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As redes sociais estão incitando “a pior face” em muitos de nós?

Por Leila Krüger

Vivemos um experimento social em larga escala, e os resultados preliminares são, se promissores e produtivos, paradoxalmente desconfortáveis e preocupantes. O que deveria ser uma ponte para a conexão humana transformou-se, em muitos aspectos, em um laboratório de exacerbação dos nossos instintos mais primitivos, animalescos, mesmo cruéis: a natureza humana em toda a sua crueza. Falo, em especial, das redes sociais.

Como alguém que preza pelo pensamento crítico, é impossível ignorar que a arquitetura das plataformas digitais parece projetada para minerar o que temos de mais sombrio.

A vitrine das sombras: inveja e competição

A dinâmica do “feed” não é apenas informativa, mas incita a comparação entre nós como entes humanos ou membros de grupos sociais. Expostos a um fluxo incessante de recortes “higienizados” da vida alheia, a inveja (humana, demasiada humana) pode se tornar o ruído de fundo constante da nossa psique. Não competimos mais apenas com o vizinho, com o colega de trabalho, com familiares (mais uma vez: humano, demasiado humano), e sim com padrões globais quase sempre inalcançáveis, e muitas vezes sintéticos.

Esta muitas vezes “Corrida Maluca” (como no antigo desenho) fomenta o bullying, que é o desprezo e até o ódio ao outro, e a raiva. Enclausurados pela barreira fria das telas, a empatia se dissolve mais fácil. E, não raro, desvanecem-se os sentidos de respeito, compaixão e se difundem até atos ilegais.

O ente humano deixa de ser humano e passa a ser uma “coisa”, um obstáculo, um alvo ou um degrau. A cultura do cancelamento e os linchamentos virtuais são apenas algumas das manifestações públicas de uma agressividade que não encontra mais os filtros sociais do mundo offline. E, sobretudo, um mundo offline que está quase que totalmente imiscuído com o online.

Neste entrelaçamento entre realidades de telas e sem telas, oponto crítico é a voraz ascensão da Inteligência Artificial (IAO generativa. Estamos perdendo a referência da imagem natural, e vou adiante: de quem somos ou queremos ser. Filtros e algoritmos de IA, além dos “recortes higienizados”, até assépticos, ditam o que é belo ou aceitável, galvanizando uma dismorfia coletiva. O rosto real, o corpo real, o ato real, com suas marcas e histórias, passa a ser visto, mormente, como um erro a ser corrigido, e não como nossa identidade fundamental.

Tecnologia: uma afiada faca de dois gumes

Mas é preciso honestidade intelectual: não podemos demonizar as redes sociais, assim, simplesmente. Evocar “no meu tempo” é bom, se para boas lembranças, mas o mundo sempre mudou, e tem se modificado de maneira cada vez mais múltipla e veloz.

Neste contexto, a Era Digital e a Era da IA são ferramentas de mobilização, democratização da informação e suporte comunitário, para além dos danos que podem provocar, desde a crianças expostas a conteúdos de pedofilia e violência explícita, em redes como Discord e Roblox (ou em qualquer uma), a adultos cada vez mais frustrados que embranquecem o sorriso com um filtro.

Em suma, toda tecnologia é uma faca de dois gumes: o problema é quem maneja a lâmina, e para qual propósito ela é afiada. Alguns ainda ostentam a arma pela lâmina, ferindo a si mesmos na obsessão de atingir os outros: uma desvairada loucura egótica a la Coringa do Batman, um perigo pessoal, social e que precisa ser admitido e cuidado.

Sei que não vivemos em tempos de paz. Não, nunca na História houve tempos de pacifismo em todo o mundo. Nem em um determinado território, não por muito tempo. Somos beligerantes, competitivos, meritocráticos, apegados a grandes egos, em diferentes graus. Tendemos a ver as coisas e o mundo como nós somos, quando o filtro que enxerga é o nosso — poluído de nossos traumas, gatilhos, preconceitos, etc. Então, “se estamos no inferno, vamos continuar caminhando” (parodiando Winston Churchill): em meio à polarização extrema, e pela pandemia de mentiras e, ao mesmo tempo, censura como armas de guerra, sigamos.

Para onde? Em direção à vigilância sobre o que consumimos e o que projetamos nas telas, e inclusive fora delas. Não é agora uma questão de etiqueta digital, senão de sobrevivência emocional e civilizatória.

É, meus amigos. As redes sociais não criaram ódio, raiva e inveja, apenas ofereceram boas ferramentas e ainda melhores recompensas pelo engajamento. Retomar o controle da narrativa interna é crucial. Se não formos críticos com a nossa própria presença digital (quase sempre atrelada à presença offline), continuaremos a retroalimentar máquinas que lucram com o nosso pior ao incitá-lo.

Aprendamos a cultivar um mínimo crivo e seletividade com o que vemos e mostramos nas redes sociais. As telas são as derradeiras barreiras que restam entre a nossa humanidade e o abismo algorítmico.

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