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PF investiga repasses milionários ligados à Conafer e ex-presidente do INSS

Apuração aponta pagamentos suspeitos a ex-dirigentes do instituto e possíveis desvios que podem chegar a centenas de milhões de reais.

PF aponta repasses suspeitos envolvendo ex-presidente do INSS

A Polícia Federal investiga repasses milionários supostamente ligados à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil e a ex-dirigentes do Instituto Nacional do Seguro Social.

Segundo a investigação, o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, teria recebido cerca de R$ 4 milhões em pagamentos considerados ilícitos entre 2022 e 2024. Os valores teriam sido repassados por meio de empresas intermediárias ligadas à associação investigada.

A apuração indica que os repasses foram feitos por meio de terceiros e empresas que movimentavam recursos provenientes da entidade voltada a aposentados.

A defesa de Stefanutto nega qualquer irregularidade e afirma que ele não é a pessoa identificada nas mensagens investigadas.


Associação teria movimentado mais de R$ 700 milhões

De acordo com a Polícia Federal, a Conafer teria movimentado aproximadamente R$ 708 milhões no período investigado. Desse total, cerca de R$ 640 milhões teriam sido desviados por meio de empresas consideradas de fachada.

Entre as empresas citadas nas investigações estão:

  • Santos Consultoria e Assessoria
  • To Hire Cars Locadora de Veículos
  • Papelaria Pikinskeni
  • Agropecuária Pkst
  • CSS Consultoria e Gestão

Segundo a Receita Federal, os endereços dessas empresas funcionariam em salas frequentemente fechadas em um escritório localizado em Presidente Prudente (SP), o que levantou suspeitas de atividades fictícias.


Valores atribuídos ao ex-presidente

A investigação detalha que os supostos repasses ligados ao ex-presidente do INSS teriam sido distribuídos entre diferentes destinatários:

  • Anderson Pomini – R$ 250 mil
  • Delícia Italiana Pizzas – R$ 900 mil
  • Sanchez Salvadore Sociedade de Advogados – R$ 250 mil
  • Stelo Advogados Associados – R$ 900 mil
  • Moinhos Imobiliária – R$ 1,25 milhão
  • Ivete Teresinha Marsango – R$ 250 mil

A advogada Ivete Marsango declarou que nunca repassou valores a autoridades ou servidores públicos, conforme depoimento apresentado ao Supremo Tribunal Federal.


Mensagens citam codinomes

A investigação inclui mensagens de WhatsApp atribuídas a Cícero Marcelino de Souza Santos, apontado como operador financeiro da Conafer, e Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da entidade.

Nas conversas, aparecem listas com os títulos “notáveis” e “heróis”. O nome do ex-presidente do INSS teria sido associado ao apelido “Italiano”.

A defesa sustenta que Stefanutto não é a pessoa citada nas mensagens e nega qualquer participação em irregularidades.


Outros investigados

A investigação também aponta outros possíveis beneficiários de repasses suspeitos:

  • Virgílio Antônio de Oliveira Filho, ex-procurador do INSS — cerca de R$ 6,5 milhões
  • André Paulo Felix Fidelis, ex-diretor do INSS — cerca de R$ 3,4 milhões
  • Euclydes Pettersen, deputado federal — cerca de R$ 14 milhões

A Polícia Federal informou que as investigações continuam para apurar a origem dos recursos e eventual participação de servidores públicos e agentes políticos no esquema.

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