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A “névoa da mente” e o cansaço de viver no Brasil em 2025

Existe um cansaço denso e generalizado pairando no ar no Brasil, em especial em 2025. Pode parecer, mas não é uma opinião essencialmente política — embora, como poderíamos nos “refugiar” dela em qualquer digressão sobre comportamentos, relacionamentos e principalmente povo e nação? Enfim, essa “névoa da mente”, como chamou Platão em A república, e notadamente em seu Mito da caverna, está em toda parte no mundo, ao menos no mundo inserido na globalização. E ela preocupa, porque afeta nossos sentimentos, nossas emoções, nosso equilíbrio e nossas decisões.

Platão utilizou primeiramente (até onde se sabe, ou eu sei) o conceito de “névoa da mente” (“brain fog”) como um dos pilares de sua filosofia: descreveu sintomas correlatos a essa condição, como falta de concentração e lentidão de pensamento. Ademais, um estado de ignorância e confusão intelectual que forma uma neblina mental. Por exemplo, no já citado Mito da Caverna, pessoas acorrentadas em uma caverna, sob apenas a iluminação parca de uma tocha, têm a visão restrita a sombras da vida do mundo exterior que se projetam na parede do local. Vivem na escuridão e na ilusão dos sentidos de uma mente nublada. Alienação e privação de luz, de conhecimento, de sabedoria.

Ao sair da caverna de Platão — e esse é um passo corajoso ou, às vezes, forçado — o prisioneiro liberto fica temporariamente cego e desbaratado pelo brilho do sol. Seus olhos e sentidos estão se adaptando a “ver às claras”, a sentir com mais intensidade, a se sentir mais vulnerável fora de paredes antigas. É o processo de ajustamento de interpretações e de identidades próprias aos fatos e às realidades à nossa volta. Isso ocorre, ou deveria ocorrer de tempos em tempos, conforme a sociedade e seus líderes mudam: o ser humano não nasceu para ficar parado, seja na mente e espírito ou no corpo físico. É uma mutação por dentro e por fora, e não pode negar isso.

Mas eu falava da névoa mental. Óbvio que é condição humana imemorial. Porém, imagine a quantidade de “sombras” que enxerga quem se tranca em uma caverna, e a quantidade de realidade com que se depara ao sair dela. Nosso mundo gira mais rápido do que nunca, especialistas-em-tudo (e em nada) abundam por aí, como soluções fáceis, opiniões discordantes e beligerantes, uma infinidade de possibilidades de ser e sentir, de trabalhar, de estudar, de viver.

Liberdades, é claro, nem tão aceitas assim pela maioria das pessoas, como muitos querem pensar que ocorre na Pós-Modernidade e na Era da Inteligência Artificial. A natureza humana não é de aceitar o diferente e o que não entende — não sem explicações, em geral metafísicas ou científicas, e uma não tem colidido com a outra, ao contrário. Mas vamos deixar o fato de as evidências da Ciência cada vez mais apontarem um Criador de lado. Falamos ainda na névoa da mente (brain fog).

Que, resumidamente, é o sentimento e a sensação de estar meio à deriva, meio sem saber aonde ir, de onde veio, quem é. O que pensar? E precisa mesmo se posicionar sobre tudo? Há uma névoa hiperativa, hipertecnológica e hiperconectada em telas que, mais pelo excesso que pela escassez de dados, nos eneblina. E o que fazer? Bem, estamos no olho do furacão, difícil escrever tratados de dentro do tufão: é sempre aos poucos, com o passar do tempo, olhando principalmente para o passado já que o presente é extremamente dinâmico.

Mas o que fazer, eu diria: priorizar a saúde mental, que vem se deteriorando a partir de uma névoa mental coletiva. Sem esquecer os deveres cívicos. No Brasil, é pior que em muitos lugares do mundo pela polarização política e ideológica, pela censura estatal, pelos escândalos de corrupção impunes, pela pobreza do povo ante ao luxo das elites que dizem representar o povo. Pagamos dos maiores impostos do mundo. Vivemos sem muita esperança, ou em estado de guerra civil. Para muitos, ideologia ultrapassada e sem prática vale mais que enfrentar a realidade triste do Brasil, que já foi o país do futuro.

O Brasil está cansado de ser Brasil, de ser o mesmo, e por isso tem de mudar. Há uma “névoa mental” sobre nosso país. Assim como há sobre nós, seus habitantes ou nativos. Uma névoa de décadas, talvez séculos, mas que agora já torna o ar rarefeito. Queremos respirar a verdadeira liberdade de expressão, a verdadeira liberdade econômica e vias que nunca antes ousamos como nação e como população com voz soberana em uma democracia. Mas estamos cansados. Como se renovarão nossas forças? Para mim a resposta, ao menos parcial, é em Deus, no que é maior e melhor que eu. E, sem dúvidas, em reflexões profundas, ainda que incômodas, sobre nós mesmos e nossa nação vilipendiada.

É o tempo da travessia, disse Fernando Pessoa, e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos. De nós mesmos como Brasil que não deu certo, de nós mesmos como brasileiros que não conseguem mais sonhar ou distinguir sombras na parede da realidade.

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