19.6 C
Belo Horizonte
InícioBrasil & MundoAs três escritoras brasileiras mais premiadas da História: heroínas distintas

As três escritoras brasileiras mais premiadas da História: heroínas distintas

POR LEILA KRÜGER

É verdade que a subjacência do patriarcalismo ainda permeia a Ciência e a Arte, no Brasil e no mundo, a despeito dos muitos avanços em direção à ascendência da figura feminina como ente social, equanimemente capaz e digna. No entanto — e em épocas em que a “repressão” ou o desprezo a mulheres escritoras eram bem mais plúmbeos — tivemos nossas heroínas, por exemplo na Literatura. Queremos, hoje, homenagear as três escritoras brasileiras mais premiadas da história do nosso país. Elas foram vozes que se ergueram como águias e se fizeram ouvir, erigidas no talento, no esforço e na persistência. São exemplos para todas nós escritoras, e também escritores e para quem anseia ter suas obras reconhecidas, de preferência ainda em vida (nós quase sempre preferimos louvar os mortos).

A oficialmente mais premiada escritora do Brasil, tendo em vista o currículo de honrarias nacionais e internacionais, é Lygia Fagundes Telles. A “Dama da Literatura Brasileira” avulta-se como uma das autoras mais condecoradas de todos os tempos. Sua escrita é elegante, densamente psicológica e retrata diferentes épocas da longa jornada de quase cem anos de Lygia entre nós, desde abril de 1918 até abril de 2022. Dentre seus prêmios de maior gládio, temos: Prêmio Camões (2005), Prêmio Jabuti (1966, 1974, 1980, 1996 e 2001), e o Grande Prêmio Internacional Feminino Para Contos Estrangeiros, na França, em 1969. Lygia, que era graduada em Direito, chegou a ser indicada ao Nobel de Literatura em 2016, estatueta que ainda é inédita entre pessoas nascidas no Brasil.

E já vem Nélida Piñon. Apesar do nome “espanholizado”, Nélida é brasileira e foi a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras (ABL). Podemos ver essa “carioca da gema”, que veio ao mundo em 1934, como uma diplomata das palavras. Sua obra é vastamente premiada e conceituada — mais no exterior que no Brasil, infelizmente, e notadamente no mundo hispânico. Venceu o Prêmio Juan Rulfo (1995), um dos mais prestigiados da América Latina e do Caribe, o Prêmio Jabuti (2005 e 2020), e aquele que é considerado “Nobel Espanhol”, pelo conjunto de sua obra: o Prêmio Príncipe das Astúrias, em 2005. Ainda conquistou outras honrarias, como o Prêmio Menèndez Pelayo, na Espanha, e o Prêmio Puterbaugh, nos Estados Unidos. Foi embora de entre nós no fim do ano de 2022.

Outra das mais prestigiadas escritoras brasileiras é Hilda Hilst: ainda pouco conhecida em seu próprio berço, o Brasil, foi poeta transgressora, mística e unívoca. Nos últimos tempos, Hilda tem sido “redescoberta” por um público crescente e curioso. Mas veio tarde: a crítica especializada já a cobria de prêmios desde os anos 1960. Paulista de Jaú, essa estrela de raro fulgor aportou em 1930 para de fato encantar: levou o Prêmio Jabuti em 1984 e 1994; o Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) em várias categorias, como Melhor Livro do Ano (Ficções, 1977), e o Grande Prêmio da Crítica pelo conjunto da obra, compreendido entre 1981 e 2003. A distinta jauense, amante das palavras, conquistou o Prêmio Cassiano Ricardo, em 1985, que de fato a consolidou como uma das maiores poetas do século XX.

MUITOS NOMES: O BRASIL E SUAS MULHERES DAS LETRAS

Poderíamos ficar muito tempo, talvez um tempo indefinido, citando todas aquelas mulheres portentosas que trouxeram vulto e orgulho à Literatura Brasileira. Clarice Lispector, Cora Coralina e Adélia Prado, por exemplo: essa última, a mineirinha Adélia, que tanto falou de sua cultura familiar do interior de Minas com saudosismo e doçura, ainda nos abençoa com sua presença na terra. Seu maior prêmio, que ganhou destaque na mídia, é recente: o Prêmio Camões de Literatura, de 2024, o mais importante laureamento para escritores de língua portuguesa.

Ademais, eu gostaria de mencionar a primeira romancista brasileira de que se tem notícia: Maria Firmina dos Reis (1822-1917). Mestiça, “bastarda”, abandonada pela sociedade, professora alfabetizadora por pura vocação e insistência até o fim da vida, quando foi deixada pobre e anônima em um sobrado. Porém, seu romance Úrsula, de 1859, merece condecorações e muitas análises, e principalmente a leitura.

Outra que combateu e enfrentou o racismo e a misoginia com as palavras foi a gigantesca Maria Carolina de Jesus (1914), mineira de Sacramento e uma vencedora imprevista por seu contexto pessoal. Apenas leiam a obra-prima Quarto de despejo, respaldada pela dura existência que Maria Carolina (de Jesus) teve como uma das primeiras escritoras negras em nossa terra, onde canta ou ao menos cantava o sabiá. Esgarçada e acorrentada por um Brasil vorazmente hostil que ainda se acostumava — e que até hoje se ajusta — ao reconhecimento dos direitos dos afrodescendentes após a abolição da escravatura, em 1888, Maria fez história e fez bonito. Não se resumiu ao papel de vítima: escreveu e brilhou, mesmo despejada em quartos da vida.  

Todas estas mulheres, escritoras, artistas, “ameaçadoras” para muitos, fizeram a diferença; e, como vou repetir: elas e muitas outras mais. Inúmeras permaneceram enraizadas no anonimato, à sombra de tudo, cujas obras acumulam poeira em bibliotecas e sebos antigos. Sua vocação nunca chegou a ser celebrada, sua guerra e sua luta, seu direito de ser e sentir.

Então, este é um convite: vamos relembrar e laurear nossas preciosas mulheres das palavras, da escrita, da Literatura Brasileira. Elas ecoam e ecoarão eternamente, pois toda arte feita de talento, suor, lágrimas e heroísmo deve ser imortalizada, e não deve ser nunca esquecida. É mais difícil, ainda é, quando se é uma mulher em um país de Terceiro Mundo que não tem o hábito de valorar a Educação, a leitura e a equanimidade social.

::: CLIQUE AQUI  E ENTRE PARA O NOSSO GRUPO NO WHATS APP :::

Leia mais: As três escritoras brasileiras mais premiadas da História: heroínas distintas

Acidente Assassinato Belo Horizonte Betim BR-040 BR-251 BR-262 BR-365 BR-381 Contagem Corpo de Bombeiros Crime Cruzeiro Divinópolis Governador Valadares Grande BH Ibirité Ipatinga Itabira João Monlevade Juiz de Fora Lula Minas Gerais Montes Claros Nova Lima Patos de Minas Polícia Civil Polícia Federal Polícia Militar Polícia Militar Rodoviária Polícia Rodoviária Federal Pouso Alegre Previsão do Tempo Ribeirão das Neves Sabará Samu Santa Luzia Sete Lagoas Triângulo Mineiro Tráfico Uberaba Uberlândia Vale do Rio Doce Vespasiano Zona da Mata mineira

RELACIONADOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui