Um relatório da Polícia Federal revelou que a facção criminosa Comando Vermelho (CV) ordenou uma trégua temporária em crimes como roubos e confrontos armados durante a reunião do G20 no Rio de Janeiro, em fevereiro deste ano. A decisão partiu de Naldinho, um dos chefes da facção, preso há mais de 10 anos e condenado a mais de 50 anos por homicídio e tráfico.
O comunicado, chamado de “salve”, foi enviado no dia 22 de fevereiro — data em que ministros das Relações Exteriores das 20 maiores economias do mundo se reuniram na Marina da Glória. Na mensagem, Naldinho relata que um “representante das autoridades” procurou a liderança do CV para pedir uma trégua de sete dias. O objetivo seria evitar incidentes que pudessem comprometer a segurança e a imagem do evento internacional.
“Demonstraram respeito por nós, e por isso decidimos atender o pedido. Está decretado: sem guerras, sem roubos por sete dias”, escreveu Naldinho aos comparsas, num texto mais brando após consulta ao traficante Doca, chefe do Complexo da Penha, que revisou a mensagem original — esta terminava com ameaças a quem desobedecesse.
Além da trégua, o relatório da PF revela detalhes sobre o funcionamento da facção, como alianças com rivais, rifas de fuzis AR 5,56 por R$ 500 o número, e a tentativa frustrada de construção de um túnel para fuga em massa no Presídio Vicente Piragibe. O dinheiro da “obra”, R$ 20 mil, teria saído do caixa do próprio CV.
Diante da gravidade das descobertas, a PF, o Ministério Público e a Polícia Civil pediram a transferência de Naldinho para um presídio federal, fora do Rio. A Justiça ainda não decidiu.
O caso escancara o nível de articulação e influência que o Comando Vermelho ainda exerce de dentro do sistema prisional e sua capacidade de diálogo informal com agentes do governo ao crime.




