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SEMANA DOS PROFESSORES – De rejeitada a professora: a história de superação de Cissa na dança

Cissa, Maria Cecília Mourão, transforma o "não" em palco e prova que a dança é para todos, superando a deficiência visual e o preconceito para se tornar uma aclamada professora.

Aos oito anos, Maria Cecília Mourão, carinhosamente conhecida como Cissa, teve seu primeiro encontro com a dança. O que era para ser um momento de descoberta e alegria se tornou, inicialmente, uma experiência de profunda rejeição, mas que, ironicamente, pavimentou o caminho para uma carreira brilhante e inspiradora.

Para Cissa, a dança é um dos maiores presentes da vida. “Eu tenho a dança como o maior presente que eu já pude viver, um dos maiores, porque eu sou uma pessoa com deficiência visual e eu não tive um caminho fácil na dança,” conta. Sua jornada é um poderoso testemunho de que “todo mundo pode dançar,” e a dança, ela enfatiza, “é para todo mundo.”

A iniciativa veio de sua mãe, que buscava para a filha uma atividade de lazer e socialização. A escolha foi o jazz, em uma escola de dança próxima de casa. Cissa, então com pouca idade, esperava a aula experimental com a ansiedade de um grande acontecimento.

O Espelho da Exclusão

O dia da aula, porém, marcou Cissa de uma forma inicialmente dolorosa. “Eu apenas existi ali naquela aula. Eu não pertenci,” lembra. A professora não se aproximou, não houve acolhimento. As outras meninas da turma, na época, mantiveram distância. Cissa sentiu-se transparente.

O golpe veio no final. Quando sua mãe, cheia de expectativas, perguntou em qual turma Cissa entraria, a resposta da professora foi fria e direta: “Em nenhuma. Ela não enxerga, ela vai dançar, corre.” A falta de tato e o preconceito foram chocantes. “A professora não teve… o ponto importante da inclusão é a aproximação, é o acolhimento,” reflete Cissa.

Desolada e com a filha pela mão, a mãe de Cissa saiu da escola. Ao entrar em casa, ela desabou a chorar. Em meio às lágrimas e batendo na mesa, proferiu uma frase que se tornou o motor da superação: “Ela vai dançar, ela vai dançar.”

A Virada de Chave: O Acolhimento de Irma Bruschi

A família Mourão não desistiu. Este é, para Cissa, o “grande pilar” da virada: a comunicação e o acolhimento da família. Seus pais buscaram uma nova referência, uma pessoa que realmente apostasse no talento da menina. Encontraram Irma Bruschi, uma figura consagrada no cenário da dança em Belo Horizonte, que se tornou a chave para o recomeço.

“Minha mãe chegou e contou tudo o que aconteceu,” relata Cissa. A resposta de Irma foi o oposto do preconceito: “Não, o que que a pouca visão dela vai interferir na dança dela? Nada pode levar, tá?”

Para Cissa, a atitude de Irma Bruschi em 1992 foi um ato de coragem e pioneirismo, num tempo em que pouco se falava sobre inclusão. “Ela confiou, assim, em mim. Ela foi muito corajosa,” afirma Cissa.

O recomeço foi um sucesso. Cissa desenvolveu-se rapidamente, solidificando sua base clássica, embora sua especialidade hoje seja a dança de salão, incluindo também danças folclóricas e jazz. Ela fez parte de grupos de dança e teve sua formação integralmente na escola de Irma Bruschi.

Professora Sem Espelho

Aos 13 anos, Cissa declarou à mãe seu desejo de ser professora de dança. A mãe, ainda receosa com a memória do passado, questionou: “Como? Se você não enxerga as meninas do espelho.”

A resposta de Cissa foi uma lição de equidade e pedagogia inclusiva: “E quem diz que eu preciso enxergar as meninas do espelho? Para eu ministrar uma aula de dança, eu posso andar por elas.”

Cissa explica que o “espelho” de sua sala de aula não é de vidro, mas sim sua presença e a proximidade com o aluno. “Eu posso não ter um espelho na sala pra ensinar meu aluno. Mas você se faz espelho, com certeza. Essa é a questão,” resume.

Quatro anos após essa conversa, aos 17, Cissa conquistou seu primeiro emprego: professora de jazz em um estúdio. A menina que foi rejeitada por não enxergar, hoje ensina a enxergar a dança para seus alunos, fazendo da deficiência não um obstáculo, mas um diferencial em sua forma de lecionar.

A história de Cissa, Maria Cecília Mourão, é a prova viva de que a rejeição pode ser o estopim da revolução. Se ela e sua mãe tivessem acreditado na primeira professora, “a Cissa não seria a Cissa.” Hoje, ela é uma profissional de referência, que fez do palco do preconceito, o palco da sua vida, provando, a cada passo de dança, que a força para realizar um sonho está, primeiramente, na fé da família e na coragem de quem decide apostar no potencial humano, independente das barreiras.


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