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TDAH é um “motor de Ferrari com freio de bicicleta”

Você vive perdendo a chave do carro? “Ah, devo ter TDAH.” Seu colega de trabalho não para quieto na cadeira? “Certeza que é TDAH.” Minha cabeça não para de pensar um segundo? “TDAH.” A verdade é que precisamos desmistificar o TDAH, que é um transtorno com o qual é difícil de lidar e, mormente, pede medicação psiquiátrica. Como indivíduos e sociedade, devemos entender que ter esse diagnóstico vai muito além de um comportamento “um pouco distraído ou agitado”. É uma questão biológica, real e que afeta a vida de muita gente de forma profunda.

Parece que o termo TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) virou “moda”. Mas dizer isso soa minimalista, em se tratando dessa particularidade cerebral. Nossos tempos hiperativos e com excesso de informações ajudam a “adaptar” nosso cérebro a um tipo de intermitência entre caos e percepções aguçadas. E é claro, há a genética, sempre há. No caso do TDAH, é comum pais com o transtorno transmitirem-na aos filhos — mais que muitas das condições mentais, até esquizofrenia, por exemplo.

Porém, mais importante é entender os sintomas. Para isso, derrubar o mito de que quem tem TDAH não consegue prestar atenção em nada. A verdade é o oposto: o cérebro TDAH presta atenção em tudo ao mesmo tempo: e isso, às vezes, é como um curto-circuito.

Desatenção: o “Mundo da Lua” tem explicação

O sintoma mais clássico do TDAH é a desatenção. Mas não é por falta de vontade ou empenho em focar. O Dr. Russell Barkley, uma das maiores autoridades mundiais no assunto e professor de psiquiatria, explica que o TDAH é, na verdade, um transtorno de função executiva. Como assim?

Imagine que o cérebro tem um “gerente” que decide o que é prioridade. No TDAH, esse gerente tirou férias ou, no mínimo, está confuso. A pessoa começa a lavar a louça, vê uma mancha na parede, vai buscar um pano, encontra uma conta antiga no armário e, meia-hora depois, a louça continua suja e ela está lendo e-mails, assistindo a memes, conversando no celular, etc. São sintomas, mais uma vez, frequentes em nossos tempos de hiperatividade e hiperconectividade, em que todo dia temos uma enxurrada de informações em nosso derredor. Mas pode ser TDAH, e não apenas estresse, afobação, impaciência, distração nos dias atuais tão corridos.

TDAH gera a tal da procrastinação. Não é preguiça: é uma paralisia, uma vez que o cérebro não sabe por onde começar.

Hiperatividade não é só correr pela casa

Quando falamos de crianças, a imagem do “bicho carpinteiro” é real. Mas e nos adultos? A hiperatividade muda de endereço: ela sai do corpo e vai para a mente (lembrando: em geral, crianças saudáveis, física e mentalmente, tendem a ter algum nível de hiperatividade).

Sobre adultos com TDAH: eles relatam uma sensação de inquietação interna constante, como se estivessem “ligados por um motor”, tipo aquela máquina de Charles Chaplin no filme Tempos modernos. Essa metáfora do motor é uma descrição frequentemente usada em manuais diagnósticos: é aquela perna que não para de balançar, a mania de mexer no cabelo ou a incapacidade de relaxar num domingo à tarde sem sentir culpa.

No entanto, a hiperatividade pode se concentrar quase que, ou até totalmente no cérebro,

Impulsividade: o “falei sem querer”

Outro sintoma-chave do TDAH é a impulsividade.

Sabe aquela pessoa que completa a sua frase antes de você terminar? Ou que compra algo caro por impulso e se arrepende cinco minutos depois? Isso é clássico, e comum, mas, às vezes, é TDAH. Não dá tempo de “filtrar” a reação, e essa falta de delay em resposta a algo é frequente em pessoas com superdotação (altas habilidades), das quais muitas sofrem com TDAH. TDAH é, de uma forma ou outra, um cérebro superpotente.

O Dr. Edward Hallowell, psiquiatra e autor do best-seller Tendência à distração, sublinha um ponto sobre o qual pouca gente fala: a desregulação emocional. Quem tem TDAH muitas vezes sente as emoções em “HD 4K”. A frustração vira raiva explosiva, a tristeza vira um poço sem fundo (sintomas também de autismo e superdotação, que podem, juntas, abarcar o TDAH). Isso acontece porque o “freio” do cérebro (o córtex pré-frontal) leva mais tempo para ser acionado que o sistema emocional.

O que é mais importante no TDAH?

Primeiro, sem pânico. Ostentar transtornos mentais está na moda — muita gente sofre muito com isso, enquanto outros desprezam, mas é factual que ter o diagnóstico de um transtorno te dá, muitas vezes, além de benefícios assistenciais, algum “status”. E não devemos romantizar o sofrimento humano, tampouco demonizá-lo.

Que tal parar de usar “TDAH” como adjetivo para qualquer esquecimento bobo? Os sintomas principais — desatenção crônica, hiperatividade mental/física e impulsividade — causam prejuízos reais no trabalho, nos relacionamentos, na interação social e na autoestima.

Ser portado de TDAH é como ter um cérebro de Ferrari (rápido e potente) com freios de bicicleta (difícil de parar e direcionar), como diz o Dr. Hallowell. Então, se você se identifica com esses sintomas e acha que eles atrapalham sua rotina e sua vida, não se culpe. Busque ajuda psicológica e psiquiátrica. Pratique exercícios físicos para “acalmar” o sistema nervoso e dispensar energia física e mental. Faça meditação. Tenha uma rotina. Policie seus pensamentos — isso é possível.

O diagnóstico de TDAH não é um rótulo para limitar pessoas, mas, antes, um mapa para ajudá-la a dirigir sua Ferrari: maximizando as potencialidades e minimizando os danos ao “motor” potente.

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