várias regiões do país. A alta nos custos de insumos e energia elétrica também tem pressionado os balanços financeiros.
“O acompanhamento constante do perfil de crédito é essencial para evitar que produtores se alavanquem além da capacidade operacional”, reforçou Pimenta.
Quem mais sofre com a inadimplência
A análise mostra que produtores sem registro formal de cadastro rural — como arrendatários ou pequenos empreendedores familiares — são os mais afetados, com inadimplência de 10,5%.
Na sequência aparecem os grandes produtores (9,2%), os médios (7,8%) e os pequenos (7,6%).
O estudo também aponta diferenças regionais significativas. O Amapá lidera o ranking de endividamento, com 19,5% de inadimplentes. Já o Rio Grande do Sul tem o melhor desempenho, com apenas 4,9%.
| Estado | Inadimplência (%) |
|---|---|
| RS | 4,9 |
| SC | 5,6 |
| PR | 5,7 |
| SP | 6,7 |
| MG | 6,8 |
| AP | 19,5 |
Crédito público e risco judicial
O aumento da inadimplência preocupa bancos públicos. O Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal, principais financiadores do agronegócio, registraram forte deterioração na carteira rural em 2025.
No BB, a taxa de atrasos acima de 90 dias chegou a 4,21%, enquanto na Caixa o índice saltou para 7,02% no segundo trimestre. As duas instituições atribuem parte do problema a “comportamentos oportunistas” e ao aumento de pedidos de recuperação judicial no setor.
“Há situações criadas por quem incentiva empresas a entrarem em recuperação judicial, o que é ruim para todos”, declarou Carlos Antônio Vieira, presidente da Caixa.
A presidente do BB, Tarciana Medeiros, também criticou a chamada “litigância abusiva” e afirmou que o banco poderá acionar judicialmente escritórios de advocacia que incentivam produtores a recorrerem à recuperação judicial.
Perspectivas para 2026
Apesar do quadro atual, analistas acreditam que o índice de inadimplência deve começar a recuar em 2026, impulsionado pela renegociação de dívidas rurais e pela recuperação dos preços agrícolas internacionais.
Segundo Vieira, da Caixa, “o ponto mais alto da inadimplência já foi alcançado” e a tendência é de melhora gradual a partir do primeiro trimestre do próximo ano.
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