O ano de 2026, marcado por eleições gerais no Brasil, deve registrar o menor crescimento econômico do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, iniciado em 2023. A avaliação é de analistas do mercado financeiro, que apontam um cenário de desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB), ainda que sem impactos severos sobre inflação e emprego.
Sem o mesmo impulso da agropecuária observado em anos anteriores e com a taxa básica de juros (Selic) ainda em patamar elevado, a economia brasileira deve crescer menos em relação a 2025. De acordo com o boletim Focus, divulgado recentemente pelo Banco Central, a projeção mediana aponta crescimento de 1,8% do PIB em 2026, após uma alta estimada de 2,26% em 2025. O resultado oficial de 2025 será divulgado pelo IBGE apenas em março.
Para especialistas, o desempenho só não será mais fraco em razão de estímulos econômicos adotados pelo governo federal, como políticas de crédito, programas sociais e investimentos públicos.
“O Brasil vive um processo de desaceleração, mas que não deve provocar grande mal-estar social. A inflação tende a ficar abaixo do teto da meta e o desemprego deve permanecer relativamente baixo. É um cenário bem diferente do observado após a recessão de 2015 e 2016”, avalia Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.
Segundo ele, o PIB deve avançar cerca de 1,5% em 2026, depois de crescer 2,1% em 2025. Para a inflação oficial, medida pelo IPCA, a projeção é de 4,2% em 2026, após 4,4% em 2025. O dado fechado da inflação de 2025 será divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (9).
Inflação sob controle e juros ainda altos
As projeções do mercado indicam que a inflação deve permanecer abaixo do teto da meta de 4,5% estabelecida pelo Banco Central. A mediana das estimativas aponta IPCA de 4,05% em 2026, após 4,32% no ano anterior.
Apesar disso, analistas alertam que os preços dos alimentos podem voltar a acelerar no próximo ano, depois do alívio observado em 2025, impulsionado por uma safra recorde e pela valorização do real frente ao dólar.
Por outro lado, a manutenção dos juros elevados tende a conter a inflação de serviços. A expectativa é de que a Selic, atualmente em 15% ao ano, comece a cair no fim do primeiro trimestre de 2026, mas ainda encerre o ano eleitoral em dois dígitos. O Focus projeta juros de 12,25% ao final de 2026.
“O recuo da inflação está muito ligado à desaceleração da atividade econômica e à menor pressão dos serviços, além de um cenário ainda favorável para bens importados”, explica Rafael Cardoso, economista-chefe do banco Daycoval.
A instituição projeta crescimento de 1,7% do PIB em 2026, após alta de 2,2% em 2025, e inflação de 4,1% no ano eleitoral.
Mesmo com a perda de fôlego da economia, o cenário desenhado pelos analistas indica estabilidade no mercado de trabalho, o que pode reduzir os efeitos políticos negativos da desaceleração em um ano decisivo para o governo federal.
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