Como é bom, ao menos de vez em quando, ler “livro de criança”, e aprender coisas de um jeito simples e empático. Em seu livro “O que eu sinto?”, voltado ao público infanto-juvenil (mas a qualquer um que esteja interessado em se entender melhor e aos outros), Gustavo Papas Farias nos apresenta às principais emoções (sentimentos) do ser humano. O autor nos fala de amor, raiva, tristeza, alegria, gratidão, angústia, preguiça, ansiedade, curiosidade, inveja, timidez, medo, saudade, culpa e gentileza. O amor é o maior tema da vida e da arte, certamente, e eivado de outras emoções; porém, quero tratar um pouco especialmente da raiva, sentimento tão “em voga” na belicosa e polarizada sociedade brasileira atual, notadamente nas redes sociais. A raiva faz mal a saúde física e mental.
Em primeiro lugar precisamos saber que, como sublinha Papas em sua obra didática, sentir raiva não é necessariamente errado. No entanto, a maneira como expressamos a raiva pode ser nociva, tanto a nós mesmos como às pessoas ao nosso redor. O mais importante é saber identificar essa emoção ou esse sentimento para aprender a lidar melhor com suas expressões. Você e eu podemos até utilizar a raiva como motivação para empreender uma boa causa ou para sair de uma situação incômoda. Ou pode ser só perda de tempo ou ego ferido.
O QUE É A RAIVA?
Além daquela doença transmitida por algumas espécies hematófagas de morcegos (sugadores de sangue), a raiva é um sentimento humano, demasiado humano. E reprimi-la ou negá-la dentro de nós mesmos pode ser ainda pior que extravasá-la de modo pouco responsável ou oportuno. A raiva pode começar guerras mundiais e manter ditaduras.
Em geral, a raiva resume sentimentos de protesto, insegurança, frustração ou timidez contra algo ou alguém, conforme explica Gustavo Papas em seu livro. Para além disso, a raiva se insurge, sempre feroz, e em diferentes graus, quando nos sentimos ameaçados ou em franco perigo. É claro que se sentir ameaçado não significa estar sob ameaça real, factível, observável.
Daí entram nossos gatilhos mentais, nossos traumas, as características da personalidade de cada um de nós: uns são mais irascíveis, propensos a raiva ou ira, outros, menos. Novamente, levando em conta o histórico pessoal: algo ou alguém pode me afetar muito e me deixar extremamente enraivecido, enquanto que a você não, e vice-versa.
Por isso, devemos evitar julgar (tanto) as pessoas; não entendemos de fato o que se passa no interior delas e por quê — nem elas mesmas entendem, muita das vezes, que o autoconhecimento é um caminho tortuoso, longo e repleto de incertezas. Além de, como sujeitos amplíssimos, estarmos sempre vulneráveis a mudanças, perceptíveis por nós próprios e pelos outros, em pensamentos e comportamentos.
A raiva não raro emerge quando nos lembramos de alguém ou de uma situação; ou quando vicejamos o futuro, o que esperamos dele. Somos retalhos de entre o que foi e o que há de vir.
RAIVA E FISIOLOGIA
O corpo responde a todas as nossas emoções.
Se com raiva, o coração bate mais rápido, a respiração acelera, a pressão arterial sobe, os músculos ficam tensos, e podemos até ter sudorese, enjoos, náuseas, tonturas, sensação de sufocamento, etc. Maior cuidado devem ter pessoas idosas, com problemas cardíacos como pressão alta, ou que se irritam facilmente: um “ataque de raiva” pode desencadear um infarto ou um AVC (derrame). Ou “apenas” estragar muitas coisas ou relações que você levou muito tempo para construir.
Destarte que cada ser humano reage diferentemente à raiva: alguns tendem a uma vontade incontrolável de brigar, ou até gritar; outros, simplesmente ir embora ou então se calarem. Alguns costumam deixar a raiva facilmente se esvair; outros, remoem-na e a transformam nos “venenos” rancor, ressentimento e mágoa, por exemplo. E até em um sentimento obstinado de vingança.
Mas, mais uma vez: sentir raiva não é errado e é humano. Todavia, irar-se toda hora ou por coisas mínimas é um péssimo hábito. Precisamos, mesmo que seja difícil — e costuma ser — aprender a lidar com a nossa raiva e “as raivas do mundo”. Como dizem, não se deve fazer ou dizer nada de “cabeça quente”. Como no livro de Provérbios, na Bíblia Sagrada, “a palavra branda desvia o furor”, ou, “não jogue mais lenha na fogueira” (se possível for).
DOMANDO O “CAVALO SELVAGEM”
A raiva, que, como vimos, é natural do ser humano e nem sempre é evitável ou indevida, é no entanto sempre perigosa. É como um cavalo selvagem correndo solto por dentro de nós. Difícil de domar.
Eu sei: ver injustiças, agressões e tanta crueldade e falsidade neste mundo (e em nós, será?) provoca indignação, inconformidade, raiva. Só que somos responsáveis por nossos atos e reações. Arcaremos com as consequências — de algumas delas nem ficaremos sabendo, não diretamente.
Controlar a raiva, e controlar outras emoções e sentimentos (paixões, como na Filosofia clássica) sempre foi essencial para a vida pessoal e profissional. Ou você controla seus impulsos, ou eles o controlarão, e provavelmente o destruirão.
É possível controlar — ao menos em parte — a raiva. Que não brota apenas de nós mesmos, mas, tal qual pestilência, da sociedade, tal qual do conturbado contexto brasileiro mencionado, que, é claro, é só um exemplo bem próximo de nós brasileiros.
A questão é: como conter o “cavalo selvagem” da raiva?
Em primeiro lugar, e de forma redundante: “conhece-te a ti mesmo”, ecoam os imemoriais filósofos gregos. Não tenho a pretensão de que nenhum de nós venha a se conhecer a ponto de ser totalmente previsível a si mesmo e aos outros — e isso seria enfadonho. No entanto, saber por que agimos como agimos, quais nossas fraquezas e coisas mal-resolvidas é um belo começo.
Mas por onde realmente começar? Terapia, talvez. Leituras e informações sobre comportamento humano, como esta que ensejo estar fazendo para todos nós.
Todo mundo precisa de curas, de autocontrole, de novas visões e de adaptação a mudanças, pessoas, situações, à vida que se move rápida como um organismo vivo e instável. Viver é ter medo, tristeza e raiva. Viver é sentir.
Podemos controlar a raiva (que muitas vezes é só uma expressão do medo ou da tristeza) com técnicas de relaxamento: respire fundo, conte até dez, pense se aquilo realmente vale seu desgaste, ou quanto desgaste vale. O que você pode fazer para não sentir tanta raiva? Nem sempre é possível deixar de lado o que e onde nos irrita. Por que eu me desequilibro tanto com isto ou aquilo?
Todo sentimento humano é válido e não merece ser defenestrado: não escolhemos o que sentir, apenas o que fazer com o que sentimos. Temos muitas camadas, um tal de subconsciente bem recôndito e, em média, 8 a 10 bilhões de neurônios e mais de um quadrilhão de ligações nervosas no nosso cérebro. Isso é fantástico e mostra a complexidade de ser.
Em suma: procurar sempre conhecer melhor, colocando-se em primeiro lugar. Quem não está bem não pode fazer os outros se sentirem bem, não além da superfície. Há coisas pelas quais pode ser útil ter raiva e, a partir dela, agir. Por tantas outras, não. E há a reação mais apropriada a cada circunstância: falar ou calar.
Ah, mas que difícil é saber o que eu sinto e ainda mais por que eu sinto! Seja eu uma criança ou um adulto, ou talvez ambos, como a infância que no profundo nunca se vai. E não é só idade. Um pós-doutor ou um analfabeto podem não se conhecerem, não compreenderem quem são e por que têm raiva.
Conheçamos o que e quem nos faz bem, mudemos o que pudermos, diferenciemos umas coisas das outras (isso sim é difícil! Jornada de vida).
Respire fundo e siga. Sempre siga. Quanto mais você se conhece (de verdade), menos a opinião dos outros importa. Mas, às vezes, há um laivo de realidade no que mais desperta sua raiva: uma voz rouca demandando novas atitudes.
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