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Atropelamentos disparam em Belo Horizonte e expõem risco diário para pedestres no Centro da capital

Capital mineira registra média de três atropelamentos por dia em 2026; especialistas apontam falhas de infraestrutura, desatenção e trânsito intenso como fatores críticos

A sequência de atropelamentos registrados nos últimos dias em Belo Horizonte acendeu um alerta sobre a segurança viária na capital mineira. Somente entre janeiro e maio de 2026, a cidade contabilizou ao menos 501 atropelamentos, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde com base nos atendimentos realizados pelo Samu. A média é de cerca de três ocorrências por dia.

Os casos recentes envolvendo ônibus na Região Central reforçaram a preocupação de especialistas e moradores. Em menos de uma semana, três atropelamentos com coletivos foram registrados no hipercentro da capital, dois deles com vítimas fatais.

O caso mais recente ocorreu na manhã de quinta-feira (14), na Avenida Afonso Pena, esquina com Rua Tamoios. O motorista de aplicativo Bruno de Freitas Gomes de Souza, de 32 anos, morreu após ser atingido por um ônibus da linha 9204 (Santa Efigênia/Estoril). Segundo a Polícia Militar, ele estava em um carro quando o celular caiu na via. Ao descer para buscar o aparelho, acabou atropelado pelo coletivo.

O acidente provocou interdição de faixas da avenida e congestionamento no Centro de Belo Horizonte durante parte da manhã.

A BHTrans informou que o ônibus estava com a autorização de tráfego regularizada e que agentes de trânsito atuaram na sinalização e apoio à ocorrência.

Região Central concentra atropelamentos em BH

Dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp) mostram que Belo Horizonte registrou 378 atropelamentos apenas no primeiro quadrimestre deste ano. A área central concentra parte significativa dessas ocorrências.

Somente em 2026, o Centro da capital já soma 66 atropelamentos — cerca de 13% dos casos registrados na cidade. Em 2025, foram 162 ocorrências na região central, enquanto em 2024 o número chegou a 142.

Entre as vias mais perigosas para pedestres em Belo Horizonte, a Avenida Afonso Pena lidera o ranking histórico, com 624 atropelamentos desde 2015. Em seguida aparecem a Avenida Amazonas, com 568 registros, e o Anel Rodoviário, com 554 casos.

Especialistas apontam falhas na infraestrutura e desatenção

Para especialistas em mobilidade urbana e segurança viária, os atropelamentos são resultado de uma combinação de fatores.

O professor Agmar Bento, do Departamento de Engenharia de Transportes do Cefet-MG, afirma que o grande fluxo de veículos e pedestres, aliado à pressa cotidiana, aumenta o risco de acidentes no hipercentro.

Segundo ele, problemas de infraestrutura também contribuem para o cenário.

“Há falta de semáforos adequados para pedestres e o tempo de travessia muitas vezes é insuficiente, especialmente para idosos e pessoas com mobilidade reduzida”, explica.

O doutor em Engenharia de Transportes Frederico Rodrigues também destaca a necessidade de atenção constante tanto por parte dos motoristas quanto dos pedestres.

“O Centro de Belo Horizonte é uma região extremamente movimentada. Todos os usuários da via precisam estar em estado de vigilância permanente para evitar tragédias”, afirma.

Ônibus e pontos cegos aumentam risco de acidentes

Outro fator apontado pelos especialistas é a dificuldade de visibilidade dos motoristas de ônibus, principalmente em avenidas largas e cruzamentos movimentados.

Na última semana, uma idosa de 80 anos morreu atropelada por um ônibus da linha 9202 (Pompéia/Jardim América), na Avenida Amazonas com Rua Padre Belchior. Segundo relato do motorista aos bombeiros, outro coletivo ao lado teria dificultado a visualização da vítima durante a travessia.

Além disso, engenheiros de trânsito alertam para o chamado “ponto cego” dos ônibus, especialmente em cruzamentos e conversões, situação que exige ainda mais cautela de motoristas e pedestres.

Medidas adotadas ajudaram a reduzir riscos

Apesar dos números preocupantes, especialistas avaliam que algumas intervenções urbanas implantadas nos últimos anos ajudaram a evitar um cenário ainda mais grave.

Entre as medidas consideradas positivas estão:

  • proibição de conversões diretas na Praça Sete;
  • implantação de travessias elevadas;
  • ampliação de áreas exclusivas para pedestres;
  • fechamento de quarteirões no hipercentro;
  • reforço na sinalização viária.

Ainda assim, profissionais da área defendem novos investimentos em mobilidade urbana, educação no trânsito e melhorias na travessia de pedestres para reduzir os índices de atropelamentos em Belo Horizonte.

Veja os números de atropelamentos em BH

PeríodoBelo HorizonteRegião Central
20241.789142
20251.520162
2026*50166

*Dados referentes ao período entre janeiro e 11 de maio de 2026.

Leia mais: Atropelamentos disparam em Belo Horizonte e expõem risco diário para pedestres no Centro da capital

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