Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras identificou que o governo da Bahia transferiu cerca de R$ 140 milhões para a Associação dos Servidores da Saúde do Estado (Asseba), entidade que, segundo o documento, possui vínculos com o ex-diretor do Banco Master, Augusto Lima.
O relatório, encaminhado à Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado e divulgado pela imprensa, aponta que parte significativa desses recursos foi posteriormente direcionada ao próprio Banco Master e a empresas ligadas ao ex-executivo.
Origem dos recursos
De acordo com o levantamento, a Secretaria da Fazenda da Bahia foi responsável por cerca de R$ 65 milhões em transferências diretas à Asseba. Outros R$ 74,1 milhões vieram de fundos de pensão de servidores estaduais, além de R$ 150 mil repassados por estatais.
No total, os recursos públicos representaram mais de 80% da receita declarada pela associação no período analisado, que somou R$ 168,7 milhões.
Destino dos valores
O Coaf aponta que R$ 101,3 milhões foram transferidos ao Banco Master. Outros R$ 21,7 milhões seguiram para empresas associadas a Augusto Lima, incluindo companhias de serviços administrativos e processamento de dados. Também foram identificados pagamentos a terceiros, como honorários destinados a um escritório de advocacia ligado a um executivo do banco.
Indícios de irregularidades
O relatório destaca movimentações consideradas atípicas, como entradas seguidas de saídas rápidas de recursos e pagamentos sem justificativa clara. Segundo o Coaf, esse padrão pode indicar uso da entidade para circulação financeira sem finalidade aparente.
A investigação também menciona possível ligação operacional entre a Asseba, o Instituto Terra Firme — apontado como responsável pela gestão da associação — e empresas ligadas ao ex-diretor do banco.
Investigações em andamento
O caso também é alvo de apuração da Polícia Federal, que identificou indícios de compartilhamento de contatos e estruturas entre as entidades envolvidas. As investigações fazem parte da chamada Operação Compliance Zero, que apura possíveis irregularidades na geração de carteiras de crédito.
Segundo estimativas citadas no relatório, bilhões de reais em títulos considerados irregulares teriam sido originados nesse contexto.
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