20.9 C
Belo Horizonte
InícioBrasil & MundoLula veta projeto que mudava penas do 8 de Janeiro e acirra...

Lula veta projeto que mudava penas do 8 de Janeiro e acirra embate com o Congresso

Decisão barra alteração na dosimetria, que poderia beneficiar Jair Bolsonaro e outros condenados, e leva oposição a articular derrubada do veto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integralmente, nesta quinta-feira (8), o projeto de lei que alterava a dosimetria das penas aplicadas aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A proposta, aprovada por ampla maioria no Congresso Nacional com apoio do Centrão e da oposição bolsonarista, previa mudanças na Lei de Execução Penal e poderia reduzir significativamente o tempo de prisão de investigados e condenados, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O veto foi anunciado durante cerimônia no Palácio do Planalto que marcou os três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes. Em discurso, Lula afirmou que a iniciativa do Congresso era inconstitucional e representaria um risco à democracia ao suavizar punições para crimes contra o Estado Democrático de Direito. Segundo o presidente, a medida poderia abrir precedente perigoso e estimular novas investidas autoritárias.

A decisão aprofundou o confronto entre o Executivo e o Legislativo. Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não compareceram ao evento. Ao final do ato, Lula desceu a rampa do Planalto para cumprimentar apoiadores, em um gesto político interpretado como sinalização ao eleitorado em um ano de forte disputa política.

O que previa o projeto vetado

A proposta alterava regras da dosimetria penal ao extinguir a soma das penas para os crimes de golpe de Estado e abolição do Estado democrático de direito, fazendo prevalecer apenas a punição mais grave, de 4 a 12 anos. Também reduzia o tempo para progressão de regime em crimes sem violência contra a vida para um sexto da pena.

Na prática, Jair Bolsonaro — condenado a 27 anos e três meses de prisão e atualmente em regime fechado em dependência da Polícia Federal, em Brasília — poderia ter o tempo em regime fechado reduzido de cerca de seis a oito anos para algo entre dois anos e quatro meses e quatro anos e dois meses. Familiares e advogados do ex-presidente ainda pleiteiam a conversão da pena em prisão domiciliar, alegando problemas de saúde.

O texto também previa redução de um terço a dois terços das penas para crimes cometidos em contexto de multidão, regra que não se aplicaria a Bolsonaro, apontado como líder da tentativa de golpe.

Reação imediata da oposição

A oposição reagiu rapidamente ao veto. O líder oposicionista na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), classificou a decisão como “ato de crueldade” e “vingança política”, acusando o governo de desrespeitar o princípio constitucional da individualização da pena. Ele convocou parlamentares e apoiadores a pressionarem pela derrubada do veto na primeira sessão do Congresso Nacional.

No Senado, o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que o governo mantém condenados presos por revanchismo e se recusa a discutir medidas de clemência em nome da pacificação nacional. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou que o Planalto prioriza disputas ideológicas e prometeu atuar para reverter a decisão. Já o deputado Luciano Zucco (PL-RS) acusou o governo de transformar o 8 de janeiro em “espetáculo midiático” e perseguir adversários políticos.

Críticas também no Centrão

O relator do projeto na Câmara, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), afirmou que o Congresso havia construído um amplo acordo em torno da proposta e que o veto ignorou esse entendimento. Segundo ele, a dosimetria não se confunde com anistia, mas busca penas proporcionais. Para o parlamentar, a decisão do presidente reabre tensões institucionais e projeta uma imagem negativa do país no exterior.

Impacto político e cenário eleitoral

Levantamento da Quaest divulgado em dezembro apontou que 47% dos brasileiros desaprovam o projeto vetado, enquanto 24% o apoiam e 19% defendem penas ainda menores. Para 58% dos entrevistados, o principal objetivo da proposta era reduzir a pena de Bolsonaro.

Apesar da expectativa de que o Congresso derrube o veto — prática recorrente quando o governo contraria interesses do Centrão —, o gesto de Lula é visto por aliados como uma tentativa de demarcar posição clara na disputa política e eleitoral. O tema também mobiliza lideranças da oposição com pretensões presidenciais, como Flávio Bolsonaro, e governadores como Romeu Zema (MG), Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Junior (PR) e Eduardo Leite (RS), que defendem mudanças na dosimetria, ainda que por caminhos distintos.

Com o veto, o embate entre Planalto e Congresso tende a se intensificar, recolocando o debate sobre punição, anistia e pacificação institucional no centro da agenda política nacional.

::: CLIQUE AQUI  E ENTRE PARA O NOSSO GRUPO NO WHATS APP :::

Leia mais: Lula veta projeto que mudava penas do 8 de Janeiro e acirra embate com o Congresso

Acidente Assassinato Belo Horizonte Betim BR-040 BR-251 BR-262 BR-365 BR-381 Contagem Corpo de Bombeiros Crime Cruzeiro Divinópolis Governador Valadares Grande BH Ibirité Ipatinga Itabira João Monlevade Juiz de Fora Lula Minas Gerais Montes Claros Nova Lima Patos de Minas Polícia Civil Polícia Federal Polícia Militar Polícia Militar Rodoviária Polícia Rodoviária Federal Pouso Alegre Previsão do Tempo Ribeirão das Neves Sabará Samu Santa Luzia Sete Lagoas Triângulo Mineiro Tráfico Uberaba Uberlândia Vale do Rio Doce Vespasiano Zona da Mata mineira

RELACIONADOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui