Minas Gerais ganhou papel central no avanço das investigações que apuram um dos maiores escândalos financeiros recentes envolvendo o Banco Master. A segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (14), ampliou o cerco judicial contra o banqueiro Daniel Vorcaro e revelou conexões empresariais, políticas e digitais que passam diretamente pelo estado.
Ataques ao BC e rede digital em Uberlândia
Segundo apurações da Polícia Federal, ataques coordenados nas redes sociais contra o Banco Central, registrados no fim de dezembro após a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, partiram de uma rede de perfis de entretenimento ligada a empresas sediadas em Uberlândia, no Triângulo Mineiro.
Entre as páginas citadas está o perfil Alfinetei, no Instagram, que soma mais de 25 milhões de seguidores. As investigações buscam esclarecer se a estrutura digital foi usada para influenciar a opinião pública e pressionar autoridades no momento mais crítico da crise do banco.
Busca em Sarzedo e foco em empresa de saúde
Em Minas, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na residência de Valdenice Pantaleo de Souza, em Sarzedo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ela é acionista e uma das proprietárias da Clínica Mais Médicos, sediada em Contagem, apontada pela PF e pelo Ministério Público Federal (MPF) como peça-chave do esquema financeiro.
De acordo com relatório da PF, a Clínica Mais Médicos emitiu R$ 361 milhões em notas comerciais entre 2021 e abril de 2025. Todos os papéis teriam sido adquiridos por um fundo de investimento cujo único cotista era o próprio Banco Master, operação que, segundo os investigadores, teria beneficiado diretamente Daniel Vorcaro.
Mandados em MG e outros estados
Ao todo, a PF cumpre 42 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, além de medidas de bloqueio e sequestro de bens que ultrapassam R$ 5,7 bilhões, por ordem do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em Minas Gerais, os mandados foram cumpridos em Belo Horizonte, Contagem, Nova Lima e Sarzedo. Em São Paulo, as diligências alcançaram a sede do Banco Master e empresas do grupo localizadas na Avenida Faria Lima, principal centro financeiro do país.
Também foram alvos da operação gestoras e instituições financeiras como Acura Gestora de Recursos, Sefer Investimentos DTVM, WNT Gestora de Recursos e novamente a Clínica Mais Médicos S.A.
Prisão em aeroporto e apreensões
Entre os investigados estão Daniel Vorcaro, além de pai, irmã, cunhado, primo, executivos e investidores ligados ao grupo. O cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Durante a operação, a PF apreendeu dinheiro em espécie, veículos de luxo, joias, relógios importados, além de armas de fogo e munições. Entre os carros recolhidos há modelos de alto padrão, como BMW e Land Rover. As imagens das apreensões foram divulgadas oficialmente pela corporação.
Suspeitas de fraude financeira
As investigações apuram crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais. Segundo a PF, o núcleo investigado teria atuado na emissão e comercialização de títulos de crédito considerados fraudulentos, especialmente Certificados de Depósito Bancário (CDBs), com promessa de rendimentos até 40% acima da média de mercado.
BC aponta desvio bilionário
Relatório do Banco Central identificou 36 empresas que teriam participado de um esquema de empréstimos fictícios, permitindo o desvio de R$ 11,5 bilhões por meio de fundos de investimento geridos pela Reag. A lista, encaminhada ao Ministério Público em 17 de novembro — na véspera da liquidação do banco — inclui majoritariamente empresas de pequeno porte, muitas do setor de construção civil, algumas com capital social inferior a R$ 1 mil.
Há ainda empresas de maior porte, dos setores alimentício, hoteleiro e de importação e exportação, com indícios de sócios em comum, o que reforça a suspeita de atuação coordenada.
Impacto nos cofres públicos
Outro ponto sensível da crise envolve recursos públicos. Governos estaduais e municipais investiram cerca de R$ 1,86 bilhão em fundos ligados ao Banco Master por meio de Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS).
O Ministério da Previdência Social afirmou que, caso haja prejuízo, estados e municípios serão os responsáveis finais por cobrir eventuais rombos, conforme determina a Lei nº 9.717/1998. Ao todo, 18 entes federativos fizeram aportes em letras financeiras do banco. Somente o Rio de Janeiro respondeu por quase metade do volume investido.
Segundo a pasta, não há previsão legal para cobrança extra de servidores, aposentados ou pensionistas, cabendo ao ente público garantir integralmente o pagamento dos benefícios.
Com Minas Gerais no centro das diligências, o avanço da Operação Compliance Zero amplia o alcance político, financeiro e institucional do caso, que segue como uma das maiores investigações sobre fraudes bancárias em curso no país.
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