A aposentada Margareth Schaeffer, de 67 anos, integra a estatística de estelionato. Em outubro, enquanto vivia o luto pela morte da mãe, ela recebeu uma ligação de um suposto gerente do banco onde é correntista.
“Ele disse que havia uma compra suspeita e pediu meus dados. Eu estava emocionalmente abalada e acabei passando”, relembra.
Ao acessar o aplicativo do banco, conforme orientação do criminoso, veio o choque: os golpistas haviam retirado R$ 5,6 mil da conta, toda sua reserva para um tratamento dentário.
“Fiquei sem chão. Saí correndo, chorando, para pedir ajuda à vizinha. Não tenho vergonha de contar. Se minha história ajudar a evitar que outros sofram, já vale.”
Para o gerontologista e demógrafo Rodrigo Caetano Arantes, ex-presidente do Conselho Estadual da Pessoa Idosa, o celular — ferramenta essencial para comunicação e apoio na velhice — também se tornou porta de entrada para criminosos.
“Golpistas usam ligações, mensagens e até inteligência artificial para imitar a voz de familiares e induzir o idoso ao erro. A orientação constante é o caminho mais eficaz para mitigar o problema”, explica.
Ele cita o golpe do falso sequestro como um dos mais frequentes.
O pai de Carlos, de 75 anos, por pouco não caiu na armadilha. A ligação começava com um simples “pai”. Nervoso, ele respondeu mencionando o nome da filha — informação suficiente para o golpista avançar no golpe.
“Ele só não foi enganado porque, depois de desligar, resolveu ligar para minha irmã, que atendeu normalmente”, conta Carlos. “Por um instante, se tivesse cedido ao desespero, teria sido vítima.”
Na capital mineira, o estelionato lidera entre os crimes contra idosos: 6.977 ocorrências de janeiro a setembro. Em todo o ano passado, foram 7.878 registros.
Embora quase 90 mil infrações tenham sido registradas, apenas 20.913 suspeitos foram conduzidos à autoridade policial — o equivalente a um suspeito para cada quatro vítimas. Em 2024, a proporção foi semelhante.
Segundo o Observatório de Segurança Pública, o número de conduzidos corresponde apenas às pessoas apresentadas à polícia, cabendo ao delegado ratificar ou não as prisões.
Para Rodrigo Arantes, denunciar é essencial:
“Temos vários canais — Disque 100, Ministério Público, delegacias especializadas. O importante é não se calar diante de qualquer violação.”
Em outubro, o mês do Idoso, Minas Gerais recebeu uma série de ações de conscientização e atendimento. A Operação Virtude, coordenada pela Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e realizada na Praça Sete, em Belo Horizonte, mobilizou polícias, Corpo de Bombeiros, Defensoria Pública e Ministério Público.
O superintendente da Sejusp, Bernardo Naves, destaca que o objetivo é unir prevenção, investigação e educação:
“É fundamental orientar idosos sobre seus direitos e sensibilizar a sociedade para a proteção desse público tão vulnerável. As ações vão da repressão a crimes até atividades educativas”, afirmou.
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