Se o século XIX foi a Era do Tédio para muitos, talvez o século XX tenha sido uma transição para a Era da Hiperatividade dos nossos dias. Vivemos em tempos em que o silêncio e o ócio se tornaram artigos de luxo — e mais, muitas vezes são desprezados. Se observarmos ao nosso redor em um restaurante, no metrô ou até mesmo na sala de estar de nossas casas, veremos com frequência a mesma cena: pessoas fisicamente presentes, mas mentalmente fragmentadas entre notificações de redes sociais, e-mails de trabalho e vídeos curtos que se sucedem infinitamente. Parece necessário manter a mente hiperativa, e ao mesmo tempo distraída, e estar fazendo várias coisas o tempo todo.
Não é apenas uma curiosidade sociológica, mas um alerta sobre a nossa saúde mental e a qualidade das nossas relações, inclusive com nós mesmos.
A Ilusão do Multitasking e a Economia da Atenção
Sabemos que o cérebro humano, apesar de sua complexidade fascinante e desafiadora, não foi projetado para o multitasking (multitarefa). O que acreditamos ser a execução simultânea de várias atividades é, na verdade, uma alternância rápida de foco que consome uma energia cognitiva imensa. Cada vez que mudamos o olhar da planilha de trabalho para uma mensagem no WhatsApp, pagamos o que a neurociência chama de “custo de troca”.
Esta necessidade de estar em “todos os lugares (e ideias) ao mesmo tempo” é alimentada pela Economia da Atenção: plataformas digitais são desenhadas para maximizar o tempo de tela através de mecanismos de recompensa imediata. O resultado? Um ciclo vicioso de dopamina que nos mantém escravos da próxima notificação.
Consequências da hiperestimulação
O excesso ou intoxicação de informação traz impactos fundos que já podem ser sentidos em larga escala, como:
* Ansiedade e FOMO (Fear of Missing Out): o medo de estar perdendo algo importante gera uma vigilância constante e um estado de alerta paralisante.
* Erosão do Pensamento Profundo: com a fragmentação da atenção, perdemos a capacidade de ler textos longos, refletir sobre conceitos complexos ou manter conversas profundas sem interrupções.
* Burnout Digital: o esgotamento mental não vem apenas do excesso de trabalho, mas da incapacidade do cérebro de se desconectar e processar a carga informativa recebida.
E mais: informação não significa sabedoria, muito menos utilidade. Submergimos em um oceano de informações enquanto morremos de sede de sabedoria e, muitas vezes, de prática.
O caminho de volta
Para reverter este cenário social e individual, não é necessário abandonar a tecnologia, mas sim mudar nossa relação com ela. A solução passa pela intencionalidade digital, notadamente no que concerne à proliferação de informações nas telas. Por exemplo: higiene de notificações, para reduzir as interrupções externas desnecessárias; blocos de Deep Work, para reservar tempo a tarefas que exigem foco total; desintoxicação digital: estabelecer períodos do dia (ou da semana) sem telas.
Enfim, fazer muita coisa e o tempo todo não é sinônimo de produtividade; muitas vezes, é apenas um sintoma de uma sociedade ansiosa e sobrecarregada. Sim, o aumento
Global dos casos de burnout, ansiedade e depressão nos referendam essa realidade.
Precisamos resgatar o valor do “fazer uma coisa de cada vez”, e do ter mais tempo livre para fazer coisas que nos façam bem e a quem é importante para nós. Não deve ser vergonha ter tempo para não fazer nada, tampouco, ou para coisas que, mormente, são julgadas como insignificantes ou simplórias, e para a solitude. Sair um pouco das telas é um começo.
Ao fecharmos algumas abas em nossos navegadores e em nossas mentes, dando um tempo (diário ou de ausência programada) de certos aplicativos e redes sociais, abrimos espaço para o que realmente importa: a presença, a criatividade e a paz de espírito. Na Era da Hiperatividade, emerge o ócio criativo. O investir em si mesmo. O andar mais devagar, por já ter tido pressa demais.
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